NANDA ROVERE CULTURAL
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Valorização da cultura brasileira



Comments: Quinta-feira, Setembro 10, 2009


o texto



Liz é mais uma montagem dos Satyros que prima pela reflexão e qualidade cênica



Os Satyros estão sempre em busca de desafios e a repetição não faz parte da trajetória do grupo. Cada espetáculo propõe interessantes soluções cênicas e a crítica social é o mote das realizações.



Liz, do cubano Reinaldo Montero, não é um texto fácil e isso certamente contou para que os Satyros o escolhessem para colocar no palco. Garante ao público inúmeras possibilidades de entendimento da peça.



A história da Rainha Elizabeth I serve como instrumento para indagações sobre o poder e a arte. Mescla situações ligadas ao poder político (e todas as suas nuances - mandos, desmandos e frustações) à riqueza cultural da época.



No emaranhado de personagens que se relacionam com a rainha, destacam-se os autores ingleses, Walter Raleigh e Christopher Marlowe, que fundaram o grupo Escola da Noite e questionam o mandato de Elisabeth, pautado por um governo forte e cheio de intrigas e crimes, sendo o mais famoso a execução da prima Mary Stuart. A sua aparente força é desfacelada diante das cobranças que sofre e da culpa...



Diante de montagens, cuja protagonista é a Rainha Elisabeth (Maria Stuart ,com Júlia Lemertz, e Rainhas, as mais recentes), Liz chama a atenção pelo dinamismo estonteante das cenas, pelos figurinos e adereços (deslumbrantes), pela trilha e desenho de luz. Sem deixar de lado, claro, o elenco, que tem o perfil ideal para os personagens que interpretam: Cléo De Páris, Ivam Cabral, Fábio Penna, Germano Pereira, Brígida Menegatti, Alberto Guzik, Silvanah Santos, Phedra D. Córdoba, Tiago Leal, Julia Bobrow e Chico Ribas.



Cléo de Páris enfatiza a dualidade força-fragilidade de Elisabeth. Ivam Cabral prima pela sensibilidade na interpretação. Brígida Menegatti cumpre bem a tarefa de viver Mary Stuart. Acompanho os trabalhos de Germano Pereira e, mais uma vez, o ator chama a atenção, alternando momentos mais leves e mais dramáticos com competência. Júlia Bobrow ganhou notoriedade na peça Rosa de Vidro e é uma atriz de carreira promissora.



Phedra D. Córdoba merece um aparte. Cubana de nascimento, saiu de sua terra natal em 1957 e com esse trabalho a oportunidade de rever o seu país. Juntamente com Silvanah Santos dá à montagem pitadas de humor com observações sobre os fatos. Alberto Guzik, Chico Ribas e Tiago Leal completam o numeroso elenco.

Uma visão original de uma personalidade de importância dentro da história mundial. Para assistir e curtir e tirar, cada um, as suas conclusões...



O diretor Rodolfo Garcia Vásquez imprimiu um caráter moderno e popular à encenação, por isso mesmo quem vai ao teatro somente em busca de diversão encontrará em Liz um belo visual. Quem vê no teatro um meio para reflexões, sairá da sala de espetáculos com a cabeça fervilhando.



Sinopse: Utilizando-se de um tom farsesco e de abstrações, a peça propõe uma profunda reflexão sobre a tristeza, a solidão e os erros implícitos na arte de governar. Os personagens Raleigh e Marlowe fundam um antro de perversão chamado A Escola da Noite, onde questionam a anestesia de Deus e a soberania de Elizabeth I.

Direção: Rodolfo García Vázquez

Sexta e sábado, 21hs. Espaço dos Satyros UM, pça Roosevelt, 214. R$ 30,00; R$ 15,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)



Vale conferir também:

O Amante de Lady Chatterley

Justine

A Filosofia na Alcova

120 Dias de Sodoma



“O Amante de Lady Chatterley¨

Uma mulher enfrenta a sociedade patriarcal em que vive para se dedicar a um grande amor. Uma adaptação do livro de D.H.Lawrence. A direção é de Rubens Ewald Filho. No elenco, além do competente Germano Pereira (um dos destaques do espetáculo Liz), estão Ana Carolina Lima e Ailton Guedes.

A peça estreou no ano passado, durante as Satyrianas e está em cartaz nos Satyros 2, aos domingos.



¨Justine¨

As agruras de uma moça que só busca o bem , mas chama para si somente privações, é contada de maneira criativa.

Rodolfo conduz as cenas com competência e mesmo as cenas mais fortes primam pela qualidade cênica.

Destaque para a protagonista Andressa Cabral, no seu melhor desempenho nos Sartyros.

Justine encerra a Trilogia Libertina, formada também pelos espetáculos "A Filosofia na Alcova" e "120 Dias de Sodoma¨. Três obras de Sade que exploram a hipocrisia da burguesia.

No www.satyros.uol.com.br Tem a programação completa das 3 montagens.





postado por: NANDA ROVERE 2:07 PM


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