Valorização da cultura brasileira
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Sexta-feira, Dezembro 12, 2008
ENTREVISTA SERGIO MÓDENA
Por Nanda Rovere
Nanda Rovere e Sergio Módena - estréia de Cine-Teatro Limite, Teatro Sérgio Cardoso
Esse ator, formado em Artes Cênicas na Unicamp e que se especializou em teatro na École Philipe Gaulier em Londres, não para de brindar o público com espetáculos, seja atuando dirigindo ou assinando a autoria do texto.
Reside no Rio de Janeiro, mas está sempre trabalhando em São Paulo. Entre os seus sucessos como ator estão Leonce e Lena, dir Gabriel Villela e A Incrivel Confeitaria do Sr Pellica, de Pedro Brício . Escreveu e dirigiu "Coração Inquieto - Memórias de Santo Agostinho" e adaptou a obra de Andersen, "A Roupa Nova do Imperador, 2002-RJ e SP, entre outras realizações.
Há três anos como integrante da Cia Zepellin de Teatro, está em São Paulo com o grupo para as apresentações de Cine-Teatro Limite, no Teatro SESC Consolação. É co-diretor ao lado de Pedro Brício.
O que você carrega ainda hoje do aprendizado na Unicamp?
Quase tudo. A universidade sempre marca profundamente quem passa por ela e deseja o conhecimento. Tive meu primeiro contato com profissionais do teatro, enquanto estudava na Unicamp. E professores como Márcio Aurélio, Márcio Tadeu, Maria Lucia Candeias e Sílvia Fernandes me ajudaram, de modo vertical, a vislumbrar a possibilidade de ver o teatro como um instrumento poderoso de expressão, com um senso de responsabilidade e uma perspectiva histórica determinantes que, quero acreditar, carrego sempre comigo.
Qual a diferença do método de ensino (e da própria visão sobre o teatro) no Brasil e na Inglaterra?
Minha experiência na Inglaterra foi com o Philipe Gaulier, que é francês. Ele foi convidado pelo governo inglês para lá montar uma sede de sua famosa escola de Paris. Portanto, os cursos que fiz em Londres tinham por base a filosofia do “Teatro da Cumplicidade”, formado por Philipe algumas décadas atrás e que é essencialmente diferente do teatro inglês tradicional.
Com Philipe, estudei Shakespeare, Tchecov e Melodrama. Este último, absolutamente marcante, pois se trata de uma aula de despudor, uma verdadeira batalha contra nossa percepção do correto e do comedido. O melodrama nos faz ver nosso ridículo e, sem tentar escondê-lo, nós o abraçamos publicamente.
Há mesmo diferença entre a vida teatral em São Paulo e no Rio?
Sim. Acho que, financeiramente, vivemos um momento mais difícil no Rio de Janeiro. Vejo aqui (São Paulo) a ampla política cultural do SESC e sei que isso faz muita diferença para a continuidade de trabalhos que não se enquadram no perfil comercial.
Em outras palavras, essa política cultural, que deveria ser oferecida também pelo governo, não se encontra no Rio de Janeiro. Mas o Rio é uma cidade cheia de talentos e possui um caráter iconoclasta que me agrada muito. Na verdade, acho as duas cidades complementares. Mas o grito de socorro carioca no momento é ensurdecedor. Urgente e necessário.
Porque a escolha do Rio para residir e trabalhar?
Mudei-me para o Rio por outros motivos, de cunho pessoal. Quando vi, estava trabalhando, com casa montada e uma vida cheia de planos para a cidade. Mas nunca deixei São Paulo completamente. Voltei muitas vezes para encenar peças, atuar, escrever, etc. Quer dizer, São Paulo nunca me deixa muito tempo fora e acho isso ótimo. Às vezes penso em voltar, mas hoje em dia eu me sinto completamente dividido entre essas duas cidades maravilhosas. Por isso, sempre digo, vivo lá e cá.
A Cia Razões Inversas, de Márcio Aurélio, é referência de qualidade teatral. Fale da experiência de ter participado da companhia.
Participei como ator na montagem de “Senhorita Else”. Foi um momento inspirado da Companhia Razões Inversas. A peça obteve uma ótima repercussão. Como sempre quis dirigir, observei atentamente o método de criação do Márcio. É incrível como ele consegue atingir uma linguagem poética e inteligente, e como sua percepção da obra eleva nossas atuações. Sou grato ao Márcio por ter me ensinado a ser um ator-criador. Alguém que enxerga a profissão de um modo mais amplo e responsável. Sem contar que ele é muito engraçado, coisa que não se enxerga num primeiro momento quando você o conhece.
Como surgiu a oportunidade de atuar em Leonce e Lena e como é trabalhar com Gabriel Villela?
Fiz um teste para o espetáculo. Foi um momento de pânico, pois um dos quesitos do teste era cantar. Agora, imagine você cantar depois da Nábia Villela e do Leo Diniz! Pensei comigo: bom, o texto está seguro, mas e o que faço agora com essa cantoria? Foi então que resolvi cantar música sertaneja. Quando vi, eu estava lá cantando Chico Mineiro para fazer uma peça do Karl Georg Buchner. Não porque achei que o Gabriel iria gostar, mas era o que eu tinha para oferecer. Era como um personagem, um jeito de cantar que, em última instância, não era meu, mas uma caricatura, ou melhor, uma evocação da sonoridade caipira. Eu ouvi muito esse tipo de sonoridade, pois sou do interior de SP. Era também algo genuíno e veio ao encontro da proposta de encenação do Gabriel.
Então acho que consegui colocar minha personalidade. E isso ajudou muito para que o Gabriel me escalasse para o papel do Valério, um personagem fundamental na trama e que tem uma levada bem popular.
Considero “Leonce e Lena” um dos meus maiores desafios. O personagem era muito complexo e difícil, pois, ao mesmo tempo em que ele trazia consigo elementos da melhor tradição dos famosos bobos de Shakespeare e da figura do arlequim, a peça como um todo possuía uma fragmentação absurda que desmontava as armações clássicas de uma comédia. E Gabriel me colocou ainda mais desafios. Corporalmente, a montagem tinha uma estética rigorosa e eu tive que me adequar a ela. E, no final, lembrei do que ele me dizia no início do processo: “ Tudo isso vem para libertar”. Isso é um processo fundamental de aprendizado, pois realmente tudo aquilo me libertou para a criação. Até minhas dificuldades me deram elementos de composição. Aquela mamadeira que eu usava era fruto das minhas dificuldades e ela se tornou parte fundamental do personagem. Acho a encenação do Gabriel para essa peça uma coisa genial. Era divertida e também densa, apropriava-se do universo do Buchner de modo muito criativo e era radical em suas escolhas.
E como é essa parceria com o Brício, dirigir com ele e ser dirigido por ele?
Foi interessante, pois fui dirigido por ele duas vezes antes, em “A Incrível Confeitaria do Sr Pellica”( texto dele, vencedor do Prêmio Shell) e “Fim de partida” do Beckett. Essa convivência ajudou muito para a parceria de agora. Nós nos entendemos bem e sabemos respeitar o lugar um do outro. Tudo o que me disseram sobre direção em dupla se provou falso. Quero dizer, nunca brigamos e sempre mantivemos atitudes conciliadoras, de união do grupo em busca dos objetivos da montagem. Nem eu nem ele gostamos de perder tempo.
Para dirigir você usa a sua experiência de ator?
Sim, é algo que não tem como ignorar. A grande vantagem de ser um ator na hora em que se dirige é entender as fragilidades de quem está em cena. Eu me transporto rapidamente para o palco, para aquela situação de extrema vulnerabilidade e também de extremo poder, e busco entender as motivações e/ou os medos de cada ator.
Um diretor muitas vezes é um psicólogo. Temos que entender como devemos acessar os recursos de cada ator. A prática da atuação nos dá essa visão de um modo muito preciso.
E a dramaturgia, de onde vem a inspiração? Quais autores admira?
Geralmente vem de algo que estou estudando, sem a menor pretensão de escrever. Dos autores, fico com Tchecov, Pinter, T. Willians, Albee, Beckett, Nelson Rodrigues, Shakespeare e Molière. Todos eles moldaram o que entendemos por dramaturgia nos dias de hoje. E gostaria de citar Newton Moreno entre os jovens autores da nova dramaturgia brasileira. Acho que estamos vivendo uma renovação da escrita. E temos gente de talento. Assim como o Pedro Brício. Ambos já possuem uma trajetória, uma obra, e isto não é pouco.
Como é dividir a direção com o Pedro Brício em Cine-Teatro Limite?
Foi um ótimo exercício de cumplicidade e generosidade. O que parecia ser mais grave, o fato dele ser também o autor, mostrou-se exatamente o contrário. Pedro estava aberto a sugestões e acho que fizemos uma boa parceria. Eu procurei entender a obra ao seu lado. E ele, de certo modo, a redescobria em cena. Realmente, uma peça só diz ao que veio depois que chega ao palco. É da natureza do teatro ser um mistério até para quem a escreve enquanto não for mostrada ao público.
E a Cia Zepellin, você está com ela desde a formação?
Não, comecei a trabalhar com a Zeppelin a partir de “A Incrível Confeitaria do Senhor Pellica” em 2005. Cine-Teatro Limite é meu terceiro trabalho nela.
O que você pensa dessa polêmica sobre a meia-entrada nos teatros?
Acho terrível e deve ser eliminada. Sei que se espera a aprovação no Congresso de um projeto que limita em 30 por cento a venda de meia-entrada. Por mim, não haveria nem isso. Quem subsidia essa diferença das entradas para aquele que está ali trabalhando? Ninguém. E o custo de uma produção é enorme. Imagina o governo decretar que um médico deve cobrar metade do valor da consulta. Ou um engenheiro, um professor, enfim, qualquer profissional que tenta viver do seu trabalho de forma honesta? Não há justificativa para essa lei que apenas inflaciona o preço dos ingressos e causa uma demanda infinita de documentos falsos. E o pior, o cidadão que não falsifica vira um otário, pois ele paga o valor alto, reajustado devido à Lei de meia-entrada. Criou-se um grupo grande de pessoas que acha que teatro tem que ser baratinho. Quando não de graça. Se você fizer uma peça a 1 real, pode ter certeza que muitos que possuem carteirinha vão querer pagar 50 centavos. Isso aconteceu no Rio de Janeiro, inclusive com uma peça com a Fernanda Montenegro. É uma falta de respeito. Não tem nada a ver com direito adquirido e sim com direito perdido, o de poder estabelecer o valor do nosso próprio trabalho. Hoje a meia-entrada é um dos piores inimigos do teatro.
Você já fez algumas participações no TV e cinema. Pretende investir nesses veículos?
Já fiz sim, mas o que me toma tempo, preocupação e me dá alegria e dor de cabeça é o teatro. Cada vez mais acumulo funções nele, e acho que isso tende a aumentar nos próximos anos.
Repetindo a pergunta que o Sandro fez ao Sidney Rodrigues, como enxerga a produção teatral no Brasil?
Rica, variada, vibrante e repleta de particularidades. Mas, ao mesmo tempo, carente de recursos e sem uma política cultural. É isso que o governo deve priorizar. Uma política cultural que fortaleça companhias e revitalize o teatro amador. É nele que aparecem os grandes talentos, gente disposta a lutar pelo e para o teatro. Mas, sinceramente, o teatro não parece ser motivo de preocupação desse governo.
Você é natural de Penápolis e estudou Artes Cênicas em Campinas, que são cidades do interior paulista. Você tem contato com grupos de teatro e artistas dessa região?
Foi na minha cidade que comecei a fazer teatro amador. E como eu disse acima: teatro amador é movido por paixão unicamente. Não se ganha dinheiro. Lá você está por amor ao ofício e aprende que esse amor deve ser desmedido mesmo, insano, arrebatador e que você provavelmente é uma ovelha negra, desgarrado das convenções que, numa cidade pequena, são enormes. Mas sempre tive apoio de amigos e, principalmente, dos meus pais. Sou muito grato a eles, verdadeiros artistas. Então, sempre me senti acolhido. E foi lá, em Penápolis que tive meu primeiro professor de teatro, Marcos Viana. Ele olhou para mim e disse que eu seria um profissional, e escutar isso num momento de decisão, de fazer escolhas e acreditar em si mesmo, foi o maior incentivo que eu poderia ter tido. Ele foi provavelmente o professor mais importante da minha vida.
A atriz Lavínia Pannunzio, numa entrevista realizada em 2006, citou você como exemplo de um ator que produz uma formação consistente: se você vê o Sérgio Módena vai perceber que ele é técnico, inteligente e tem vitalidade. Tem um corpo de bailarino, parece Barishnikov... sabe chegar lá, usar a voz e o corpo, e isso é muito bom para o ator...Como você se prepara para viver um personagem?
Sou muito grato à Lavínia por essas palavras, uma atriz que admiro muitíssimo, talentosa e extremamente inteligente! Acho que boa parte da minha concepção de personagem vem de uma elaboração física. Não é algo pré-determinado, mas sim uma crença (às vezes inconsciente) de que apenas posso habitar o interior de um personagem se eu souber reproduzir seu exterior. E essa forma será sempre fruto do que eu imagino, um devaneio do que entendo por um rei, um bobo, um marujo, um homem comum, etc.
Mas tudo depende da direção. No caso, ela se referia ao Valério, de “Leonce e Lena”. Ali o processo se deu nessas circunstâncias. A interioridade foi acessada com a ajuda do físico, que é como acontece na vida. Uma coisa está associada a outra. E a estética é sempre reveladora quando não tratada de forma superficial. E isso não tem nada a ver com o gênero de dramaturgia com que se está trabalhando.
Como foi dirigir Coração Inquieto e mexer com os preceitos da Igreja Católica por humanizar a vida de Santo Agostinho?
Na verdade, eu me surpreendi com a presença de jovens padres na platéia dispostos a dialogar e refletir sobre esse grande ícone do pensamento cristão. Foi uma grata surpresa, pois o espetáculo era realmente um questionamento sobre o discurso de Agostinho e como ele se tornou a maior referência filosófica da igreja. Em suma, um espetáculo que se posicionava criticamente com sua filosofia.
O pensamento de Agostinho está em praticamente todos os modelos comportamentais do cristianismo. E também inspirou as artes, a ciência, a filosofia e a psicanálise. Ele foi o homem mais influente da igreja, sem sombra de dúvida. Foi com ele que comecei a estudar filosofia. E é um tipo de estudo que transforma a gente. Ainda quero revisitar esse tema daqui a um tempo.
Cine Teatro limite fala de relações familiares, amorosas, de sonhos, fantasias e da história do Brasil. O que mais te toca nessa montagem?
O trânsito de dois gêneros, isto é, da comédia para o drama. Sábato é um jovem escritor que pretende escrever uma comédia musical sobre seu universo familiar. Porém, a comédia se interrompe quando a ida do seu irmão para a Segunda Guerra o abala completamente e essa ausência repentina repercute negativamente em sua família (que fica devastada).
Ele escreve cartas para os pais como se fosse o irmão, pois já não tem mais notícias dele. Essa tentativa simples e ingênua de ajudar os pais através de uma ficção de outra natureza é muito tocante. É um texto que me emociona muito. Além de que, quer coisa mais emocionante do que um espetáculo que tenha cartas? Sempre achei carta algo melancólico. Ela sempre representa a distância de alguém, na maioria das vezes, alguém por quem temos afeto, amor. Carta é saudade.
Cine-teatro Limite faz uma deliciosa mistura entre comédia e drama. Essa é uma característica dos trabalhos da Cia Zepellin?
Acho que é uma característica dos textos do Pedro, pelo menos dos 3 já montados pela companhia.
E quanto à reação do público, como ele reage com essa mistura (comédia e drama) e com a própria história da peça, que mexe muito com os sentimentos familiares?
Pois é, a platéia adora o drama familiar, pois existe uma grande margem de reconhecimento. E como a vida possui seus momentos de drama, comédia, melodrama (e por que não musical?), o passeio por esses gêneros é muito divertido, um outro modo de reconhecimento que o público tem de suas vidas ali no palco. Como bem disse a resenha da Vejinha, o espectador se emociona em determinados momentos e ri em outros. É uma verdadeira comédia dramática.
Como você e Pedro delinearam o processo de criação do espetáculo para que a trilha, figurino, linguagem do texto e corporal atendessem às características dos anos 40?
Mantivemos as características dos anos quarenta de forma sugerida, através dos figurinos e dos elementos do cenário. Mas a casa e o quarto do Sábato são espaços de infinitas possibilidades. Ali, às vistas do público, essa mesma casa vira camarim, palco dos musicais e tudo o mais. Portanto, a época está ilustrada na montagem sem o peso de uma reconstituição histórica naturalista, o que dá margem para uma encenação mais poética.
E, durante o processo, abracei também a função de compositor. As canções que o elenco canta ao vivo são minhas. E foi muito divertido, pois elas evocam uma “irresponsabilidade” da chanchada e do teatro de revista. E somente assim eu me dei o direito de fazer essa músicas.
Projetos com a Companhia e pessoais...
Continuaremos com “Cine-Teatro Limite” no próximo ano. Além disso, tenho um projeto com o Newton Moreno para o primeiro semestre aqui em SP que, a meu ver, será muito especial. E também estou ensaiando uma peça com outra atriz da companhia, a Isabel Cavalcanti. É um texto do Paul Auster, chamado “O Gordo e O Magro Vão Para o Céu”, inspirado no universo do Beckett. A grata surpresa é que quem dirige esse espetáculo é o Gustavo Wabner ( que integra o elenco de Cine-Teatro). Ele, após ter sido diretor assistente de importantes diretores, como o Gabriel Villela e o Naum Alves de Souza, tem se revelado um diretor seguro, sensível e criativo. Espero que esse trabalho também venha para SP!
Entrevista elaborada para o site www.atuando.com.br
postado por: NANDA ROVERE 1:47 AM
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
HOMENAGEM
Ator, locutor, diretor e poeta mineiro
JORGE EMIL
Estréia Calígula
Jorge Emil , Thiago Lacerda, Pedro Henrique Coutinho, Rodrigo Fregnan
Ando Camargo, Magali Biff, Pascoal da Conceição
Com alguns espetáculos encenados em Sampa e Rio, o ator mudou-se para São Paulo há pouco tempo e integra o elenco do espetáculo Calígula.
Vale a pena conhecer a trajetória desse talentoso artista e que São Paulo continue lhe oferecendo excelentes oportunidades de trabalho; e, claro, ofereça coisas boas na vida pessoal.
Bem-vindo a Sampa!
Por volta dos 10 anos começou a escrever histórias infantis e a fazer teatro.
Natural de Caratinga, MG, morou muitos anos em Montes Claros e Belo Horizonte. É Formado pelo Teatro Universitário da UFMG (1990), trabalhou em inúmeros espetáculos, como Diário de um louco, direção de Paulo César Bicalho (1989); Woyzeck, direção de Afonnso Drumond (1990); Sonho de uma noite de verão, direção de Werner Herzog (Rio, 1992); A obscena senhora D, de Hilda Hilst, direção de Eid Ribeiro (Rio, 1993); Lágrimas de um guarda-chuva, texto e direção de Eid Ribeiro (Rio, 1994); O beijo no asfalto, direção de Wilson Oliveira (1996);
The Addams, de Edmundo Gomes, direção de Carlos Gradim (1997) - Prêmio Sesc/Sated de Melhor Ator em Espetáculo para Crianças; Ricardo 3.º, de William Shakespeare, direção de Yara de Novaes (1999) - Prêmio Sesc/Sated de Melhor Ator.
Prêmio especial Sesc/Sated pelo conjunto de espetáculos (2000); Gota d'água, direção de Gabriel Villela (São Paulo, 2001); Educação Sentimental do Vampiro, direção de Felipe Hirsch (2007), Não Sobre Amor, direção de Felipe Hirsch (2008),
Dirigiu Noites brancas, de Dostoievski (1990) e Uma palavra por outra, de Jean Tardieu (2002).
Atuou no filme Batismo de Sangue, dir Helvécio Ratton e Os Desafinados, dir Walter Lima Jr.
Pela editora Bom Texto (RJ), publicou O dia múltiplo (2000) e Pequeno arsenal (2004), ambos de poesia.
Matérias interessantes:
igbandalarga.ig.com.br/materias/503501-504000/503686/503686_1.html www.saopaulo24horas.com/content/view/132/61/
www.jornalspiner.com.br/ www.revistainonline.com.br/ler_noticia_cultura.asp?secao=15¬icia=1548 vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/roteirosdasemana/emdestaque/teatro-407232.html rascunho.rpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=25&lista=0&subsecao
www.panoramabrasil.com.br/Noticia.aspx?idNot=263231 tudoparana.globo.com/rascunho/ficcao/conteúdo.phtml?id=412521
portalliteral.terra.com.br/imprime_artigo/um-poeta-multiplo
http://www.hojeemdia.com.br/v2/busca/index.php?data_edicao_anterior=2007-05-21&sessao=12&ver=1¬icia=440
www.connect.com.br/magnus/colunas/2007,01,24/figurasefatos.htm
www.zetafilmes.com.br/ztv/off/p_beloblue.asp
del.art.br/criticas/vampiro.html
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=espetaculos_biografia&cd_verbete=475&cd_item=29&id_evento=388500
www1.an.com.br/2000/mar/21/0ane.htm
babado.ig.com.br/materias/037001-037500/37063/37063_1.html
www.hojeemdia.com.br/v2/busca/index.php?sessao=12&data_edicao_anterior=2007-05-21
www.objetosim.com.br/artes/sert%F5es/sertoes.htm
www.terra.com.br/istoe/1667/artes/1667_imperio_cinismo.htm
Um poema:
O ator tupiniquim
O ator tupiniquim,
que outrora fez grandes papéis,
precisa agora de uns mil-réis demais.
O teatro rasteja e, ora veja,
ele tenta as engrenagens da TV.
Faz teste pra ser rei.
Faz teste pra ser um grosso.
Pra ser fora-da-lei.
Pra ser bom moço.
E embora não passe em nada (ó sofrimento),
seu talento é inconteste, dizem; sim.
E só ausência é o seu bolso.
O ator tupiniquim.
O ator tupiniquim
vê filme com James Dean
que é um jeito de gritar socorro! no
fundo do poço.
Por fim,
num programa mirim,
ele faz teste pra ser cachorro:
negam-lhe o osso.
O ator tupiniquim,
entre Hamlet e Rin-Tin-Tin,
é lançado enfim aos cães
como carne de pescoço.
(do livro "O dia múltiplo", editora Bom Texto, 2000)
'
Calígula
Calígula
Ricardo III
Rachel Ripani e Jorge Emil em Gota D´Água
postado por: NANDA ROVERE 9:21 PM
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O ator e dramaturgo Marcos Ferraz e suas inúmeras realizações
Sáb, 08 de Novembro de 2008 16:21 Nanda Rovere É um teatro preocupado em divertir. Não trata de nenhum assunto com profundidade, e sim diverte e suscita lembranças. Nos Três últimos espetáculos, homenageia uma década (80) considerada sem muita importância na cultura brasileira, mas que, no entanto, foi a responsável pelo surgimento de muitos artistas de talento, bem como pela (re) conquista da democracia. Bandas como Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Titãs, que estouraram naquela época, continuam fazendo sucesso até os dias de hoje. Além disso, vai na contra-mão dos musicais estrangeiros e valoriza a nossa música.
O sucesso é demonstrado pelas diversas temporadas que Sessão da Tarde e Lado B (além do já consagrado Na Cama Com Tarantino), estão fazendo nos teatros de São Paulo.
No momento, Marcos está em cartaz, como ator, no espetáculo Sonho de Uma Noite de Verão, no Teatro Aliança Francesa, São Paulo.
Como foi a descoberta do teatro. O que surgiu primeiro, o ator ou o dramaturgo?
Marcos Ferraz: Quando era criança gostava muito de brincar de teatro e também gostava muito de escrever. na adolescência entrei num curso de teatro e gostei daquele ambiente bacana, com pessoas interessantes. Mas profissionalmente o que veio primeiro foi o ator.
Como uma atividade está entrelaçada na outra?
Marcos: Está totalmente entrelaçada, pelo menos no meu caso. Quando estou escrevendo penso muito nos atores e quando estou atuando penso muito no autor, no tempo que ele levou para escrever determinado texto, no cuidado com a escolha da palavra certa...
Como surgiu o Companhia de Teatro Ópera Rock e como é dividir a criação coma Fezu Duarte, Fabio Ock e Marcos Okura?
Marcos: Bem, a gente começou no TBC, na época em que a Fezu Duarte administrava o teatro. Lá nós ainda éramos o "núcleo jovem da Companhia de Repertório do TBC". Isso foi de 2001 a 2003. Em 2004 já estávamos desvinculados do TBC e fundamos (renomeamos) a Cia de Teatro Rock. Foi quando fizemos "R-evolução urbana", o 1º musical com músicas da Legião Urbana liberadas pela própria família do Renato Russo. Quanto a trabalhar com Marcos, Fábio e Fezu é um prazer. Nós temos a mesma linguagem, olhares parecidos sobre o mundo e a arte... Somos sobretudo amigos. É como uma banda de rock de garagem.
Você escreve essencialmente para um público jovem, como vê o jovem na atualidade?
Marcos: Eu tenho a impressão que jovem sempre foi e sempre será igual. É claro que as questões sociais mudam, mas o jovem da década de 50 é essencialmente igual ao jovem de hoje. Os conflitos existenciais são os mesmos: a busca pela sua afirmação perante o mundo, a descoberta do amor e do sexo, o frescor das ideologias, o ímpeto pela mudança e pela novidade. Agora, é claro, o jovem não é uma coisa só. Nós temos movimentos juvenis muito interessantes, mas por outro lado vemos uma onda neonazista querendo renascer. Acredito que este seja o movimento natural da humanidade. Sempre haverá a dualidade.
Neste sentido, quais os cuidados que você tem ao escrever um texto que pode influenciar quem o assiste?
Marcos: Pois é, o cuidado maior é não impor regras, não moralizar situações nem personagens.é torná-los (os personagens e a história) o mais humanos possíveis para que o espectador se identifique e veja alguém que poderia ser ele ali no palco. Penso que isso não se restringe ao jovem, mas ao espectador em geral. Sua pergunta é muito pertinente porque quando escrevo não penso no jovem ou no adulto ou na criança, penso em contar uma história, e aí, talvez por eu lançar mão de uma linguagem pop na minha escrita, ela acabe se direcionando para o jovem.
As situações vividas pelos personagens são inspiradas nas suas vivências?
Marcos: Algumas sim, outras não. Acho que isso acontece com a maioria dos autores. Nem tudo é ficção, nem tudo é realidade. a maior parte vem da imaginação, mesmo. Existem as influências: os beatnicks, a pop art, o cinema americano, as chanchadas nacionais, o teatro de revista, os poetas da geração de 70 e 80, enfim, uma infinidade delas.
No lado B e Sessão da tarde você fala sobre os anos 80. Quais fatos daqueles anos marcaram a sua vida?
Marcos: Existem os fatos pessoais e os fatos histórico-culturais. o que mais me marcou, como não poderia deixar de ser, foi a morte do meu pai, quando eu ainda tinha 8 anos de idade. Este fato mudou o curso da minha vida tanto emocionalmente como financeiramente. Culturalmente a consolidação da cultura pop aqui no Brasil, também mudou a minha vida. Não só a minha, mas da grande maioria dos jovens. Ouvir Legião,Cazuza, Paralamas, Titãs e toda aquela galera dessa geração nos fez acreditar que nós (mais novos) também podíamos fazer isso, podíamos acreditar e realizar nossos sonhos.
É muito interessante ouvir os hits daqueles anos. Quais canções você cita como marcantes?
Marcos: Existem alguns marcos que eu considero importantes. o surgimento dessa geração que se deu com os lançamentos do vinis da Gang 90 e da Blitz e logo em seguida do Barão, todos entre 1981 e 1982. A outra marca foi com a invasão de Brasília aqui no sudeste, quando chegaram os Paralamas, que por sua vez, trouxeram a Legião. Aí veio o rock'n'rio. Mas acho que 1986 foi o ano que teve o maior número de bons álbuns. Não coincidentemente foi o ano do plano cruzado. Houve então um boom no consumo em geral e a indústria fonográfica cresceu absurdamente.é deste ano o disco "dois" da Legião, o 1º do RPM, o "selvagem" dos Paralamas,"Cabeça Dinossauro" dos Titãs, só pra dar as principais amostras.
Todos os seus espetáculos são musicais ou privilegiam a música. Como vê o musical brasileiro inserido na cena teatral atual, diante dos sucessos estrangeiros...
Marcos: O Brasil é um país extremamente musical. Penso que um tipo de teatro não exclui o outro. Há espaço e público para todos. Os musicais norte americanos são belos e exatos, mas muitas vezes não nos dizem respeito. Outras vezes o mais importante é o show de luzes ou as fantásticas trocas de cenários e figurinos. Tudo isso é interessante e bonito de se ver, mas se não vier acompanhado de uma boa história, de uma direção criativa e de bons atores, a magia do teatro não acontece. Ainda acho que estamos defasados quando falamos de dramaturgia musical, existem poucos autores que se dedicam a este gênero.
Fale sobre Na Cama com Tarantino. Qual a sua ligação com as histórias em quadrinhos e como Quentin Tarantino inspirou o estilo da peça?
Marcos: Na cama com Tarantino foi um projeto que surgiu, se não me falha a memória, do Fábio Ock. O título é dele, inclusive. Acho que todo roteirista, mesmo os que não gostam, devem admitir que o Tarantino mudou o cenário "hollywoodiano".até então não havia nada igual a "Pulp Fiction". Quando assistimos o filme vimos tudo o que nós queríamos fazer. Tudo estava ali: a linguagem pop, as referências trashs, o humor... Como também sentimos isso com Baz Luhrmann que dirigiu "Romeu e Julieta" e em seguida o fantástico "Moulin Rouge", que, sob o meu ponto de vista, é um divisor de águas no jeito de se contar uma história. Concluindo: tanto os quadrinhos, como os filmes do Tarantino estão dentro desse universo do entretenimento, da cultura "(pop)ular”, da arte que pode ser comprada na banca de jornal e, ao mesmo tempo, não ser descartável.
Qual a diferença entre Lado B e Sessão da Tarde, já que os dois espetáculos falam dos anos 80?
Marcos: A Cia. de Teatro Rock pensou em fazer a trilogia dos anos 80. Começamos com"R-evolução Urbana", como disse. Depois pensamos em fazer dois espetáculos que se complementassem, mas que fossem independentes um do outro. Como um vinil, que tem no seu lado a músicas com mais probabilidades de virar um hit, e o lado b com músicas compostas sem esta preocupação."A sessão da Tarde..." é o nosso Lado A, com canções e temas mais suaves."Lado B" trata de alguns temas mais pesados, mas sem perder o humor.
Cite as mudanças que mais te chamam a atenção, dos anos 80 para o momento em que estamos vivendo.
Marcos: A revolução tecnológica é sem dúvida a maior mudança comportamental desse período. Eu passei minha infância e adolescência sem Internet, celular, câmera digital. Meu filho tem 4 anos e já sabe mexer em tudo isso. A visão do mundo certamente será outra. Melhor ou pior, só o tempo dirá.
Como é a reação do público que assiste Sessão da Tarde e Lado B?
Marcos: Quando você é um profissional da arte (no bom sentido do termo), você se cerca e trabalha das mais variáveis formas possíveis para que o resultado da obra saia o mais perto possível do se foi idealizado. Mas depois que a obra foi finalizada e apresentada para o público, os artistas deixam de ser os donos da obra e passam a ser co-autores junto com o público. Nós, da Cia.de Teatro Rock, tínhamos dúvida quanto à faixa etária do público que iríamos atingir. Por um desses mistérios da arte, conseguimos atingir todas as idades. Quem viveu os anos 80 tem verdadeiros surtos na platéia, relembrando histórias, músicas e referências. Quem é mais jovem se identifica com a história da turma e passa a gostar das músicas. Quem é mais velho olha com ternura a inocência e a celebração da alegria no palco.
Muitos artistas reclamam das dificuldades para se fazer teatro no Brasil. Como vocês viabilizam as montagens?
Marcos: Primeiro: tem que ter talento e vocação; e isso não tem nada a ver com sucesso ou fracasso. Sucesso e fracasso são muito parecidos e envolvem coisas conhecidas e identificáveis por nós (artistas, críticos e público) e coisas inexplicáveis. Segundo: nem todo mundo pensa assim, mas tem que ser sincero. Tem que querer dizer alguma coisa, ou querer dizer nada, mas sendo sincero. Terceiro: tem que correr atrás, trabalhar muito, aprender a produzir e parar de reclamar, porque o tempo que se gasta reclamando, pode ser usado para arregassar as mangas.
Vocês estão ficando em cartaz durante a semana, terças e quartas, geralmente, é uma opção para driblar a falta de espaços?
Marcos: Sim. A gente não tem grana para pagar um aluguel de teatro. Mesmo com patrocínio, os custos das nossas produções são caros (dentro de um padrão médio de produção de teatro aqui em São Paulo). Sempre trabalhamos com equipe que tem em média 25 profissionais envolvidos, mais microfones, direitos autorais e equipamento de som. Por esses motivos também não podemos fazer temporadas em qualquer teatro. a casa de espetáculos tem que ter o mínimo de estrutura para abrigar um musical. Sobram poucos lugares e horários. Voltando a pergunta anterior, se ficássemos reclamando não teríamos feito nada. Nossa primeira pauta para"A Sessão da Tarde" era terças e quartas às 19h. Ninguém queria esta pauta. Nós aceitamos e lotávamos o teatro. Depois passamos para terça às 21h. Lotamos. Quarta ou quinta, a mesma coisa. Quer dizer, hoje em dia, essa coisa de fim de semana é relativa, principalmente aqui em São Paulo.
Qual a função do teatro na sociedade atual?
Marcos: O teatro tem várias funções. A arte em geral tem. Não sei... É muito difícil falar sobre isso com palavras e conceitos concretos, porque a arte é um bem imensurável. Eu posso cair no lugar comum e dizer que o teatro é o espelho da sociedade, ou é o provocador da humanidade, ou ainda que ele tem a função da catarse ou da educação. Ou que ele serve para fazer rir em tempos de miséria. Eu não sei falar sobre os outros. Pra mim é uma relação espiritual (sem dogmas ou religiões), onde pessoas se encontram para ficar mais perto do sagrado, para celebrar a vida.
Projetos...Marcos: Tem muita coisa. Continuar a peregrinação das peças "A Sessão da Tarde..." e "Lado B". Fazer viagens e teatros fora do circuito do centro. Estamos começando a pré-produção do novo espetáculo da cia, que, se tudo correr bem, estreará no primeiro semestre de 2009. Tem também o "Sessão-remix", uma versão do "A Sessão da Tarde" na balada, no mesmo local onde é a "Trash 80". Na TV estou no time de roteiristas do seriado "Mothern" exibido na GNT. e alguns projetos que ainda não posso dizer por questões contratuais.
Entrevistado : MARCOS FERRAZ
Por Nanda Rovere para www.del.art.br e Spiner
postado por: NANDA ROVERE 9:19 PM
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Terça-feira, Dezembro 02, 2008
Há momentos na vida que ficam guardados num lugar especial e, que de alguma forma, contribuem para que a vida seja mais interessante.
Os espetáculos dirigidos pelo Gabriel (Villela) me proporcionam esses momentos.
Estar na estréia de Calígula, ao lado de pessoas tão especiais, foi um privilégio enorme.
Calígula é um texto magnífico, que Gabriel traduziu muito bem cenicamente.
Quem conhece o trabalho desse genial diretor sabe que ele tem uma maneira própria de criação, que nos faz refletir sobre os assuntos abordados nos textos, mas sem deixar de lado o humor e um jeito ímpar de enxergar a arte e a vida.
Um elenco supimpa, que eu tenho o prazer de prestigiar sempre no teatro, e Thiago Lacerda, que eu já conhecia de cumprimentar, mas nunca tinha visto no palco. Uma equipe também supimpa, pois é só ver a voz e as movimentações dos atores; o cenário, o figurino, trilha e a qualidade da produção, que fica óbvio o quanto os profissionais que fazem parceria com o Gabriel são competentes. Não é à toa que da ¨turma¨- incluindo aí o Thiago, uma ou duas pessoas, se muito, nunca tinha(m) trabalhado com ele.
Sei que sou suspeita, mas assim que possível publicarei um texto com algumas observações sobre a peça.
O que não falta são governantes que querem a Lua, o mundo todo para si, assim como Calígula.
Calígula faz uma profunda reflexão sobre a natureza humana e é extremamente atual, ainda mais num momento em que a arbitrariedade do ¨governo Bush¨ vai dar lugar a um político que representam ideais de mudanças quanto á economia americana...
Não tirei fotos porque tinha tanta, tanta gente, que ia ter um trabalhão à toa, pois muitos sites cumpriram muito bem essa tarefa (como http://babado.ig.com.br/galeria/veja_mais/galerias.html?ini=0)...
Gabriel, criador de magias cênicas, no cenário - foto de Lenise Pinheiro
Thiago, Jorge Emil, Ando, Magali, Pedro, Rodrigo e Pascoal - eita elenco admirável, na estréia
Produtor e ator supimpa (que não atua em Calígula, mas em 2008 fez Ciranda de Pedra e Andaime)
Estréia de Calígula
Serviço:
Calígula – Estréia dia 28/11, temporada 2008 até 21/12 (sexta a domingo); e de 8/01 a 22/02/ 2009. Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 18h. Texto: Albert Camus.
Texto: Albert Camus. Tradução: Dib Carneiro Neto. Direção e figurinos: Gabriel Villela. Cenografia: J C Serroni. Sonoplastia: Daniel Maia.Sinopse - A história do imperador Gaius Caesar Germanicus, terceiro imperador romano, reinante entre 37 e 41, que ficou conhecido pela sua natureza extravagante e por vezes cruel.
Atores e seus personagens:
Thiago Lacerda (Calígula), Magali Biff (Cesônia), Pascoal da Conceição (Cherea), Jorge Emil (senador romano e Ruffius, o poeta), Rodrigo Fregnan (Hélicon), Pedro Henrique Moutinho (Scipião, poeta) e Ando Camargo (intendente do tesouro romano e Metellus, poeta).
postado por: NANDA ROVERE 1:21 AM
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ESTRÉIA CINE-TEATRO LIMITE
MOMENTO ESPECIAL
Acompanhei a época de ensaios, a estréia, a expectativa da vinda a São Paulo...Acompanhei de longe e tive o prazer de estar ao lado do elenco e equipe na estréia, no Teatro Sesc Anchieta em 21/11/2008
Serginho Módena, diretor (que também é ator, mas não nessa peça)
Guga, Gustavo Wabner, ator
Fernandinha Teixeira, Dib, Claudinho
Elias
Rachel Ripani
Eliane, Fernando, Alê
Teatro, homenagem ao cinema e ao Teatro de Revista, emoção à flor-da pele, diversão garantida, interessante retrato histórico dos anos 40...tudo isso é Cine-Teatro Limite.
A peça nos coloca em contato com a vida de uma família com ascendência italiana, em que tudo acontece em torno da mesa do jantar: as conversas, as discussões, um relacionamento no qual impera amor e prepotência...Um ritmo de vida que não existe mais. No entanto, mesmo com desavenças, a união da família chama a atenção.
Sábato é um jovem sonhador. Pretende ser um roteirista de sucesso e, por não trabalhar, é massacrado pelo seu pai, que é proprietário de uma banca de jornal. O queridinho da família é Valentino, que é oficial do exército e acaba indo servir o exército brasileiro. Tentando diminuir os conflitos entre Sábato e o pai está a mãe submissa, que adora cinema, como o filho.
Sábato escreve um filme em homenagem ao ídolo de cinema Totorito e a história é baseada nos seus desejos e perspectivas de vida. A trama é a história de sua família, mas não tal qual ela é. Seu pai, por exemplo, vira um fascista; sua mãe, uma ex-cantora de cabaré. Neste filme, Totorito interpretaria um carteiro.
O roteirista começa a viver os seus dias numa intensa mistura entre vida real e imaginária. Vive o cinema e cria um amigo imaginário (Totorito personificando o carteiro de seu filme), que mora em seu guarda-roupa.
Os espaços em que as cenas acontecem são diversos: a rua, a sala, o quarto, o proscênio, o cinema, e a guerra é o pano de fundo histórico da trama, que delimita os personagens num espaço de tempo definido e promove emoções fortes e tocantes.
Para apimentar a trama, a namorada de Valentino ( Sara) é envolvida com o Partido Comunista e, para realçar a comédia, Nancy, empregada da família, nas horas vagas dubla Marlene Dietrich no cassino da Urca.
A peça é dividida em dois atos. No primeiro, conhecemos a família de Sábato e ele escreve a comédia Deu o Breque em Berlim. Ele a mostra ao Totorito, mas acaba ficando em casa sem esperança quanto à sua realização profissional. No segundo ato, o irmão parte para a guerra e a família vive momentos de ansiedade, esperando por notícias. A desavença entre Sábato e o pai aumentam porque ele ainda não teceu um rumo para sua vida e, além disso, resolveu esconder Sara (por quem se apaixona) em seu quarto, pois a moça está sendo perseguida pela polícia.
Para tentar aliviar a saudade da família e deixar o cotidiano mais leve, Sábato inventa cartas de Valentino na guerra, mostrando que a sua criatividade para criar ilusões está mais viva do que nunca.
O cenário é modificado a todo o momento e fica propositalmente à mostra na coxia (certamente para evidenciar a mistura entre real e imaginário do texto). Tem como destaque a mesa de jantar e o armário do quarto de Sábato. O figurino é todo inspirado nos anos 40. A luz delimita as nuances entre real e imaginário, diferenciando os dois. As músicas salientam as emoções ou complementam informações.
Os atores são excelentes e criaram personagens interessantes. Esse grupo prova que no Rio de Janeiro também se produz espetáculos de qualidade, sem intenção comercial.
O objetivo da equipe com a encenação foi realizar uma discussão sobre o cômico. Em Cine –Teatro Limite há um questionamento sobre o que é realmente engraçado no Brasil, "um país muito alegre, mas, ao mesmo tempo, cheio de tristezas”, segundo o autor e diretor, Pedro Brício.
Conseguiram atingir a meta, pois a peça suscita o riso e a comoção, já que tragédia e comédia se misturam até na mesma cena. Além disso, há criativas partes musicais.
No final, Valentino volta para casa, numa cena simples e de uma sutileza tocante. Nesse momento, Sábato já resolveu dar um rumo à sua vida...
São duas horas de apresentação, mas o tempo passa rápido, tamanho o envolvimento que a peça suscita.
Serviço: Cine-Teatro Limite
De Pedro Brício. Direção de Pedro Bricio e Sergio Módena Com Zeppelin Cia: Erica Migon, Isaac Bernat, Rodrigo Pandolfo, Celso André, Alexandre Pinheiro, Gustavo Wabner, Keli Freitas, Álvaro Diniz.
Direção de arte, cenário e figurino: Rui Cortez Iluminação: Tomás Ribas. Direção Musical: Marcelo Afonso Neves. Programação visual e fotografia: Alcino Giandinoto. Produção: Fernando Libonati
SESC Consolação – Teatro Anchieta. De 21 de novembro a 14 de dezembro, sextas e sábados às 21 horas, domingos às 19 horas. Rua Dr. Vila Nova, 245. Tel: 11 3234-3000. Ingresso: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (usuário matriculado e dependentes, idosos e estudantes com carteirinha), R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
Para ver fotos:
http://www.flickr.com/photos/alcinoo/2611384654/in/set-72157605811292452/
postado por: NANDA ROVERE 1:20 AM