NANDA ROVERE CULTURAL
NANDA ROVERE CULTURAL

Valorização da cultura brasileira



Comments: Domingo, Dezembro 23, 2007



2007 teve bons e maus momentos.

Terminei o ano com pressão alta, mas estou bem. Mudança em Sampa, cidade que eu escolhi para morar e que me oferece amizades queridas, vida cultural maravilhosa e a presença de uma avó paterna querida demais.

Como sempre muito TEATRO! Não vou citar muita coisa porque posso esquecer trabalhos interessantes. Vi muita coisa e gostei da maioria. Salmo 91 foi um grande momento e eu agradeço todos da equipe que sempre foram atenciosos (Gabriel que todos sabem o quanto o admiro, Claudio Fontana na produção, Dib autor iluminado, Cacá, Guga, Ando, Pascoal, Pedrinho, Rodolfo e Rodrigo). Andaime quanto mais eu via, mais admirava atores, direção, texto, cenário, figurino, trilha...Amigas Pero no Mucho me fez rir muito muito muito. Transtorna da Cia de dança de MG além da qualidade, me marcou porque foi o primeiro espetáculo a que assisti este ano. O Anjo Maldito e Adega dos Anjos foram trabalhos de amigos queridos: Julio Carrara (direção e autoria), Robson del Kishall (ator) Chris Mayumi (produção), Chico Ribas (ator), Rádio Nacional - as ondas que conquistaram o Brasil superou as minhas expectativase provou que Andre Dias é um ator e cantor supimpa;
Arte e Cultura: Faz de Conta Que Tem Sol lá foi uma interessante montagem cujo texto é do querido Ivam Cabral; Avatar, além de ter Leo Diniz no elenco , chamava a atenção pelo figurino assinado por esse artista de primeira linha; A Javanesa – mais um trabalho primoroso de Leo Pacheco que foi lindamente escrito pelo Tide; o lírico Era Uma Vez Um Rio ganhou prêmio e viajou pelo interior de São Paulo; Veludinho mais um primor dirigido pela Lavínia Pannunzio; Eu Não sou Cachorro valeu ter assistido porque conheci o excelente ator César Figueiredo; DRINK COM AS ESTRELAS apresentado pelo Cacá /Alleyona; Pequenos Milagres é mais um trabalho inesquecível do Galpão (pessoas e artistas especiais); Yo Soy o que a água me deu Frida foi o encontro com o diretor Wagner de Miranda, que eu admirava (admiro!) como ator e com os atores do Epifanias; que eu conheci em Paraty; não assisto novelas, mas quem gosta certamente se divertiu com As Filhas de Janete Clair que o Leo Pacheco dirigiu; Nunca Ninguém Me Disse Eu Te Amo revelou o talentoso autor Franz Keppler ; ver After Darwin da querida Rachel Fuser ao lado do Ailton Amaral e do Fausto; Os Produtores eu curti muito ter assistido (não sou grande fã de musicais estrangeiros, mas achei bacana); Fala baixo senão eu grito foi muito especial porque eu encontrei o querido Eriberto Leão (que a cada trabalho se mostra um ator mais iluminado) e a magnífica Ana Beatriz nogueira ´que entrega linda desses dois no palco!; conheci o simpático Zé Mayer ( Um Boêmio no Céu, sob a direção do Amir Haddad)...
Não posso deixar de lado: De Um Lugar Para O Outro com a Cia de Nau de Ícaros;
Carta a uma filha (com o músico e amigo Daniel Maia e a estupenda cantora Nelly Sampaio);Lado B (texto do querido Marcos Ferraz);A Lua Sobre o Tapete ( que revelou o talento do Bruno Fagundes);Ensina-me a viver;Simpatia (quanto mais vejo Luciana Carnieli em cena mais a admiro);De Corpo Presente (Denise del Vecchio – diva - e Mara, ; Tieta (quanta gente querida em cena e que eu vou fazer um texto depois que ver pela segunda vez)...AH a participação do Gabriel (Villela) no evento que mais gosto: Satyrianas -Texto Segredo apresentado no Dramamix com a querida amiga Helô Cintra no elenco (dando um show!), direção do Gabriel e do Rodrigo Fregnan...
Terminei o ano revendo Amada, mais conhecida como mulher e também chamada de Maria que tem a direção e dramaturgia de Evill Rebouças, sempre suscitando reflexões através do teatro...E, por último, El Dia Que Me Queiras do Folias. Que elenco, destaque Bete Dorgan, Dagoberto Feliz e Simone Boer ! Ainda não escreverei nada, pois é uma montagem que tem altos (sacadas geniais) e baixos (cenas meio cansativas)...Sucesso do grupo que está em cartaz faz tempinho e precisa continuar para eu rever – e aí sim escrever!
2008 promete com destaque dos Vestidos de Noiva do gabriel e dos Satyros. Prometem!

...SHOWS de Nábia Villela e Leo Diniz, amigos queridos que além de grande atores, grande cantores. Foi emoção demais ver o show deles...show com a participação dos também queridos Tânia Paes e Fernando Baggio(peço desculpas por não lembrar o nome do artistas que eles acompanharam no Sesc Consolação)...CDs da cantora mineira Ana Cristina: Histórias Cantadas da Arca de Noé 1 e 2...

LIVRO do Sergio Roveri sobre a Tatiana Belinky

ENTREVISTAS: Evill Rebouças, Denise del Vecchio, Ewerton de Castro e Eriberto Leão. Que alegria saber que eles gostaram. e tomo a liberdade de dizer que o eri me honrou com a entrevista porque em 2000 eu o entrevistei (espetáculo Alma de Todos os Tempos) e já estava na hora de repetir a dose com um artista tão especial. TRÊS ARTISTAS QUE ADMIRO MUITO!

QUERIA TER IDO PRA CURITIBA E NÃO DEU; QUERIA TER IDO PRA BH (LANÇAMENTO DE DVS DO GRUPO GALPÃO, VER AMIGOS...) E TAMBÉM NÃO DEU!

NASCEU A PÉROLA, AMADA PRIMA.

JORNALISMO...

Terceiro Natal sem minha avó;segundo sem meu avõ...

Mudanças em 2008, boas espero!

UM NATAL DE PAZ E UM 2008 DE SAÚDE E REALIZAÇÕES A TODOS OS LEITORES DESTE BLOG

Obs: Os textos sobre as peças estão no
http://www.atuando.com.br/
http://www.del.art.br/
www.spiner.com.br/JornalSpiner
Se esqueci de alguém, putz, mil desculpas – tanta coisa que lembrar de tudo não é tarefa tão fácil!

obs: Fui escrevendo, escrevendo, desculpem algum erro de Português ou pouca informação



postado por: NANDA ROVERE 11:35 AM

Comments: Terça-feira, Dezembro 11, 2007





IMPERDÍVEL
TEXTO SOBRE O SHOW ALGUNS ¨POSTS¨ABAIXO

postado por: NANDA ROVERE 7:16 PM

Comments: Sábado, Dezembro 08, 2007



Uma das peças mais interessantes que vi em 2007 foi ¨Amada, mais conhecida como mulher e também chamada de Maria¨, do meu amigo Evill Rebouças, que assina a autoria e a direção.
Não é por ele ser uma pessoa que tenho imenso carinho, e admiração, que uso este blog para elogiar a peça dele. É que a peça é boa mesmo!
Assisti na época em que ela ainda estava em criação, mas de lá pra cá certamente o que era bom ficou melhor ainda...

Serviço: Amada, mais conhecida como mulher e também chamada de Maria:
Trajetória de uma mulher que teve mais de cento e oitenta milhões de filhos.
Dona de várias faces, ora ela é Maria, uma mulher comum que sente
prazer/desprazer na hora do ato sexual e da fecundação de seus rebentos; ora ela é Amada, uma pátria-mãe que se prostitui facilmente quando se depara com recursos oferecidos por estrangeiros para amenizar as desgraças de seus filhos.
Dramaturgia e encenação: Evill Rebouças
Atores dramaturgos da cena: Daniel Ortega
Edu Silva
Leonardo Mussi
Roberta Ninin
Solange Moreno
Figurinos e adereços: Maria Zuquim e Juliana Napolitano
Designer de luz/Sonoplastia: Edu Silva
Consultoria artística: Marcio Aurelio
Realização: Cia. Artehúmus de Teatro ATÉ 19 de dezembro
Sextas, 21h, Domingos, 20h

Local
Centro Cultural São Paulo - Espaço Cênico Ademar Guerra
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso. Mais informações
Fone: 11 - 3383-3400






Não vou falar muito não porque saíram críticas bem legais. Se vcs ficarem lendo a minha opinião, perderão o precioso tempo de ler as matérias rsrsrrsrsrs

Algumas críticas:

QUEM AINDA NÃO LEU A ENTREVISTA QUE O EVILL CONCEDEU A MIM PARA SER PUBLICADA NO SITE DEL.ART: www.del.art.br LEIAM QUE ESTÁ MUITO INTERESSANTE!

COMO EU NÃO ESCREVI NADA SOBRE A PEÇA, PREFERI FAZER A ENTREVISTA, COLOCAREI ABAIXO ALGUMAS OPINIÕES:

Amada
Por Andréa de Albuquerque
http://www.del.art.br/criticas/amada.htm



E MAIS:

UMA CIA. [ARTEHÚMUS] DE TEATRO QUE APRESENTA UMA(S) TANTA(S) MARIA
De tempos em tempos, como de sorte em todas as áreas da produção humana, buscam-se nomes para batizar e/ou renomear velhas experiências estéticas. Atualmente, mas sem que se trate de fenômeno recente, um número significativo de grupos de teatro, de performance, de intervenção têm utilizado e abusado do conceito de representação-em-espaços-não-convencionais, cuja renomeação mais recente apresenta-se como teatro pós-dramático e conceitos afim. Como sabem todos aqueles envolvidos com a linguagem teatral, e desde o início do processo civilizador ocidental (na Antigüidade clássica grega), o "próprio teatral" refere-se a qualquer espaço ressignificado por um conjunto de artistas, cujo objetivo fundamental pressupõe uma interlocução partilhada, com funções diferenciada e presentificada. De outra forma, o fenômeno teatral ocorre em um espaço-tempo simbólico, rigorosamente convencionado, em que um conjunto finge ser o que não é e estar aonde não está; o outro conjunto aceita esse não-ser em um não-lugar. Assim, a partir dessa "mentira com status de verdade" todo tipo de sentimento: da indignação social à identificação emocional aproxima essa tribo, dividida, porém e normalmente "coesa na diversidade".
Então, por essa amalgamizada convenção, o teatro pode ser considerado como um espaço utópico de partilha em que se (re)iventa e se (re)experimenta a vida, os sonhos, a imaginação, os vislumbres.
Desde o início dos anos 2000, a produção teatral da cidade de São Paulo tem passado por uma significativa transformação estético-temático-espetacular. Dentre os motivos possibilitadores desta mudança qualitativa – em que tantos coletivos têm apresentado excelentes espetáculos, promovido discussões públicas, distribuído publicações reflexivas acerca de seus processos e procedimentos de criação, desenvolvido mostras de seus trabalhos e de outros grupos –, é preciso lembrar permanentemente da conquista representada pelo Programa Municipal de Fomento para a Atividade Teatral da Cidade de São Paulo.
A Cia. Artehúmus de Teatro, cuja origem data dos anos noventa: transitando, sobretudo, entre o ABCD paulista e a cidade de São Paulo, insere-se nas duas proposições de motivo aqui apresentadas, a saber: tem desenvolvido uma pesquisa de reivenção de espaço (utopização da cena), intentando a imaginação do espectador a partir de expedientes do teatro épico-narrativo; e foi, pelo mérito de suas propostas e agrupamento coletivo, designado Ateliê Compartilhado, contemplado com a referida Lei Municipal de Fomento.
Amada, mais conhecida como mulher e também chamada de Maria, espetáculo da Cia. Artehúmus de Teatro, com dramaturgia e encenação de Evill Rebouças, compreende o esforço, empenho e concretização de um trabalho, também partilhado, que apresenta um conjunto excepcional de atores-criadores, cujas cenas, na maior parte das vezes, vêm carregadas de belas e polissêmicas imagens; sem, entretanto, esvaziarem-se em "beleza formalista indecifrável", que caracterizam uma fatia considerável de artistas que se dizem inseridos no teatro pós-dramático. O título, que de certa forma alegoriza o conteúdo pelo qual passa a obra: amada, conhecida, mulher, chamada, Maria, pré-anuncia uma narrativa persecutória do feminino ou uma fábula que materializa imagéticas paridas por um universo tão característico do feminino ("tempo de delicadeza"). Nela: terra, mãe, mulher, sensibilidade – como paroxismo de sentimentos confluem para potencializar socialmente, "não uma, mas tantas", como diria Gonzaguinha, em Pequena memória para um tempo sem memória:
E quem souber algo acerca do seu paradeiro, beco das liberdades:
estreita, esquecida, uma pequena marginal, dessa imensa avenida Brasil.
ALEXANDRE MATE – espectador e admirador do grupo!

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AMADA
O grupo teatral dirigido por Evill Rebouças, com a apresentação de “AMADA”, consegue realizar uma proeza incomum: num só espetáculo, desenvolve uma ácida crítica e também uma original exposição do que se pode considerar a história da formação da sociedade e do homem brasileiro.
Aparentemente, um caos; mas ao fazermos uma breve avaliação crítica da enorme variedade de situações e exposições/comprometimentos, nos deparamos com o um pacote de proposições juvenis, idealistas, apaixonadas, despidas de preconceitos e isentas de receitas castradoras que aquele punhado de artistas palpitantes nos depositaram nas mãos.
Solange Moreno, Daniel Ortega, Roberta Ninin, Edu Silva e Leonardo Mussi (Léo) são os atores no palco enriquecido pelos figurinos de Maria Zuquim e Juliana Napolitano. Resultado brilhante de sua dramaturgia coerente, “AMADA” é um espetáculo complexo, pulsando vida graças às proposições generosas e inteligentes.
Fausto Fuser
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Maria, nem todas amadas, nem todas mulheres


São três sacos: um é de flores; outro de água; e por fim o de moeda, de uma moeda! Todos são Maria, nem todas amadas, nem todas mulheres.
Os líquidos que fluem vida também fluem morte: a água suja é água de beber, é sangue de comer, é refrigerante de cola, Coca-Cola, de gozar. A ambigüidade é a faca de 'dois gumes' que lança a dúvida e "à dúvida": motor poético da potência e da pregnância dos símbolos trabalhados. Símbolos psicanalíticos muito além da identidade e de freudianismos.
No discurso mascado de cada dia está lá a repetição do mais velho do velho, trajado de novo, em novos carnavais com novas fantasias; mais uma página de uma história que já foi escrita e que a moeda (revestida de R$ 1,00 do último saco já pende para coroa... uma moeda de dois lados iguais. E o que nos chega aos ouvidos e aos olhos e ao corpo (que corpo?) é espetáculo que legitima a vida que já não existe... e, na capa das aparências que nos recitam o script há tempos plantada no estupro do destino. E por trás há crianças-atores que com corpos e dedos brincam de fogo, ora distantes e saborosamente ácidos, ora viscerais e perversos! Ora como Brecht, ora como Artaud.
A eficácia de símbolos (...) ganha força nas imagens do que não vemos, contudo, mais do que nunca imaginamos: o sangue que não se vê, mas se sabe como é, pois já vimos esse filme; a terra seca que, molhada com o sangue que bem sabemos, rejunta as paredes do espetáculo que nos cerca. Mas o que podemos imaginar depois de Fofão, paquitas e Xuxa Meneguel? A resposta está na esperança de um deus pedófilo que cuidará de mim. Mas essa "mão que balança o berço" não está aí nas lojas, nem nos programas infantis, nem na comunicação de massa, nem na esperança de massa... Aí "Amada... chamada de Maria" não sabe que esse colonizador não é o outro. O fantástico está colado à realidade: o colonizador português que traz em seu i-pod "seu" e "nosso" hino e desse pequeno aparelho que parece um detonador de bomba saem fiozinhos que levam a duas caixinhas de som de computador que emanam precariamente um som de glória e de massacre; na máquina fotográfica de brinquedo (símbolo potencializado do fetiche do objeto da sociedade de consumo, muito além da "necessidade"); nas bonequinhas e bonequinhos de plástico; na saia de Iemanjá; no filho que foi morar pra sempre na floresta (entidade de uma divindade panteísta); e assim se seguem em fábulas (as referências metanarrativas, as relações familiares, do "pertencimento"), alegorias (da vida, do amor, do sexo, da morte, da fertilidade) e arquétipos (da mãe generosa, do estrangeiro, etc).
Outro fator muito bem colocado é a transposição do personagem para o público: quando os personagens fitam nos olhos as pessoas, enquanto dialoga com outro personagem, fisicamente localizado noutro lugar no espaço cênico (que nos engole), fitando outro espectador, de modo que a respostas, as perguntas e provocações são impelidas a esse espectador, colocando-o numa situação de empatia, mas não necessariamente de identificação, fazendo-nos (eu) apropriar dessas falas e pensamentos. Isso se torna uma estratégia sutil de colocar o espectador como um ser atuante e também responsável por toda a problemática apresentada. Essa espécie de "triangulação" é um bom exemplo da persistência do teatro como meio contemporâneo de arte.
Sentir e pensar, pensar e sentir. Muitas outras coisas poderiam ser ditas sobre o que pensei após assistir “Amada”: a luz, o som, o figurino... mas quero registrar principalmente o forte sentimento de pertencer a tudo isso. E um ciclo se fecha e o espetáculo acaba deixando comigo imagens de perverso sadismo, de deliciosas crueldades, de mitos da esperança, imagens sociais da vida e da utopia, de pequenos sonhos, de uma vontade injustificada de viver e fragmentos metonímicos de uma história, cheias de tapas, esforços e comodismos e uma sensação fatalista que minha 'pulsão de vida' tentará reverter... esperamos.
Danilo Bezerra - Artista plástico.

postado por: NANDA ROVERE 1:04 AM


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