NANDA ROVERE CULTURAL
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Valorização da cultura brasileira



Comments: Terça-feira, Abril 24, 2007


EM RAPSÓDIA DOS DIVINOS, QUE ESTRÉIA NO TEATRO IMPRENSA, HISTÓRIA DO BRASIL É RECONTADA ATRAVÉS DA LITERATURA

Da Carta de Pero Vaz à literatura fragmentada de Fernando Bonassi,
passando por Raimundo Correa, Euclides da Cunha, Castro Alves, Tomáz
Antônio Gonzaga, Machado de Assis, Alphonsus de Guimarães, Anchieta e
até um desafio regionalista de repentistas, RAPSÓDIA DOS DIVINOS faz um
panorama de toda a literatura brasileira, de 1500 até hoje. Com direção de
Paulo Ribeiro, o espetáculo ¿ a primeira produção de teatro adulto de Cintia
Abravanel ¿ conta com quatro atores e dois músicos em cena e faz parte do
projeto Literatura no Teatro do Centro Cultural Grupo Silvio Santos


O espaço e o cenário são brancos com fragmentos da Carta de Pero Vaz de Caminha. Para entrar, o público, de no máximo 45 pessoas, precisa tirar os sapatos e calçar uma pantufa. Os atores já estão em cena e recebem os espectadores com um ¿canto de boas-vindas¿, com letra de Manuel Bandeira e música de Villa-Lobos. Todo o mal-estar que tantas vezes as pessoas sentem ao entrarem num espaço diferente imediatamente se dissipa. É assim que RAPSÓDIA DOS DIVINOS ¿ que estréia no dia 28 de abril, sábado, às 21 horas, no Espaço Vitrine, do Teatro Imprensa ¿ apresenta textos literários de todos os tempos que dizem muito sobre o que é o Brasil.

Com direção de Paulo Ribeiro e consultoria e orientação literária do professor Wilton Ormundo, os atores Andrea Marquee, Julio Mancini, Davi Amarante e Nábia Villela, e os músicos Claudio Medraño e Péricles Capigiani encenam e interpretam textos representativos de todos os períodos literários brasileiros, já que o fio condutor é apenas a própria história da literatura. RAPSÓDIA DOS DIVINOS ¿ que tem produção geral de Cintia Abravanel ¿ faz parte do Projeto Literatura no Teatro, do Centro Cultural Grupo Silvio Santos (CCGSS), que propicia a alunos e educadores o contato com a arte do teatro e da literatura.

Personagens da Semana de 22, Graciliano Ramos e a secura de seu Regionalismo, o auto de São Lurenço de José de Anchieta, O Navio Negreiro de Castro Alves, Lima Barreto e Policarpo Quaresma, Drummond e sua indignação com a guerra, a singular literatura de Clarice Lispector, a contemporaneidade de Fernando Bonassi e canções de Caetano Veloso e Marisa Monte, além de músicas compostas especialmente para a peça por Rafael Altro, desfilam pelo palco de uma maneira dinâmica e espontânea. ¿Procurei não construir um espetáculo-aula, didático ou meramente ilustrativo, segui apenas uma certa cronologia histórica, pedi algumas licenças poéticas, fiz releituras e intertextualidades para chegar a esse formato¿, explica o diretor do espetáculo, Paulo Ribeiro.

União de teatro, música e literatura

Paulo conta que RAPSÓDIA DOS DIVINOS foi, sem dúvida, o maior desafio que teve até hoje como compilador e diretor de um espetáculo. ¿Foram 60 dias mergulhados na história da literatura brasileira (e portuguesa), em um oceano sem fim. Iniciamos no Trovadorismo medieval e aportamos na desconfortante terra de Fernando Bonassi¿, conta ele.

Assessorado por Wilton Ormundo, o diretor e toda a equipe tiveram quase três horas de aulas diárias e, paralelamente aos estudos e pesquisas históricas, Paulo foi compilando os textos e construindo a encenação em processo de ¿carpintaria teatral¿. ¿As dificuldades foram muitas, a começar pela escolha dos autores e das obras que mais representassem os períodos a serem percorridos. A cada texto definido, meu desafio aumentava, pois tinha de dar ação cênica a obras que originalmente foram criadas especificamente para leitura¿, explica o diretor.

Para Wilton Ormundo, que trabalhou em conjunto com o diretor do espetáculo, ¿o mais fascinante para quem trabalha com literatura é ter contato com Macunaímas, Leonardinhos Patacas, GHs, entre outros personagens-ícones de nossas letras, saindo das páginas impressas dos livros diretamente para o palco¿. Trata-se, segundo o professor, ¿de uma outra maneira de sentir a literatura como algo que faz parte de nossas vidas¿.

Fugir do óbvio e mesclar elementos novos a autores conhecidos também foram preocupações constantes do diretor. ¿Condensar todo o material não foi tarefa fácil, e cortei muita coisa com um certo aperto no coração. O que ficou de fora, certamente daria para fazer mais um espetáculo¿, brinca ele. Paulo Ribeiro também comenta que a opção pela utilização de várias músicas, algumas inéditas, tem a intenção de aproximar o público da literatura. ¿O espetáculo é marcado por mudanças rápidas. Não ficamos presos em cada etapa ou período, por isso resolvemos usar a música, que acaba sendo o elo de ligação no espetáculo¿, explica o diretor.

Cenários e figurinos totalmente brancos
O espaço das apresentações de RAPSÓDIA DOS DIVINOS foi criado especialmente para receber a peça e nele só cabem 45 pessoas. Tudo é branco, exceto nos espaço em que há fragmentos da Carta de Pero Vaz de Caminha que estampam o cenário, compondo um grande painel de fundo. Para o público entrar, precisa retirar sapatos, calçar uma pantufa descartável, e entrar no clima da peça.

O diretor Paulo Ribeiro, que também assina a cenografia e os figurinos em conjunto com Cíntia Abravanel, pensou em algo mais ¿limpo e claro¿, pois o espetáculo já traz muitas informações e passa por várias épocas e períodos. ¿Optei pelo branco e algumas cores claras como o bege e o areia, pois do contrário poderia virar uma grande mistura. Nossa história é muita rica e a literatura idem, e se eu fosse colorir, ia parecer um Carnaval¿, diverte-se ele.

Nos figurinos os atores usam a mesma roupa branca. ¿O que difere são os adereços. Criei códigos e signos para cada período literário¿, conta Paulo. Lenços, xales, colares de sementes, asas de anjo, coroas e perucas aparecem, mas sempre nas cores claras.

Espetáculo foi criado para professores

RAPSÓDIA DOS DIVINOS foi criado inicialmente para o projeto No Princípio Era Ação, do CCGSS, sendo direcionado preferencialmente aos educadores. O projeto resgata a leitura do texto literário, incorporando-o à experiência cotidiana, por meio de sua recriação dramatúrgica conjugada com um material de apoio. ¿Com o sucesso do projeto, tivemos muitos pedidos dos professores para colocar o espetáculo em cartaz¿, conta Cintia Abravanel, diretora-presidente do CCGSS. Esse projeto é estruturado a partir da realização de uma palestra sobre literatura, do espetáculo RAPSÓDIA DOS DIVINOS e uma oficina de teatro para educadores de todas as áreas e amantes da literatura. Para Cintia Abravanel, ¿os professores saem apaixonados pelas múltiplas possibilidades que artes cênicas, aliadas à literatura oferecem a quem realmente trabalha com formação. Trata-se de um dia dedicado a profissionais que atuam na área de educação.¿

O diretor do espetáculo acredita que a estréia de RAPSÓDIA DOS DIVINOS em temporada teatral é uma vitória e deve ser amplamente comemorada por toda a equipe. ¿Não tinha a convicção de que o espetáculo pudesse entrar em temporada pela temática que ele aborda. Mas o retorno dos professores me fez mudar de opinião, pois muitos deles saíam do espetáculo querendo se aprofundar em algo que viram ou ouviram durante a apresentação¿, fala ele.

Paulo Ribeiro pensou em conceber o espetáculo para que o público pudesse vê-lo sem precisar de um conhecimento anterior. ¿Quero que as pessoas sintam os textos, as músicas e os poemas com o coração, já que o didatismo dá lugar ao prazer, à graça, à afetividade que os atores colocam em cada palavra do que dizem¿, explica.

Projeto No Princípio Era Ação

O Centro Cultural Grupo Silvio Santos (CCGSS) nasceu do desejo do Grupo Silvio Santos de contribuir de maneira organizada e efetiva para a consolidação das práticas de responsabilidade social empresarial. O CCGSS foi fundado em 2002, como uma entidade jurídica sem fins lucrativos ¿ com certificado de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), do Ministério da Justiça, ¿ e tem o compromisso de tornar-se uma referência nacional na disseminação do teatro como instrumento de educação, desenvolvimento e inclusão social.

O Projeto No princípio Era Ação visa à valorização da literatura e a exploração das muitas possibilidades que o teatro traz para educadores. Une-se, dessa forma o compromisso artístico com o educacional. ¿Por meio de ações concretas, o objetivo é despertar para a importância que nossas letras têm, para o prazer da leitura, do teatro, estimular a cultura e valorizar o conhecimento por meio da ampliação de possibilidades didáticas e culturais de professores. Os professores, que participam de oficinas artístico-pedagógicas do projeto, recebem gratuitamente material didático para executarem atividades relacionando teatro e literatura em sala de aula¿, explica Cintia Abravanel.

O projeto das oficinas contemplará mais de 400 professores em São Paulo e no interior gratuitamente graças aos apoiadores da iniciativa (Grupo Silvio Santos, Petrobrás e Bandeirante Energias). ¿Dessa forma, acreditamos estar contribuindo de maneira efetiva com a educação de nosso país. Os professores participantes levarão consigo experiências com teatro e literatura de modo que possam replicá-las com seus alunos em sala de aula. Nosso projeto, dessa maneira, atinge também estudantes de várias idades¿, conta Cíntia Abravanel.

(Frederico Paula ¿ abril de 2007)

Para roteiro
RAPSÓDIA DOS DIVINOS ¿ Estréia dia 28 de abril, sábado, às 21 horas, no Espaço Vitrine do Teatro Imprensa. Compilação e Direção ¿ Paulo Ribeiro. Assistente de Direção ¿ Cibele Troyano. Elenco ¿ Andrea Marquee, Julio Mancini, Davi Amarante e Nábia Villela. Músicos ¿ Claudio Medraño e Péricles Capigiani. Coordenação pedagógica e Consultoria literária ¿ Wilton Ormundo. Direção Musical, Arranjos e Composições ¿ Rafael Altro. Direção Vocal ¿ Guilherme Terra. Cenografia ¿ Cíntia Abravanel e Paulo Ribeiro. Iluminação e Figurinos ¿ Paulo Ribeiro. Produção Geral ¿ Cintia Abravanel. Realização - Centro Cultural Grupo Silvio Santos. Patrocínio ¿ Petrobrás e Bandeirante Energias. Temporada ¿ Sábados às 21 horas e domingos às 19 horas. Ingressos ¿ R$ 50,00 (meia-entrada para estudantes). Duração ¿ 100 minutos. Espetáculo recomendável para maiores de 14 anos. Até 24 de junho.
TEATRO IMPRENSA ¿ ESPAÇO VITRINE ¿ Rua Jaceguai, 400 ¿ Bela Vista. Informações ¿ (11) 3241-4203. Capacidade ¿ 45 lugares. Aceita cartões de crédito e débito. Bilheteria ¿ terças a quintas-feiras e domingos, das 14 às 19 horas e sextas-feiras e sábados das 14 às 21 horas. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Ingressos por telefone ¿ Ticketmaster ¿ (11) 6846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.ticketmaster.com.br.





postado por: NANDA ROVERE 12:52 AM


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