NANDA ROVERE CULTURAL
NANDA ROVERE CULTURAL

Valorização da cultura brasileira



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ENTREVISTEI A ATRIZ LAVÍNIA PANNUNZIO (COM A COLABORAÇÃO DE LELL TREVISAN, QUE ESCREVE SOBRE TEATRO NO www.folhacidade.com.br/)

ACREDITO QUE VOCÊS IRÃO GOSTAR.



O bate-papo foi concebido para entrar no ar no site Spiner (www.spiner.com.br), mas como ele foi extremamente prazeroso e rendeu uma longa conversa (que não coube por completo no Spiner), vocês poderão conferir, aqui no blog, a conversa na íntegra.

As questões que não se encontram no Spiner estão em negrito.

Acompanho a carreira de Lavínia há dez anos e o seu trabalho se aprimora com o tempo.

Lavínia é uma grande atriz e, felizmente, tem conquistado reconhecimento pelo seu trabalho.

E mais:

Considerações sobre o espetáculo Era Uma Vez Um Rio (dirigido pela Lavínia) e fotos dos bastidores do mesmo

postado por: NANDA ROVERE 1:06 AM

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LAVÍNIA PANNUNZIO


Atriz - metida a fazer um pouco de tudo nos palcos. E fora deles também.

Começou a fazer teatro em Uberlândia, sua cidade natal, nos idos de 1980.

Atua profissionalmente desde 1989 e já realizou trabalhos de sucesso no teatro, cinema e TV.

Neste momento está de partida para uma turnê em Portugal com o espetáculo AS MULHERES DA MINHA VIDA, e deixa em cartaz em São Paulo ERA UMA VEZ UM RIO, espetáculo que adaptou e dirigiu, graças ao PRÊMIO ESTÍMULO FLÁVIO RANGEL da Secretaria de Estado da Cultura, que recebeu em 2005.

Participou da montagem de ESPERANDO GODOT (interpretando Pozzo), com direção de Gabriel Villela, junto com Bete Coelho, Magali Biff e Vera Zimmermann. Assim como as suas colegas de palco, recebeu inúmeros elogios.

Trabalhou com Mário Bortolotto em TANTO FAZ, CLAVÍCULAS, DENTES GUARDADOS, POSTCARDS DE ATACAMA, MEDUSA DE RAYBAN e O QUE RESTOU DO SAGRADO, além de GETSÊMANI (longa).

Com Zé Renato participou de JOÃO E CARLOTA.

Com Felipe Hirsch, A VIDA É CHEIA DE SOM E FÚRIA (Portugal) e TEMPORADA DE GRIPE, de Will Eno;Márcio Araújo em 3,2,1, e A HORA É AGORA; Alexandre Stockler em WILD' STORIES, LINHA DE FUGA e 13 MOVIMENTOS, com quem dividiu essas criações num projeto que chamaram de A OBRA DE ARTE ESTÁ NO ESPECTADOR;Zé Celso Martinez Corrêa, em CACILDA!; Gabriel Villela, em O MAMBEMBE; Emilio di Biasi, em BUDRO;
André Pink, Cristiane Paoli Quito e Yacov Hillel.

Montou textos de Walcyr Carrasco, Abílio Pereira de Almeida, Plínio Marcos, Claudia Schapira, Bertolt Brecht, Pedro Vicente, Ana Ferreira, Bosco Brasil, Wagner Salazar, Woody Allen, João Cabral de Melo Neto, Martins Pena, Samuel Becket, Neil Simon e alguns próprios.

Na TV integrou o elenco da novela AS PUPILAS DO SENHOR REITOR, CHIQUITITAS e alguns episódios de 2 APÊS, SANDY E JÚNIOR e AS AVENTURAS DE TIAZINHA.

No cinema fez BOLEIROS 2 e CAMA DE GATO (longas); ZÉ AMARO E IRINEU (média); TUDO QUE É SÓLIDO PODE DERRETER, de Rafael Gomes, RETRATOS, de Fred Avelar e CHATEAUBRIAND, CABEÇA DE PARAÍBA, de Marcos Marins (curtas), além do videoclipe de Jay Vaquer COTIDIANO DE UM CASAL FELIZ, de Esmir Filho.

Adaptou para o cinema o conto BELO HORIZONTE (de Reinaldo Moraes), o livro A ÚLTIMA TRINCHEIRA (de Fábio Pannunzio) e para o teatro os livros VELUDINHO e ERA UMA VEZ UM RIO (de Martha Pannunzio) - primeiras experiências como dramaturga e diretora.

Vale a pena conferir as realizações dessa artista preocupada em impulsionar a reflexão através de sua profissão.


Numa entrevista, realizada após um ensaio do espetáculo As Mulheres da Minha Vida, Lavínia falou sobre a sua trajetória profissional, entre outros assuntos.


ENTREVISTA:



Lavínia
Foto: Roberto Souza


Nanda Rovere: Como o teatro entrou na sua vida?
Lavínia Pannunzio: O teatro entrou na minha vida muito por acaso, em Uberlândia, cidade onde nasci... Ser atriz foi uma escolha. Embora, naquele momento eu não tivesse consciência de que estava fazendo uma escolha. Fui fazendo e me apaixonei. Quando escolhi ficar eu não me lembro, mas sabia que não ia parar.

Nanda Rovere: Qual o seu objetivo como artista, o que te move na sua profissão?
Lavínia: Tenho medo dessa pergunta porque não tenho uma visão de futuro. Tenho vontade de montar peças muito boas. Não tenho essas idéias megalomaníacas de transformar o mundo, mas claro que o teatro tem um poder TRANSFORMADOR maravilhoso, não só para quem faz, como para quem assiste. Acho que através do teatro, do lúdico e da arte, ficamos mais inteligentes.

Nanda Rovere: Como foi a sua vinda para São Paulo?
Lavínia: Fui para Campinas fazer de Artes Cênicas na Unicamp e de lá eu vim para São Paulo. Fiquei O 1o. ano em Campinas, deslumbrada com a novidade de estar fora de casa, mas eu conheci Renato Cohen (um cara de performance), fiquei louca pelo trabalho dele e decidi vir para São Paulo fazer uma oficina com ele. Na sequência, comecei a trabalhar aqui com um grupo maravilhoso da Cristiane Paoli Quito. Fizemos um espetáculo, A Noite De Cabelos Como Flores, acabei ficando em São Paulo e degringolei o meu curso. Fiquei morando em São Paulo uns dois anos, aí me apaixonei por um cara que foi morar em Campinas (Kaloy ¿ pai dos meus filhos ¿ Arthur e Klauss) e eu fui atrás dele. Aproveitei e terminei o meu curso lá.

Nanda Rovere: No seu currículo, algumas participações na TV. Como é trabalhar nesse veículo?
Lavínia: Fiz tão pouquinho! Muitos anos atrás eu fazia uma peça chamada Budro , do Bosco Brasil. Terminamos o Budro e aí eu fui fazer outra peça dele, Atos e Omissões. Inauguramos um teatro na Pça Roosevelt, que foi o Teatro de Câmara de São Paulo. Nessa época, o Bosco era um autor muito promissor e foi chamado para adaptar as Pupilas do Senhor Reitor para o SBT. Aí o Bosco me indicou e indicou a Ariela, que era mulher dele na época. O SBT topou desde que fossem participações pequenas. Nós fizemos prostitutas de uma taverna e foi bacana, embora nós não fizéssemos nada. Quando recebi umas fitas que pedi para gravarem, eu vi que eu só ria e cruzava a perna (rs). Depois, por alguma razão, mandaram o Bosco embora , e mandaram embora a mim e a Ariela. Depois, fiz Chiquititas, bem no começo (fiquei uns dez dias na Argentina). Fiz um episódio da Tiazinha, um da Sandy e dois episódios de um seriado na Usp - muito legal - chamado Dois Apês. Esse eu adorei fazer porque era descomprometido. Essa é a minha vida na TV (POR ENQUANTO).

Nanda Rovere: E o cinema. Como ele entrou na sua vida?
Lavínia: Eu fiz pouco também. Fiz Cama de Gato e as minhas cenas não foram ao ar, graças a Deus, porque elas eram muito ¨trash¨. Elas não tinham a ver com o filme. Fiz Boleiros 2 do Ugo Giorgetti, eu e a Fernanda D´Umbra, e foi uma delícia por que o Ugo é um diretor anfitrião e o ambiente é MARAVILHOSO e o trabalho rende muito. Também fiz alguns curtas. Eu tenho um irmão jornalista, Fábio Pannunzio, que passou duas semanas na Colômbia fazendo uma matéria para a Band e escreveu um livro. Eu peguei esse livro e adaptei para o cinema. O nome é A Ultima Trincheira. Eu estava sem dinheiro e o Fábio me pagou por este trabalho. Eu fui fazendo e fui adorando, mas não virou cinema porque, como se passava na Amazônia (no Brasil e na Colômbia), não foi possível captar a grana. O roteiro está pronto e parado.

Nanda Rovere: E o conto Belo Horizonte?
Lavínia: Eu estava lendo um livro de contos do Reinaldo Moraes chamado Umidade. Adoro o Reinaldo pessoalmente e como escritor. Nesse livro tem o conto Belo Horizonte, que você vai lendo e só entende qual é a real da história no final. O conto descreve a trajetória de um cara Do Alto De Um Prédio Até A Calçada... É como se fosse um conto póstumo, mas você só sente isso quando ele encontra o chão. Eu fiquei louca pela obra e como na época tinha um edital do Prêmio Estímulo para cinema, eu resolvi fazer. Mas também não consegui filmar. As adaptações estão arquivadas em casa porque eu não entendo de cinema a ponto de pegar uma câmara e filmar, também não gosto de chamar gente para trabalhar e não ter dinheiro. Uma hora que eu me encorajar (e tiver a grana necessária) eu faço.

Nanda Rovere: Você acabou de encenar Esperando Godot. Como foi a experiência de ser dirigida pelo Gabriel Villela num texto tão rico?
Lavínia: Gabriel é um ficcionista... (é assim que eu costumo chamar as invencionices dele), ele é um gênio e é exigente... Ele bota a gente pra ler, ele faz perguntas, é uma espécie de inquisição mesmo!... Eu sempre fui muito fã do Gabriel e fiquei mais ainda depois do Godot. Ele sabe o que quer, mas nem por isso vai direto ao ponto e é um tesão estar com ele, que é um criador compulsivo. Godot eu acho um desafio à inteligência, mexe com a gente. Graças a Deus eu fiz, mas tenho certeza de que é uma peça que eu teria amado assistir.

Nanda Rovere: Em Esperando Godot), a química no palco era linda. E foi corada com a indicação da Magali ao Shell de Melhor atriz (se bem que todas vocês
mereciam)...
Lavínia: O tempo está passando para a Magali (para todos nós...) e ela está ficando cada vez mais deslumbrante. Eu vi a Magali muitos anos no teatro e trabalhei com ela em Abajur Lilás, acho que em 2001. Naquela época ela já era genial e apresentava traços de obstinação. Ela é muito CDF. Ela é tão apavorada com os personagens, ela é tão dedicada, que eles não escapam de jeito nenhum. Muita disponibilidade foi posta ali, mas a do Gabriel foi impressionante... Ele foi tão desprendido, o trabalho foi tão limpo. Era impossível que a gente também não entrasse de cabeça, por mais medo que a gente tivesse de não fazer a coisa certa, de não falar o texto como ele merecia e precisava ... No nosso camarim do Belenzinho, o Gabriel deixou um recado pedindo pra nós não matarmos os finais das palavras. Gabriel escreveu isso com um lápis de maquiar os olhos... Ele achava que a gente tinha um vício de coloquialidade que podia jogar por terra o texto de Beckett e perder a fábula; ele não podia conceber isso. Na verdade, esse não era um recado genérico. Eu tinha a ver com isso. Talvez Magali também... Já não sei te dizer, mas acho que Bete e Vera não tinham esse problema.


Nanda Rovere: E estar ao lado da Bete Coelho, da Vera Zimmermann e da Magali Biff?
Lavínia: Foi um privilégio. Sou agradecida por ter participado por este processo. Foi uma honra fazer uma peça que as pessoas tinham tanta vontade de ver, porque a gente faz peça e dificilmente as pessoas enlouquecem de vontade de ver, e isso acontecia com Godot. Pena que a peça teve que acabar ...

Nanda Rovere: Parecia que vocês se conheciam há anos...
Lavínia: Uma vez em que estávamos ali, naquele picadeiro, o jogo acontecia. No Belenzinho era mais difícil porque o espaço era exigente demais, corríamos o risco de falar e não sermos entendidas. O Belenzinho era maravilhoso, mas no Sesc Paulista a gente podia dar ritmo para a peça. Nós estávamos tão ligadas e atentas para o jogo, para o espaço e para o público, que estava pertinho de nós, que foi inevitável ganharmos a peça e o público.


Nanda Rovere: E o trabalho de clown, como foi a preparação desse espetáculo?
Lavínia: Eu nunca fiz clown porque sempre tive preconceito com clown e comedia dell' Arte , mas o Gabriel é um cara tão envolvente e atraente, que propõe e é bobagem a gente rejeitar, porque ele é aberto demais. E ele tem um universo, um repertório, que a coisa não é só o clown, nem só a commédia della arte... era o circo de picadeiro rudimentar. E tinha tanta coisa por trás... Tinha aquele texto maravilhoso do Beckett... O Gabriel te pega pela mão e te leva para a cena. Literalmente ele faz isso. Aí ele trouxe a Maria Thais que deu um curso rápido de máscara, do uso da máscara que acabamos ampliando. Nós quatro éramos super diferentes umas das outras (de escolas diferentes) e o Gabriel admitiu a gente com as diferenças. Acredito que ele quis assim. Fomos aprendendo a fazer aquilo, mas a cada dia em que eu entrava em cena, me concentrava demais porque tinha muito medo de errar, de perder qualquer milímetro daquele trabalho que estava tão fundamentado.


Nanda Rovere: Vocês conquistavam a platéia pelo olhar. Teve algum trabalho em cima disso?
Lavínia: O uso da máscara te obriga a isso. Nós estávamos muito perto do público e o Gabriel não queria que a peça morresse dentro de nós, ele queria dividir isso com o público. Os olhares dos personagens eram muito significativos e distintos. A Bete tinha um olhar de memória ausente, A Magali tinha uma força enorme... Como esconder isso? Era pra ser revelado porque, através disso, o público entrava bastante no imaginário da peça.


Nanda Rovere: O seu personagem Pozzo - tinha um humor que caía no ridículo...
Lavínia: Eu adorava isso. E na véspera da estréia eu ganhei um nariz de clown. Eu fazia o personagem, mas nós não sabíamos exatamente o que fazer com ele. Aí o Gabriel pediu pra eu botar o nariz. Quando eu coloquei aquele nariz preto eu pedi pelo amor de Deus ao Gabriel para nunca tirá-lo de mim. Eu comprei a idéia da máscara e do nariz.


Nanda Rovere: Você já tinha trabalhando com o Gabriel...
Lavínia: Eu fiz O Mambembe há dez anos atrás. Era muito bacana porque era um monte de gente em cena. O Gabriel sabe fazer isso. Era um musical brasileiro e era uma delícia de fazer. Eu me lembro que o Gabriel já tinha escalado o elenco. Eu fazia um coro e um belo dia ele me deu de presente um personagem que era uma censora e ela chamava Volange, como referência à Solange que assinava o certificado censurando as obras no cinema. Era o casal Solange e Coriolano. Eles assistiam a uma apresentação de Romeu e Julieta (quem fazia a Julieta era a Zezéh Barbosa e o Leopoldo Pacheco fazia Romeu - uma homenagem ao Oscarito e Grande Otelo) e a censora mandava parar a apresentação porque a personagem chamava Julieta e Julieta rima com ... (rs). Era uma brincadeira do Gabriel e ele me deu um presente. Eu amo o Gabriel. Foi enorme o intervalo entre O Mambembe e Godot, mas eu fiquei vendo peças que ele dirigiu. Uma que eu adorei foi Ópera do Malandro. O que sempre me encantou no Gabriel é que ele pega as coisas, se apropria delas , assina, e diz ¨é isso que eu penso disso aqui¨. A gente vê a autoria dele numa peça dos outros e eu acho isso o máximo. E ele fez uma peça sórdida.


CONTINUA...

postado por: NANDA ROVERE 1:02 AM

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CONTINUAÇÃO DA ENTREVISTA:

Nanda Rovere: Boa parte dos espetáculos que você fez são fortes, intensos. Ao mesmo tempo você tem um timming excelente para comédia. Como é trilhar pelos dois gêneros?
Lavínia: Eu não me acho nem um pouco engraçada e ser obrigada a acertar a piada me deixa verde. Eu vou fazer agora As Mulheres da Minha Vida e a personagem é deliciosa. Só que a comédia está com o Fagundes, com a Eliana Rocha, que é o máximo. E comigo também! Fazer comédia é um desafio pra mim porque eu morro de medo. Fiz uma peça do Marcio Araújo que tinha um casal. É uma peça à qual costumo chamar de "sessão da tarde", uma comédia romântica bem ao estilo das que fizeram Tom Hanks e... Meg Rian, sabe? , mas como ela não tinha o compromisso da comédia, eu relaxei e o público acabava rindo bastante. Quando eu tenho compromisso com a comédia eu fico pensando na Ilana Kaplan. Eu queria incorporar a Ilana porque ela, para mim, é a mulher da comédia brasileira. E tem a Graziela Moretto... Eu sempre evoco as duas. Na verdade, eu gosto mesmo é de um bom texto que me dê um chão para pisar.

Nanda Rovere: Você tem alguma técnica para a criação dos seus personagens? Eles têm uma expressividade impressionante...
Lavínia: Eu não tenho técnica. Alias, eu sou uma atriz mal formada neste sentido, porque nunca me disciplinei para ter uma metodologia de trabalho, até porque eu trabalho com textos, autores e diretores bastante diferentes. O meu curso na Unicamp foi mal feito. Entrei na primeira turma e o curso era uma coisa a ser descoberta pelos professores, que era um núcleo formado, se não me engano, pelo Núcleo Pessoal do Victor. Eles eram um núcleo de pesquisa que a Unicamp bancava e precisavam instituir o curso porque a universidade não ia mais bancar a pesquisa. Aí fizeram vestibular em setembro, completamente fora do calendário, e eu fui aprovada. O curso já começou em novembro de forma que, quando o ano seguinte começasse, já tivesse SIDO implantado o curso de teatro. Então eles não sabiam direito como seria. Nunca tinham sido professores de universidade, cada passo era uma descoberta nova. Na época da Unicamp eu já trabalhava muito e os professores lá pelas tantas começaram a me aprovar, eu fazia teatro , convidava eles pra verem, fazia trabalhos e eles me aprovavam. Assim eu consegui concluir meu curso e fui trabalhando com tanta gente diferente e cada trabalho era tão interessante, como escola mesmo. Parecia que eu começava do zero, mas ia agregando uma bagagem e admitindo as propostas e linguagens que os caras iam oferecendo. Então não desenvolvi um método. Trabalhei Klaus Vianna, nunca com ele, mas gente que tinha trabalhado com ele e eu fui buscando formações bem avulsas.


Nanda Rovere: Então você sente falta de uma formação mais técnica?
Lavínia: Se eu fosse uma atriz que tivesse recursos, seria muito melhor, ia continuar aprendendo coisas. Se você vê o Sérgio Módena (Valério no Leonce e Lena), você vai perceber que ele é técnico, que é inteligente e tem vitalidade. Tem um corpo de bailarino, parece Barishnikov... Se eu fosse assistir todas as peças do Sérgio poderia ser que eu o reconhecesse toda vez, mas ele sabe chegar lá, usar a voz e o corpo, e isso é muito bom para o ator.


Nanda Rovere: O Guarnieri tem um texto onde ele fala que o ator quando chega a uma atuação perfeita, ele não vai saber como chegou a isso...
Lavínia: A busca da excelência está na percepção (ou perfeição) do ator). Eu vou dar um exemplo ridículo disso. Eu fui ver Cirque Du Soleil. É uma profusão de beleza e apuro estético, que deixa o público em êxtase. Quando eu vou ver uma peça e sou tomada pelo cara que está em cena, isso É legal para todo mundo... O Gabriel me deu uma cena em Godot,que mudou no Sesc Paulista, que era aquele teatrão grego, e eu não tinha voz pra fazer aquilo. Ficava ensaiando e ligava para a Babaya perguntando como era. Ela ficou me dando aula por telefone e me ajudando a fazer a peça. O Gabriel falava que era uma cena trágica e eu não sabia, perdia a voz no começo. Por mais intuição que eu tivesse, eu não estava preparada para isso porque eu nunca fui atrás e não houve quem pudesse me ensinar. Isso é uma pena. Eu tenho vontade de me aprimorar, mas não sei bem onde procurar... Gabriel disse que Walderez de Barros estudou teatro na Grécia... Deve ser do caralho. Imagina fazer Shakespeare em Londres?!...


Nanda Rovere: O que você tem visto no teatro. O que te marcou?
Lavínia: Amo Gero Camilo, ele é deslumbrante. Vi o Gero em Cleyde Elo e as Pêras. A peça é de amor, pessoas que estão no limite. Mostra o que uma história de amor pode produzir numa pessoa, tudo está à flor da pele. Gero e Paula são grandes atores. Gero é um cara que escreve poesia pura. Ele faz isso em Aldeotas e Cleide Elo e as Pêras. O Gustavo Machado fez uma direção belíssima. A luz recorta os atores de um jeito que não é aquela luz óbvia. Peça Sobre o Bebê, por exemplo, é de uma genialidade dramatúrgica. Eu saí de lá com o meu cérebro maior. Foi um tesão ver essa peça.

Nanda Rovere: Muitos artistas reclamam das dificuldades para se fazer teatro no Brasil. Como driblá-las?
Lavínia: As dificuldades sempre existiram e existem até hoje. Você não tem dinheiro e faz teatro do jeito que dá. Você recebe uma grana, esses míseros apoios (sem os quais você já não pode mais trabalhar) e a grana acaba, e você, mesmo tendo pago mal todo mundo, ainda fica cheia de dívidas. Recebi o Prêmio Estímulo para montar Era Uma Vez um Rio e a grana acabou. A temporada da peça do Fagundes em Portugal (As Mulheres da Minha vida) é que vai terminar de pagar a produção. Eu vou ganhar uma grana bacana e ela já tem destino certo. Eu ainda não cheguei naquele movimento de guardar dinheiro e fazer planos para o futuro. E isso é realmente uma merda. E isso não é nenhuma choradeira. É só uma constatação, porque não tenho nenhuma intenção de não fazer teatro. Agora mesmo estou buscando novos editais pro "Era Uma Vez Um Rio". Pra viajar com ele, enquanto crio fôlego pros próximos trabalhos. Tenho que ser patroa de mim mesma, sabe como? E quando a coisa pega mesmo, enquanto faço dívidas pra viver, adapto textos de que gosto pra montá-los no teatro. Ou no cinema... Quando estou trabalhando, ensaiando ou produzindo, estou salva.

Nanda Rovere: Como você começou a dirigir, como você resolveu montar ERA UMA VEZ UM RIO? Você chegou a dirigir o texto em Uberlândia, não?
Lavínia: Como eu não sou uma atriz convidada toda hora, eu preciso me virar. Às vezes eu escolho algum texto e chamo gente para fazer e dirigir, mas dirigir eu nunca tinha feito. Eu sou filha de escritora e minha mãe é autora de livros infanto-juvenis (MARAVILHOSOS!). Adaptei o Era Uma Vez Um Rio, que é um dos últimos livros dela. Quando eu avisei a minha mãe, ela disse ¨vamos fazer¨. No fim, ela acabou arrumando uma verba pela Lei Rouanet e eu fui pra Uberlândia sabendo o que eu queria com a peça. Era uma produção para doze atores e eu convidei artistas de lá. Uberlândia é minha cidade natal, mas eu estou fora de lá há mais de vinte anos. Comecei a tentar botar em prática o que eu tinha imaginado. Eu tive uma grande oportunidade e fui presenteada pelo elenco. Saiu uma peça linda. Então eu tive (cavei) uma oportunidade aqui de fazer de novo o "Era Uma Vez Um Rio". E sabia que não poderia ser igual. A grande chance foi ter feito um outro espetáculo, completamente diferente. Com conceitos e abordagens e soluções, e estética e linguagem completamente diferentes da montagem de Uber... Isso sim foi um presente que a prática e a perseverança me deram.

Nanda Rovere: Eu li uma reportagem que falava sobre a abrangência do projeto para com as escolas da cidade. (SOBRE ERA UMA VEZ UM RIO em Uberlândia)
Lavínia: O projeto previa ônibus para buscar as crianças de escolas públicas, de quarta a oitava série, e levá-las de volta. Escolas particulares tinham ingressos igualmente franqueados, mas se viravam para levar as crianças ao teatro. Tínhamos quatrocentas crianças de manhã e outras quatrocentas à tarde. Tinha uma sessão só para adultos, estudantes da faculdade de zoologia, da guarda florestaL. O que você viu aqui foi uma versão enxuta porque lá ela tinha mais coisas.


Nanda Rovere: E sua mãe o que achou?
Lavínia: Eu não deixei a minha mãe ver os ensaios porque ela é ansiosa e por mais que eu soubesse que a peça estava ficando linda, tinha medo dela achar que eu tinha feito menos (o livro dela é muito bonito). Ela poderia não entender que o teatro não dá conta de abraçar a literatura. Ela viu a peça e não aconteceu nada com ela. Eu fiquei uma semana em Uberlândia com a peça estreada e ela só foi se apaixonar no final dessa semana. Deve ter sido um impacto. Ela ainda não viu em São Paulo, mas ela vem ficar com os meus meninos quando eu for para Portugal, aí vai assistir. É uma pena, eu queria ver junto com ela porque ela vai achar muito diferente dá montagem de Uberlândia.


Nanda Rovere: E te deu insegurança dirigir?
Lavínia: Quando eu cheguei em Uberlândia, dia 27 de dezembro, o patrocinador disse para a minha mãe que o dinheiro estava disponível. Dia 6 de janeiro eu comecei a fazer teste com o elenco. Eu estava ansiosa e feliz. Eu tinha um projeto e eu sabia o que eu queria. Tudo que veio diferente do que eu planejei foi lucro. À minha fantasia somou-SE um monte de coisas... Quando eu vim fazer em São Paulo eu não tinha o dinheiro que eu queria, porque o Prêmio Estímulo deu muito menos do que eu pedi, eu sabia que ia pagar mal as pessoas e então não queria fazer igual a Uberlândia. E Eu não tinha um projeto menor... Eu estava fazendo Godot e a peça do Márcio, e fiquei sem pensar no projeto uns seis meses. Quando o Godot acabou, eu estava com o prazo estourando e, se eu não fizesse, teria que devolver o dinheiro para a secretaria. Isso ia me dar uma frustração gigantesca de não ter feito a peça na cidade onde eu moro há tantos anos ... Aí eu reli a peça e o livro e o adaptei para três atores... Chamei o Márcio Vinicius (que se revelou para mim genial), O Ando Maravilhoso e éramos eu e o Ando em cena. Depois percebemos que não dava pra ser nós dois e eu chamei o Hugo, que eu tinha visto em Guarda Roupa de Histórias e ficado impressionada com o trabalho dele... Ficamos nós três em cena. Eu e ele fazendo todos os personagens e o Ando fazendo o menino, mas eu não tenho experiência como diretora e eu estava em cena e não tinha visão da peça. Eu não atuava direito. Os dois estavam lindos e eu indo mal como atriz. Eu sabia que quando eu tinha só dirigido tinha sido o máximo. Aí a Nábia (Villela)topou.


Nanda Rovere: Você inspirou em algum diretor?
Lavínia: Eu tenho quarenta e comecei a fazer teatro aos quatorze, em Uberlândia. São anos assistindo e fazendo muita coisa. Não tem jeito de todas as minhas referências não IREM para a cena. A experiência de atriz vai na escuta, na licença do espetáculo para um ator. Eu já tive diretores de todos os jeitos, alguns que não prestaram atenção no elenco que tiveram e outros que prestaram muita atenção. De um jeito e de outro todos fizeram belos trabalhos. Só que com uns os atores interagem, com outros a interação ocorre somente com o público. Eu, como diretora, sou muito fã de ator. Tenho prazer em ver o elenco, ver a peça. Eles me surpreendem. As minhas referências me ensinaram muita coisa. Agora, como eu acabei de trabalhar com o Gabriel, já ligaram o meu trabalho ao dele e não é NADA DISSO.


Nanda Rovere: Fale sobre ERA UMA VEZ UM RIO.
Lavínia: É um rito de passagem de um menino que tem a chance de rever a sua vida na beira de um rio. Depois de muitos anos longe, ele retorna ao lugar onde viveu a infância e constata que demorou muito pra chegar. Percebe que aprendeu muita coisa sobre o rio, que ele é o milagre da vida, mas demorou muito pra voltar. O rio, que era seu grande amigo, está poluído. Os personagens passam por ele conforme ele se lembra deles. A professora é um guarda-chuva. A avó e o avô são santos. A tia Zeré é o anjo da guarda. O carrinho com o farol é o pai...

Nanda Rovere: É um tema atual, que valoriza de um jeito inteligente a natureza e clama pela preservação.
Lavínia: O livro não é romântico a ponto de a partir disso o Augusto dizer ¨ok vou salvar o meu rio¨, porque isso não é uma ação que dependa somente de uma pessoa... A peça e o livro chegam a essa conclusão e o cara tem como presente rever a própria vida.


Nanda Rovere: E a linda trilha sonora?
Lavínia: Durante os ensaios comecei a querer ter musicalidade na peça. Eu conheci com o Gabriel um monte de gente maravilhosa e chamei o Daniel Maia. Ele viu um ensaio, filmou, levou a fita pra casa e sumiu... Na véspera da estréia ele me ligou e disse que a trilha estava pronta... Ele chegou no último ensaio com uma trilha maravilhosa, composta ... No final do ensaio eu disse que havia sentido falta de uma sanfona e no dia seguinte ele chegou na hora da peça e operou o som. Percebi um som diferente, de sanfona! o Daniel Maia é simplesmente o máximo e fez uma trilha deslumbrante! Mas acabei deixando duas músicas (que não são do Daniel; a Nábia canta uns trechinhos delas em momentos distintos da peça...).


Nanda Rovere: O cenário e os figurinos são lúdicos - e lindos
Lavínia: O cenário é uma parede, uma estante de onde provém todos os personagens. Tem um carrinho e o carrinho com o farol é o pai, porque ele se lembra de uma noite em que ele estava voltando para casa com o pai, e eles param numa ponte. Ele pede para o pai apagar o farol. Quando ele apaga o farol, o menino perde o rumo e pergunta¨cadê o rio¨e o pai responde¨ele está aí, escuta¨. O pai dá a ele um presente, a noite, a percepção do lugar... Os personagens saem daquela parede e vão ganhando vida através do Hugo e da Nábia. Eles vão brincando com os personagens. Ele chega num avião de noite, vai visitar o rio e o encontra morrendo. O avô é o chapéu... Um halo de santo, uma "bandeira" de festa de reis... Assim como a avó, que também é uma santa... e o Márcio fez uma auréola pra ela de Nossa Senhora. A tia Zeré é o anjo da guarda e aí a gente deu pra ela uma carinho de anjo. A memória não é "verídica", ela se altera com o tempo... Há quase uma infidelidade da memória com os "fatos" da vida... A professora é um guarda-chuva. Quem conhece o interior sabe que numa cidade pequena sempre tem na praça uma criatura que não é de ninguém e que sempre sabe de tudo - e tem histórias pra contar. Na peça, essa criatura é o Vicentinho, uma cara de duas cabeças (ele é uma figura híbrida) que fala das assombrações. Assim os personagens passam pelo ¨Gutim¨ conforme ele se lembra deles. Ele retorna à infância e constata que demorou muito para chegar. Percebe que aprendeu muita coisa sobre rios, que a água é o milagre da vida, mas demorou muito pra voltar... O cenário é esse provedor de memória...


postado por: NANDA ROVERE 1:00 AM

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Está em cartaz no Teatro do Colégio Santa Cruz a peça infanto-juvenil Era Uma vez Um Rio, de Martha Pannunzio.

O texto é uma adaptação do livro homônimo, assinada por Lavínia Pannunzio, que também é a responsável pela direção. Vale ressaltar que Martha é mãe de Lavínia.

Lavínia Pannunzio já montou Era Uma vez Um Rio, em Uberlândia, cidade onde viveu a infância e adolescência. O projeto visava atingir uma platéia formada por estudantes de 4ª a 7ª séries do ensino fundamental e o elenco era formado por doze atores locais. O sucesso foi total e isso impulsionou a diretora a remontar o texto em São Paulo, agora com três atores em cena.

Quando fui conferir essa montagem, no Santa Cruz, tinha certeza que encontraria um trabalho de qualidade, em virtude da equipe técnica experiente.

A paixão por um rio guia a vida de Augusto, um menino que viveu a sua infância no interior. Ao se tornar adulto, ele sai de sua terra natal, mas a lembrança do rio continua viva na sua memória. Sua tristeza é imensa quando revê o rio poluído, num momento extremamente complicado de sua vida. A peça mostra o encontro do Augusto adulto com o seu passado.

O elenco é formado por atores jovens e - todos - de grande talento. O ator Ando Camargo faz o menino Augusto sem estereótipos e encanta pela singeleza da sua interpretação. Nábia Villela, além de chamar atenção pela sua voz ímpar, consegue imprimir carisma e graça à avó e à tia, também sem cair no estereótipo da terceira idade. Hugo Picchi é um avô carismático e foi uma grata descoberta, visto que nunca o tinha visto nos palcos.

O ¨ jeito de falar caipira¨ dos personagens foi um idéia interessante, pois homenageia um povo que possui uma cultura riquíssima e que, a contrário das grandes metrópoles, ainda consegue estabelecer uma relação harmoniosa com a natureza.

Tudo é bonito na encenação.

Lavínia, estreante como diretora, demonstra segurança e criatividade. Conseguiu dar à montagem dinamismo e elaborar cenas de intenso lirismo, como por exemplo, os momentos onde o menino estabelece conversas com membros da sua família, sobretudo com seus avós e sua tia.

O cenário, os figurinos, adereços e trilha sonora são primorosos e acentuam o caráter poético da montagem.

O cenário é encantador.Uma estante (espécie de relicário de recordações) ocupa toda a extensão do palco. Nela, objetos que vão ganhando vida de acordo com as lembranças de Augusto.

Os figurinos são artesanais e valorizam a beleza da arte brasileira, inspirado sobretudo na criatividade dos artesãos do nosso Brasil adentro.

A trilha original, assinada por Daniel Maia, valoriza a magia da montagem. A presença da canção Ontem ao Luar, de Catulo da Paixão Cearense completa a pertinente parte musical.

Duas cenas merecem destaque. Na primeira, Augusto está passeando de carro com o pai. Eles param em cima de uma ponte, tudo fica escuro.

Não vemos os personagens, mas sim duas luzinhas que representam os faróis do carro. Na segunda, bem no finalzinho da peça, uma lanterna percorre os objetos da estante e Augusto revê sua vida como num filme. Momentos sublimes de intensa emoção.

ERA UMA VEZ UM RIO está sendo encenado com o objetivo de despertar a consciência para o grave problema ambiental, despertando o sentimento de fidelidade e respeito, de forma coletiva.

A intenção é pertinente, pois se não for feito algo para a melhoria do nosso meio ambiente, logo não conseguiremos sobreviver.

A absurda vacilação da temperatura dos últimos tempos é um exemplo triste da falta de preservação da nossa natureza.

Pensar que nunca mais as crianças de uma cidade como São Paulo (banhada pelo Rio Tietê e Tamanduateí) poderão brincar nos rios de sua cidade é uma realidade extremamente triste.

O espetáculo é direcionado às crianças (maiores de 6 anos), mas certamente os adultos, especialmente os que nasceram em locais com natureza abundante, irão se emocionar e voltar nos tempos de infância ou juventude.

Prestigiem!


VEJAM FOTOS DOS ATORES E CENÁRIO (ERA UMA VEZ UM RIO):



postado por: NANDA ROVERE 12:56 AM

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FOTOS - ERA UMA VEZ UM RIO
TEATRO STA CRUZ



Ando em cena



Ando no cenário



Hugo, Nábia, Lell Trevisan e Ando



Cenário



Hugo, Nábia e Ando



Eu com o elenco

postado por: NANDA ROVERE 12:54 AM

Comments: Quinta-feira, Setembro 14, 2006


Fernando Muzzi lança o cd ¿Confluências¿
em noite de autógrafos na Cozinha de Minas


Com entrada franca, acontece no dia 20 de setembro, quarta-feira, a partir das 19h30, na Cozinha de Minas (Rua Gonçalves Dias, 45 ¿ Funcionários ¿ BH ¿ MG), a noite de autógrafos e coquetel de lançamento do CD ¿Confluências¿ ¿ terceiro disco do cantor, compositor e arranjador Fernando Muzzi. "Confluências" é o encontro das várias vertentes do trabalho de Fernando, experimentadas pelo artista desde o início de sua carreira musical.O repertório vai do fado ao blues, passando pelo pop, bossa nova e baladas que falam de encontros e desencontros, sempre se referindo ao lado romântico da vida. Comprometido com a criação de trilhas sonoras para teatro, Fernando (que está trabalhando com os espetáculos ¿No Baile¿ - Cine Horto ¿Pé na Rua¿ - direção ¿ Simone Ordones - BH , ¿Gota D`água¿ em Juiz de Fora, ¿Um dia fora do tempo¿ - Ballet do teatro Guairá, em Curitiba) recebe para o lançamento do dia 20 e promete realizar o aguardado show, em data próxima.



¿Após minha turnê com o show ¿Confluências¿ resolvi registrar este trabalho em CD. O disco foi gravado ¿ao vivo¿ (sem público) em 12 horas na casa de show ¿Esopo¿, em Nova Lima. Minha maior satisfação é, depois de ter gravado, não precisar refazer quase nada no estúdio. As únicas alterações foram referentes a alguns poucos ruídos causado por pedais de efeito ou detalhes em um dos arranjos, que quis mudar, ou seja, o que esta gravado é o que se ouve nos shows.¿ (Fernando Muzzi)



Gravado ao vivo (sem público), no Esopo, Nova Lima/MG, em setembro de 2005, por Murilo Corrêa, pré produção realizada no Estúdio Mantra, em maio de 2005; edição e mixagem no Lucas Studio, por Thiago Peixoto, masterização: Perón Rarez, ¿Confluências¿, tem arte gráfica de Fred Muzzi e fotos de Guto Muniz. Produção executiva e musical e direção musical de Fernando Muzzi.



O disco traz Fernando Muzzi (voz e violão de nylon), Serginho Silva (percussão), Rogério Delayon (violão de aço, viola de dez), bandolim, guitarra portuguesa e gaita ¿ além da voz no solo de ¿Você¿ e refrões de ¿Forró do Cheira Cheira¿.



No repertório: Quando o coração voa, Só assim, Estrela, Alegra-me, Tempo é prazer, Duas faces, Você, Retornai, retornei, Se o quê?, Deus-emprego e Forro do Cheira Cheira (de Fernando Muzzi) e as parcerias Estou teu (Rafael Madanêlo/ Fernando Muzzi), Depois do prazer (Murilo Antunes/ Fernando Muzzi) e Cidade (Marta Fernandes/ Fernando Muzzi).



FERNANDO MUZZI
Cantor, compositor e arranjador de Belo Horizonte/MG, Fernando Muzzi lançou, em 1993, seu primeiro disco, independente, ¿Corpos¿ (direção de Juarez Moreira). Baladas românticas, funks e sambas recheiam seu universo sonoro, cada vez mais enriquecido pela crescente experiência de direção musical, que sempre o coloca em contato com os mais variados repertórios e artistas. Desde 1991 vem se envolvendo com trilhas para teatro e cinema, pelas quais foi reconhecido e premiado, reconhecimento o qual lhe trouxe grata satisfação e ultrapassou as fronteiras de Minas quando foi indicado, por dois anos consecutivos, ao prêmio Shell (2001 - ¿Ópera do Malandro¿ e 2002 - ¿Gota D¿água). Sentindo a necessidade de ver seu trabalho registrado, lançou em agosto de 2001, o CD duplo ¿Arranjos e Trilhas¿ que registra os seus dez primeiros anos de carreira (1988 a 1998) como arranjador e compositor de trilhas. Agora a meta, ao lado da criação das trilhas sonoras é o lançamento do disco autoral que vai do fado ao blues, passando pelo funk, bossa ¿ nova, salsa e baião.



Noite de autógrafos e lançamento do CD ¿Confluências¿

de Fernando Muzzi

20 de setembro, quarta-feira, a partir das 19h30

Cozinha de Minas - Rua Gonçalves Dias, 45 ¿ Funcionários ¿ BH ¿ MG

ENTRADA FRANCA

Reservas e informações adicionais: (0xx31) 32271579



Assessoria de imprensa: Márcia Francisco ¿ (0xx31) 33345956/ (031) 9765 5956








PARA VER CURRÍCULO COMPLETO:

www.fernandomuzzi.blogger.com.br


postado por: NANDA ROVERE 4:38 PM

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postado por: NANDA ROVERE 4:35 PM

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Vale do Anhangabaú é picadeiro para
o festival de circo Palhaçaria Paulistana


O respeitável público confere apresentações com palhaços, mágicos, números com

cama elástica, malabares, trapézio, laços e chicotes, equilibristas, pirofagia, contorcionismo e acrobatas, divididos em 12 espetáculos dirigidos pelo ator Jairo Mattos em parceria com Mário Bolognesi. Um dos destaques do evento gratuito é a Palhasseata, caminhada que acontece no dia 16, sábado, às 11 horas, para a recolocação da placa que indica a rua Abelardo Pinto (nome do falecido palhaço Piolin)



Local que já foi palco para a apresentação de grandes circos, o Vale do Anhangabaú retoma o posto esquecido há mais de três décadas para receber a PALHAÇARIA PAULISTANA. Em uma lona com capacidade para 400 pessoas, o evento (realizado pela Secretária da Cultura da Cidade de São Paulo com o apoio da Cooperativa Paulista de Circo) reúne, entre os dias 13 e 17 de setembro, de quarta a domingo, em horários variados, apresentações gratuitas de 100 profissionais de circos tradicionais e de grupos mais modernos, numa união de linguagens circenses. O ator Jairo Mattos e Mário Bolognesi dirigem os espetáculos que compõem a programação. Na abertura do evento, no dia 13 de setembro, às 18 horas, estão os palhaços Fuça-Fuça, Picolino (de 83 anos) e Figurinha, além do grupo Picadeiro Aéreo e outras atrações.



A seleção dos artistas e grupos que farão parte da programação será feita somente na terça-feira (dia 5 de setembro). ¿Podemos dizer que teremos os nomes mais relevantes do circo tradicional, como artistas da Família Queirolo, Baeta, Robatini, Orfei; representantes da cena contemporânea, como Parlapatões, Oz Academia Aérea, Nosotros, Picadeiro Aéreo, Paraládosanjos, marcam presença ao lado de convidados dos Fratelli, Fractais e Roda Brasil¿, adianta Bel Toledo, presidente da Cooperativa Paulista de Circo. Entre outros destaques da programação estão o palhaço Xuxu (o último trabalhar com o famoso Piolin), o Monocirco, Mini Circo Condor, o Circo Stankovich, Circo Roda Brasil, Família Gelli, Circo Poeira, Grupo Picadeiro Aéreo e Grupo Irmãos Marinho, entre outros.



Segundo Jairo Mattos, ¿o evento é uma oportunidade para traçar um panorama do que o circo paulista anda produzindo. Além disso, o público terá a oportunidade de ver, em um único picadeiro, representantes das escolas tradicionais e contemporâneas do circo¿. Jairo, que sempre gostou das lonas e é co-fundador do grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões, conta que todos os espetáculos serão diferentes: ¿Seguiremos um roteiro mais clássico, com direito a apresentador e tudo mais que existe no circo que estamos acostumados. Mas em nenhuma das 12 apresentações teremos repetições dos números¿, promete.



Palhasseta
Fazendo parte da programação da PALHAÇARIA PAULISTANA, no dia 16 de setembro, sábado, a partir da 11 horas, artistas circenses caracterizados saem do Anhangabaú em direção à rua Abelardo Pinto (nome de um dos mais famosos palhaços brasileiros, que ficou conhecido como Piolin), próxima ao Largo Paissandú. A Palhasseata ¿ nome dado à caminhada - tem uma função: colocar de volta a placa que indica a via.



Para Bel Toledo, esse é o momento ideal para o evento: ¿O Circo esta vivendo uma fase de grande efervescência, com o aparecimento de novas trupes, o Fractais estão em cartaz no teatro Santa Cruz, Orlando Orfei está em São Bernardo, o Zanni estréia novo espetáculo em outubro e o Cirque du Soleil está com ingressos esgotados antes da estréia. Isso mostra que o público está ávido por bons espetáculos¿.



Sobre a Cooperativa Paulista de Circo
Depois do Panorama Paulista de Circo (realizado em maio de 2006), primeiro evento da Cooperativa Paulista de Circo, criada há 8 meses, a entidade já prepara para outubro o projeto Circo Circuito, no Sesc Interlagos. Iniciativa do próprio setor circense, a Cooperativa Paulista de Circo tem como principal objetivo, mais do que defender os interesses da classe, colocar o foco no artista, gerando oportunidade de trabalho por meio de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada. A função da Cooperativa Paulista de Circo é a inclusão cultural, por meio do resgate da cultura circense e formação de público, criando condições para que pessoas interessadas possam ter acesso às variadas linguagens de circo dos grupos e trupes que integram a Cooperativa.



PROGRAMAÇÃO



Dia 13 de setembro, quarta-feiras, às 18 horas

Apresentador ¿ Ari Rabelo

Espetáculo com ¿ Grupo Picadeiro Aéreo (cama elástica), palhaços Figurinha e Picolino, Rodrigo Marinho (Grupo Irmãos Marinho - malabares), Aéreo Charolaney (Grupo Netty Palácios ¿ dental, que são acrobacias usando a força dos dentes), palhaços Picolino e Fusca-Fusca, Chang (grupo The Fênix - equilíbrio de taças), palhaços da dupla Picoly e Marcelo e Sandra Milan (do Circo Nosotros - arame com trapézio).



Dia 14 de setembro, quinta-feira, às 10 horas

Apresentador ¿ Pirulitus

Espetáculo com ¿ Romiseta (magia cômica), Pedro (malabares), Palhaços Aladia e Gilson (Circo Itinerante), Anderson e Ieda (grupo Picadeiro Aéreo - monociclo), Brasil Sepuvelda (Circo Fiesta - arame), Tiago (Circo Genova - trapézio) e Palhaço Luciano Draeta (Circo Navegador).



Dia 14 de setembro, quinta-feira, às 12 horas

Apresentador ¿ Milton Fabri

Espetáculo com ¿ Trupe Oz Academia Aérea (trapézio de vôos), palhaço Carlão e trapezista Patrícia (AbaCirco), Adriana Gelli (Família Gelli - laços e chicotes), Irmãos Becker (malabares), mágico Jéferson Brito, dupla de palhaços do Chico Biruta (Circo Bandeirante) Priscila Grupo Netty Palacios (lira).



Dia 14 de setembro, quinta-feira, às 14 horas

Apresentador ¿ Robson

Espetáculo com ¿ Caio Stolai (Circo Poeira - malabares e pirofagia), palhaços Haroldo Casali, Janjão e Charles), João Batista e Anderson Jesus (Raso da Catarina ¿ acrobacia), Amanda Orfei (grupo Netty Palácios - tecido), Sérgio Gelli (Família Gelli ¿ magia), Danila Bin (acrobalance) e palhaço Teobaldo (Grupo Gran Santim).



Dia 14 de setembro, quinta-feira, às 18 horas

Apresentador ¿ Milton Fabri

Espetáculo com ¿ Grupo Picadeiro Aéreo (saltos), Grupo Zé Brasil (malabares), Alessandra Thomazzini (contorcionismo), Elaine Frere (Grupo Autojabos- trapézio), Grupo Parlapatões Patifes e Paspalhões, mágico Spectro e Jaque Cubana (Circo Roda Brasil - paradas de mão).



Dia 15 de setembro, sexta-feira, às 10 horas

Apresentador ¿ Pirulitus

Espetáculo com ¿ Bruno Gelli (Família Gelli (rola-rola), palhaços Tchutchuco e Maria Eugênia, Rodrigo Racy (monociclo), Marília (Grupo Paraládosanjos - trapézio), palhaços Florzita e Pepin e Cláudia Ortaney (malabares).



Dia 15 de setembro, sexta-feira, às 12 horas

Apresentador ¿ Netty Palacios

Espetáculo com ¿ Abertura com trapézio de vôos, palhaços MioloTolo Calado e André (Grupo MioloTolo), Homem Pássaro (Circo Stankovich), Matin e Ivan (Circo Roda Brasil - paradas).



Dia 15 de setembro, sexta-feira, às 14 horas

Apresentador ¿ Netty Palácios

Espetáculo com ¿ Escada Livre (Circo Milton Fabry), Fratelli (malabares acrobáticos), Dupla do Gachola, Regina Helena fazendo o número da Bituca no Velho Oeste, Fábio Santos de Moraes (corda indiana), Amanda (Orfei - lira) e Romina Aurich (Double lira ¿ Circo Netty Palácios), Palhaços do Reco-Reco.



Dia 15 de setembro, sexta-feira, às 18 horas

Apresentação ¿ Netty Palácios

Espetáculo com ¿ Norma Beltran (Mini Circo Condor - argola), Sandro Gelli (Família Gelli - monociclo), palhaços Condor e Condorito, Viviane Rabelo (Equipe Alegria ¿ tranca, que é malabares com os pés), mágico Rokan (Mágico dos Dedos de Ouro), Priscila Palácios (Grupo Netty Palácios ¿ lira), palhaços Xuxu e Romista e Irmãos Fratelli (pirofagia).


Dia 16 de setembro, sábado, às 11 horas

PALHASSEATA ¿ show com palhaços e bandinha

Saída - Vale do Anhangabaú, em frente à lona

Ponto final ¿ Rua Abelardo Pinto, próximo ao Largo Paissandu



Dia 16 de setembro, sábado, às 15 horas

Apresentação ¿ Juliano Robatini

Espetáculo com ¿ Bruno Edson (equilíbrio em pratos), Sandra e Marcelo Milan (Circo Nosotros - escada), palhaços Pururuca e Mingau, Lea Lopes (Oz Academia Aérea - arame esticado), Romina Aurich (bambolê), palhaço Gelatina (Circo Monocirco - ventríloquo), Júlio e Sheila (Grupo Picadeiro Aéreo - bambu).



Dia 17 de setembro, domingo, às 15 horas

Apresentação ¿ Ari

Espetáculo com ¿ Simone (Grupo Picadeiro Aéreo - corda indiana), mágico King, Wander Silva (Equipe Alegria - malabares), Irmãos Marinho (rola-rola), Sônia Beltran (Mini Circo Condor - tranca - malabares com os pés), Sandra Milan (Circo Nosotros - trapézio) e Táxi Maluco.,Manuel Astorga





PALHAÇARIA PAULISTANA ¿ Programação com 12 espetáculos circenses com direção de Jairo Mattos e Mário Bolognesi. De 13 a 17 de setembro. Horários - Quarta às 18 horas; quinta e sexta às 10, 12, 14 e 18 horas; sábado e domingo às 15 horas. Censura ¿ Livre. Ingressos Gratuitos ¿ retirar senha meia hora antes do espetáculo. Palhasseata e espetáculo ¿ Dia 16 de setembro, sábado, a partir das 11 horas ¿ Saída do Vale do Anhangabaú.



Arteplural Comunicação

FERNANDA TEIXEIRA

(11) 3885-3671/ 9948-5355

r manoel da nóbrega, 1.114

04001-003 S.P ¿ Capital

site - www.artepluralweb.com.br

email - arteplural@uol.com.br

postado por: NANDA ROVERE 2:19 AM

Comments: Domingo, Setembro 03, 2006



Abaixo uma entrevista com Gero Camilo, onde o artista fala sobre o seu ofício e demonstra ser um artista preocupado em inquietar o espectador com as suas realizações.


Nanda Rovere:Como o teatro e a literatura entraram na sua vida?
Gero Camilo:Como algo caro, que eu não tinha acesso, mas podia fingir que aquilo também podia ser feito com igual importância e imaginação no meu quintal. E de graça! Ou seja, a cultura é um objeto caro de prateleira, e isso é capaz de torná-la tão fútil e falsa, que o teu quintal será de fato o frescor do teu palco. A tua riqueza e beleza. A tua cultura nata, tua, fruto da tua reflexão, fruto da tua falta de cultura, aquela com ícones da arte burguesa brasileira a um ingresso a custo de 150,00 reais.

Nanda Rovere:Você consegue separar o artista de teatro do escritor de poesias e contos ou tudo se mistura? (Pergunto porque lembrei-me do Chico Buarque dizendo que quando ele escreve, o músico ta adormecido e vice - versa...)? E como é ver seus textos no palco?
Gero:Se mistura o que tende a misturar-se, o que determinará a quantidade de tintas, papéis ou gestos, será a obra. Eu não sou um multiartista, a mídia que é multi. O artista em mim é um só. A experiência na feitura da arte é o que sagra. A multiplicidade não é a genialidade, tão pouco o tecnicismo ou o vocacionismo profissional capitalista, que nos impõe uma profissão única, excluindo em nós o tempo do rito, essencial para arte. Ou seja, a mistura. Adoro ver meus textos encenados. E estou muito feliz que o meu livro A Macaúba da Terra, esteja sendo muito bem aproveitado na cena do teatro contemporâneo.

Nanda Rovere:Você cursou a EAD. Como foi a experiência, visto que lá você conheceu o Gustavo Machado e a Paula Cohen, seus atuais parceiros profissionais e amigos pessoais? Considera essencial na formação do ator que ele faça uma escola de teatro?
Gero:A EAD é um útero para crescer dos teus quereres d`arte. Uma grande
experiência, muito deliciosa de se viver. Intensa. Mas não é necessária ao ator, tanto quanto é ao teatro. Escola nenhuma é. O ator é livre! Por que o ator se disser que é o ar, é o ar. Se disser que é o sol, é o sol. Se disser que é verdade, é mentira... assim é o ator. E a escola será seu berço, e seus primeiros gestos, e o seu passado. Na EAD criei meus primeiros laços com São Paulo, e desde lá trago parceiros essenciais para a forma como interpreto ou escrevo meus textos. Marat
Descartes, grande amigo, foi o primeiro ator a se dedicar as minhas peças. Também da mesma turma somos, Paula Cohen e Gustavo Machado. Há de fato aí um encontro artístico e um laço de amor. Isso a passagem pela escola foi quem proporcionou.

Nanda Rovere: Como conciliar as atividades de ator, diretor, escritor (compositor, inclusive?)
Gero:Fazendo com que os amigos em volta partilhem comigo desses projetos e me ajudem a difundir a poesia e organizar a festa.
Claro que a falta de grana inviabiliza muita coisa, podia estar fazendo muito mais do que faço se tivesse dinheiro para produzir.

Nanda Rovere:Qual o seu objetivo como artista?
Gero:Inquietar, e tocar o homem do meu tempo. Beijá-lo com meu poema. Tirar sua gravata.

postado por: NANDA ROVERE 11:57 PM


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