NANDA ROVERE CULTURAL
NANDA ROVERE CULTURAL

Valorização da cultura brasileira



Comments: Domingo, Março 26, 2006



DIA 23 DE MARÇO TIVE O PRIVILÉGIO DE CONFERIR A ESTRÉIA DE UM HOMEM É UM HOMEM DO GRUPO GALPÃO EM SÃO PAULO
Que bom! Já estava com muita saudade desse povo!

Sinto-me honrada em fazer parte do círculo de amizades do Grupo e quanto mais os vejo em cena, mais os admiro. Artistas de enorme talento e dedicação total ao teatro. Sempre se encontram na sede, trabalhando e pesquisando, ou então, estão na estrada, iluminando palcos e ruas do Brasil e exterior. Por onde passam, encantam e provam que fazer teatro no Brasil é viável. Atualmente, o Galpão tem o patrocínio da Petrobras, mas para chegar a isso batalharam muito.

Para saber mais sobre o grupo:
http://www.grupogalpao.com.br/



FOTOS DA ESTRÉIA:



Que honra estar ao lado de Paulo José!!!

E agora meus queridos do Galpão:


Fernanda



Paulo André



Simone



Eduardo Moreira e Inês Peixoto. Que casal mais fofo!



Beto



Antonio Edson



Lydia



Arildo


Era tanta gente que não consegui encontrar o Rodolfo e o Júlio!!!






Aplausos calorosos da plateia e um discurso emocionado de Paulo José!



Meu amigo Lell, que adorou a peça!


E mais: cobertura da estréia do site O Fuxico e Leão Lobo:

http://www.portaldoleaolobo.com.br/agito_fotogrande.asp?cod=867

E

http://www.ofuxico.com.br/admin/smarty/templates/img_upload/AutraneJose.jpg






postado por: NANDA ROVERE 3:35 AM

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RELEASE


GRUPO GALPÃO ESTRÉIA EM SÃO PAULO "UM HOMEM
É UM HOMEM", NOVA MONTAGEM COM DIREÇÃO DE PAULO JOSÉ



Obra, inspirada em texto de Brecht, será apresentada no Sesc Consolação


A nova montagem do Galpão, "Um Homem é um Homem", uma livre adaptação da obra de Bertolt Brecht feita por Paulo José que, pela segunda vez, dirige um trabalho do grupo, estréia em São Paulo. Como pano de fundo do espetáculo, estão as ações norte-americanas e de seus aliados contra os países do oriente médio. A temporada acontece de 24 de março a 23 de abril, com sessões às quintas, sextas e aos sábados, às 21h e, aos domingos, às 19h. O patrocínio é da Petrobras.


"Enquanto houver exploração do homem pelo homem, enquanto houver miséria, injustiça social e violência do poder, Brecht será atual", afirma Paulo José.


Atualizar o texto de Brecht foi o primeiro desafio para o diretor e o grupo, que trabalham juntos pela segunda vez. Num exercício de imaginação, a trama do autor alemão é transportada para o Oriente Médio, Ásia Central, Iraque ou Afeganistão - com as tropas norte-americanas empreendendo uma guerra preventiva ¿ na visão de Paulo José, "uma expressão de Bush para justificar as recentes ocupações e a grande falácia das armas de destruição em massa de Sadam Hussein".


Neste contexto, o argumento principal do espetáculo é apresentado: a anulação do indivíduo diante dos interesses coletivos, uma perigosa operação praticada pelos países capitalistas, que se assemelha à lavagem cerebral dos regimes autoritários, conforme sustenta o diretor. "Basta ver Nascido Para Matar, de Stanley Kubrick", compara.


Por se tratar de uma adaptação livremente inspirada várias cenas ou situações não existem no texto original e outras foram inteiramente reescritas, contudo, sempre procurando preservar a essência da obra. Para Paulo José, "a versão atual permite que se coloque em cena as teorias que orientam a política externa americana de hoje, expondo os motivos reais de suas ações bélicas". Em sua concepção, isto deixa claro que não se tratam de uma calamidade inevitável ¿ assim como terremotos e outros grandes acidentes da natureza para o futuro da humanidade ¿ mas sim, "atos criminosos que podem ser denunciados, combatidos e evitados".


Teatro de Rua ¿ "Um Homem é um Homem" é a primeira comédia de Brecht e sofre influência da linguagem do teatro de rua, do circo e do cabaré. Alguns personagens têm sua forma ampliada, andando sobre pernas de pau. Uma coincidência que envolve o Grupo Galpão, que em 1982 fazia sua primeira peça - A Boa Alma de Se-Tsuan, do mesmo Brecht - também sobre pernas-de-pau.


"Vinte e três anos depois, continuamos de pé. Parece incrível! Não tenho dúvida de que Brecht, de uma forma ou de outra, sempre nos acompanhou e abençoou ao longo desses anos", diz Eduardo Moreira, integrante do Galpão. Para ele, o teatro praticado pelo Galpão sempre teve forte acento na rua. "A rua sempre nos obrigou a uma certa descompostura teatral que, pensando em Brecht, acho que era e é muito presente em seu teatro. Brecht sempre procurou desconstruir uma certa solenidade teatral e isso, associado a sua poesia, é um componente marcante da força da sua escrita", avalia.


Nas montagens do Galpão a sonorização (música orquestral, cantada, vinhetas, pontuações sonoras) é executada ao vivo, o que faz o elenco estar presente durante todo o espetáculo, como personagem ou como executante musical. Nesta montagem, foram utilizadas músicas de Paul Dessau, citações de Kurt Weill e temas de domínio público, além de Moritat, tema central da Ópera dos Três Vinténs. O maestro Ernani Maletta é o regente e autor dos arranjos e coros.


Kika Lopes assina os figurinos, que buscam o contrastes entre dois mundos, o oriente e o ocidente, que se antagonizam e, ao mesmo tempo, se complementam. Já o cenário, imaginado como um teatro itinerante e com a proposta de associar a idéia de mudança permanente, é de Alexandre Rousset e Thereza Bruzzi. Completam a ficha técnica Mona Magalhães (maquiagem), Mônica Ribeiro (preparação corporal), Alexandre Galvão e Wladimir Medeiros (iluminação).


Sinopse ¿ No Urbequistão, a capital Dagbá é tomada por cem mil soldados ocidentais, aquartelados. Quatro deles, que formam um grupo de metralhadoras, assaltam um templo e um fica preso em uma armadilha. Os outros três, para evitar conseqüências funestas, saem à procura de um quarto homem para responder à chamada da noite. Tudo isso para evitar cair nas garras do sargento Fairchild, o "Cincão Sanguinário".


Os três soldados convencem o estivador Galy Gay, um homem simples, a responder à chamada e se transformar num soldado pronto para matar. Como no dia seguinte o quarto homem não volta, Galy Gay, à custa de ameaças e chantagem, é transformado em Jeraiah Jip, nome do quarto soldado desaparecido. Todas estas ações têm a cumplicidade da Viúva Leokadia Begbick, dona da cantina que, com suas meninas, acompanha as tropas militares.


Grupo Galpão ¿ "Um Homem é Um Homem" é a 16ª montagem do Grupo Galpão em 23 anos de atividades, contabilizando em sua trajetória cerca de 1.860 apresentações e um público estimado de 900 mil espectadores, distribuídos pelas 380 cidades dos 18 países visitados.

Criado por cinco atores mineiros em 1982, o grupo estreou com "E a Noiva Não Quer Casar", uma incursão pela linguagem circense. Já no segundo espetáculo, o infantil "De Olhos Fechados", recebeu os mais importantes prêmios do teatro infantil na época.


Entre seus principais espetáculos em sua primeira década de trajetória, destaque para "A Comédia da Esposa Muda - que Falava Mais do que Pobre na Chuva", que ficou durante sete anos em cartaz, os experimentais "Triunfo de um Delírio Barroco" e "Foi por Amor", além de "Álbum de Família", de Nelson Rodrigues.


O ciclo Gabriel Vilela se inicia em 1992, com "Romeu e Julieta", eleito o melhor espetáculo pelo júri popular do Festival Nacional de Teatro de Curitiba. No mesmo ano, o Grupo realiza com enorme sucesso o FIT _ Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte. A parceria com Gabriel Villela continua em "A Rua da Amargura", que ganha 17 prêmios, incluindo Mambembe, Shell, Molière, Sharp e, novamente, o prêmio do júri popular do Festival de Curitiba.


Com os dois trabalhos o Grupo viaja em 1996 por países como Inglaterra, Alemanha, Costa Rica, Colômbia e Uruguai. Dois anos depois, amplia seu espaço físico para abrigar novas atividades com o Galpão Cine Horto, um centro de criação, pesquisa e intercâmbio cultural, voltado para a comunidade. Nesse espaço, que abriga um teatro multifuncional para 200 espectadores e uma sala de cinema, são oferecidos vários cursos e oficinas de teatro, música e dança, destinados a profissionais que desejam se reciclar e também a iniciantes.


"Partido" (1999), dirigido por Cacá Carvalho, explora o universo do escritor Ítalo Calvino. Em julho de 2000, inicia-se a parceria com a Petrobras, que investe na manutenção do Grupo e do Galpão Cine Horto. Em julho desse mesmo ano, o Galpão realiza uma bem sucedia temporada em Londres, a convite dos coordenadores do Globe Theatre, apresentando "Romeu e Julieta".


"Um Trem Chamado Desejo", com direção de Chico Pelúcio, e "O Inspetor Geral", sob a direção de Paulo José, são os espetáculos mais recentes antes de "Um Homem é Um Homem", que estreou em outubro de 2005, em Belo Horizonte. Somente nessa temporada, a nova montagem recebeu cerca de 11 mil pessoas, incluindo apresentações nas ruas de Natal (RN) e Fortaleza (CE), comprovando a grande capacidade de adaptação do novo trabalho aos mais diferentes espaços, além de conseguir uma forte empatia e comunicação com um público bem popular.

Bertolt Brecht (1898 - 1956) ¿ Nascido na Baviera Eugen Friedrich Berthold Brecht eliminou seus dois primeiros nomes quando começou a escrever, simplificando o restante para Bertolt Brecht.

Poeta, escritor, dramaturgo, diretor, ator, músico, teórico, autor de inúmeros escritos sobre teatro, foi responsável pelas mais profundas transformações nas artes cênicas do século XX. Com 20 anos escreve sua primeira peça, Baal (1918), que tem suas raízes no expressionismo alemão. Sua aproximação do teatro político de Piscator e participação no Cabaré de Karl Valentim, seu interesse pelo teatro oriental e as formas mais populares do teatro de feira, do circo, mais a adesão ao marxismo, tudo isso foi moldando o novo teatro de Brecht. Com Um Homem é um Homem, escrita entre 1924-1926, Brecht inaugura o seu Teatro Épico, uma nova forma de atuação em oposição à forma dramática do teatro - o espectador deve saber sempre que está no teatro e não espiando um pedaço de vida real graças à transparência da imaginária"quarta parede" que os separa.


No teatro de Brecht a música é tão importante quanto a palavra e o gesto. Há sempre canções comentando ou ampliando significações das cenas. Ele próprio era um músico razoável, tocava clarineta, e compôs vários temas para suas primeiras peças. O tema de Um Homem é um Homem é dele, uma canção de cabaré, orquestrada a la Stravinski, por Paul Dessau, parceiro musical das suas últimas peças. Diversamente do teatro musical tradicional onde o canto se desenvolve dentro da cena, em Brecht a função principal da música é o corte narrativo, o comentário musical que separa uma cena de outra. Seus principais colaboradores foram Kurt Weill, Hanns Eisler e Paul Dessau. O mais destacado foi Kurt Weill, autor das músicas do maior sucesso de Brecht, A Ópera dos Três Vinténs.


FICHA TÉCNICA

Elenco:

Antonio Edson (Galy Gay), Arildo de Barros (Sargento Fairchild), Beto Franco (Jesse Mahoney),

Eduardo Moreira (Uriah Shelley), Fernanda Vianna (ajudante do monge, General da Banda), Inês Peixoto (Sra. Galy Gay / Filha da viúva, Soldado), Júlio Maciel (monge, soldado), Lydia Del Picchia (General da Banda), Paulo André (Polly Baker), Rodolfo Vaz (Jeraiah Jip / Filha da viúva Begbich, soldado) e Simone Ordones (Viúva Leokadia Begbick ).

Autor: Bertolt Brecht

Direção - Paulo José // Adaptação Livre - Paulo José

Tradução do original - Fernando Peixoto

Diretora Assistente ¿ Lydia Del Picchia

Assistência de direção ¿ Eduardo Moreira

Direção Musical e Arranjos ¿ Ernani Maletta

Cenografia - Alexandre Rousset, Tereza Bruzzi e Paulo José

Figurino - Kika Lopes // Adereços ¿ Kika Lopes, Alexandre Rousset e Tereza Bruzzi

Caracterização - Mona Magalhães

Iluminação - Alexandre Galvão e Wladimir Medeiros

Preparação Corporal para Cena - Mônica Ribeiro

Técnica de Pilates ¿ Waneska Carvalho

Composição da Marcha Militar - Ernani Maletta e Fernando Muzzi

Direção de Produção - Gilma Oliveira

Produção - Grupo Galpão

Patrocínio - Petrobrás


UM HOMEM É UM HOMEM, do Grupo Galpão, com direção de Paulo José

Local: Teatro SESC Anchieta - Rua Dr. Vila Nova, 245 ¿ (11) 3234-3000 ¿ Capacidade: 320 lugares

Temporada: de 24 de março a 23 de abril

Hora: às quintas, sextas e aos sábados, às 21h; aos domingos, às 19h.

Duração: 90 minutos; Classificação etária: Livre

Preços: R$ 30,00; R$ 20,00 (usuário matriculado) e

R$ 15, 00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).


Ingressos à venda no CineSESC e demais unidades da capital.

Horários da bilheteria: De segunda a sexta-feira: De 12h30 às 21h; aos sábados: 9h às 21; aos Domingos: de 14h às 19h.

postado por: NANDA ROVERE 3:25 AM

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A minha admiração pelo Grupo

A valorização que eles dão ao nosso país e, principalmente, à sua terra natal (Minas, Belo Horizonte) contribuíram para eu perceber a importância da manutenção e preservação da riquíssima cultura brasileira.

Foi através do Gabriel que tive a oportunidade de conhecer o Grupo Galpão, um dos grupos mais geniais do teatro brasileiro.

A primeira peça do Grupo que tive oportunidade de assistir foi Romeu e Julieta (Gabriel dirigiu Romeu e Julieta - assisti 2 vezes e A Rua da Amargura ¿ 3 vezes) e toda vez que vou ao teatro ou em alguma praça prestogiá-los (Um Trem Chamado Desejo (assisti 3 vezes), Partido, me emociono não só pela qualidade das produções , mas por perceber nos atores uma grande paixão pelo ato de representar.

Passei um dia na sede do grupo assistindo ao ensaio do espetáculo Um Trem Chamado Desejo em Belo Horizonte e fiquei encantada com o profissionalismo ali reinante.

Pela manhã tiveram aula de canto com a Babaya, à tarde ensaio das cenas do espetáculo e à noite, reunião com Ernani Maleta e Fernando Muzzi que cuidavam da parte musical/instrumental do espetáculo. Sempre com muita dedicação e vontade de realizar um trabalho de qualidade.

Para saber mais sobre o grupo:

http://www.grupogalpao.com.br/


ALGUNS LINKS LEGAIS:

http://www.portaldoleaolobo.com.br/agito_fotogrande.asp?cod=867

E

http://www.ofuxico.com.br/admin/smarty/templates/img_upload/AutraneJose.jpg
FOTOS DA ESTRÉIA

www.clowns.com.br/site/diario.php?id=0&ano=2005
Como falou Barbara Heliodora, ¿O Romeu e Julieta do Grupo Galpão é DEFINITIVO¿!

www.dragaodomar.org.br/index.php?pg=galpao
http://www.dragaodomar.org.br/index.php?pg=entrevista_eduardo
A alma encantadora das ruas

¨Gostaria que o senhor indicasse alguns espetáculos que considera imperdíveis em cartaz na cidade.
Queria chamar a atenção para um espetáculo que vai chegar em São Paulo, algo muito bonito. É o novo espetáculo do Grupo Galpão, com direção do Paulo José, Um Home é um Homem, do Bertolt Brecht, é sensacional. Está novamente em cartaz O Canto de Gregório, texto de Paulo Santoro com direção do Antunes Filho. Não posso deixar de indicar, é um espetáculo muito rigoroso, muito severo, no Sesc Consolação. E indico também Jung e Eu, no Sesc Belenzinho. É uma delicadeza, de uma sensibilidade incrível, fruto da doação de um ator (Sérgio Britto) que devotou a vida ao teatro.¨

Gabriel Villela em entrevista 'a Veja SP
http://vejinha.abril.com.br/materias/conteudo_12838.shtml


COLOQUEI AQUI NO BLOG AS REPORTAGENS QUE FIZ SOBRE O GRUPO. QUEM AINDA NÃO LEU EU INDICO O TEXTOS PORQUE A TRAJETÓRIA DO GRUPO É MUITO INTERESSANTE.


postado por: NANDA ROVERE 3:15 AM

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MATÉRIAS QUE EU FIZ SOBRE O GRUPO, COM DESTAQUE PARA UMA ENTREVISTA REALIZADA EM 2000 , EM BH

O INSPETOR GERAL:

Em O Inspetor Geral o popular, beirando muitas vezes o grotesco, está presente. Personagens como ----representam de uma maneira escrachada a hipocrisia que reina em nossa sociedade no âmbito político.
Figuras importantes de uma cidade provinciana russa esperam com preocupação a vinda de um inspetor geral. A corrupção reina em todos setores do serviço público e a vinda do inspetor é um perigo contra a
Durante mais de uma hora nos divertimos com as confusões geradas por esse indesejado visitante, que, na verdade, é um impostor que se aproveita da ignorância das autoridades da cidade para se beneficiar com subornos. O problema é quando a farsa é descoberta...
O esforço de toda a equipe é nítido e merece elogios. Os atores (Eduardo Moreira, Inês Peixoto, Rodolfo Vaz, Antonio Edson, Arildo de Barros, Paulo André, Simone Ordones, entre outros) estão magníficos no palco, com destaque especial para Rodolfo Vaz ( o falso inspetor) que criou um personagem divertido.
A direção de Paulo José consegue aproveitar a grande expressividade dos atores e o bom texto de Gogol.
O cenário, formado basicamente por biombos e assinado por Paulo José, Kika Lopes e Máximo Soalheiro, contribui para a realização das cenas que acontecem em ambientes diferentes. A trilha, composta por Fernando Muzzi, os figurinos de Kika Lopes e a iluminação Alexandre Galvão e Wladimir Medeiro, também merecem destaque.
O Galpão já apresentou o espetáculo em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo. Mas como a trupe sempre está viajando pelo Brasil e exterior, certamente a temporada desse trabalho será longa.





postado por: NANDA ROVERE 3:14 AM

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Grupo Galpão iluminando os palcos brasileiros
20 anos de perseverança e espírito de cooperação
Por Nanda Rovere
O Grupo Galpão foi fundado em 1982, na cidade de Belo Horizonte/MG, após um workshop com membros do Teatro de Munique, quando alguns atores se juntaram e resolveram criar um grupo de teatro.



Cena do espetáculo "Um Trem Chamado Desejo". Foto: Divulgação


Eram jovens com vontade de criar e mostrar o seu trabalho para todas as classes sociais, através de uma linguagem simples e direta (circo, comédia, melodrama, etc). Resolveram investir num trabalho voltado para o teatro de rua, local onde certamente atingiriam os seus objetivos.
Com pouco dinheiro, mas com muita vontade de realizar projetos de qualidade, a primeira montagem do Galpão foi "E a noiva não quer casar", em 1982. Depois vieram os espetáculos "De Olhos Fechados", "Ó Pro Cê Vê na Ponta do Pé", "Arlequim Servidor de Tantos Amores", "A Comédia da Esposa Muda", "Triunfo - Um Delírio Barroco", "Foi Por Amor...", "Corra Enquanto é Tempo" e "Álbum de Família".
Foi em 1992, com "Romeu e Julieta", de Willian Shakespeare, que o Galpão conquistou definitivamente seu espaço nacional e internacional, o que proporcionou aos atores e equipe técnica tranqüilidade para a elaboração de suas montagens.
"Romeu e Julieta" foi um momento mágico da criação artística e continua a encantar platéias de todo o mundo com o seu belíssimo cenário (os atores representam sobre pernas de pau e em cima de um automóvel veraneio), músicas, figurinos, direção e interpretação dos atores.



Romeu e Julieta. Foto: Divulgação


O grupo inovou ao adaptar a tragédia de Shakespeare para o interior de Minas Gerais, numa linguagem inspirada na poesia literária de Guimarães Rosa. A partir deste momento, obteve grande visibilidade na mídia, embora já fosse sucesso no Brasil e exterior, e conseguiu o patrocínio do Credireal para o trabalho seguinte.
Em 1994, repetiu a parceria com o diretor Gabriel Villela em a "A Rua da Amargura". Neste espetáculo a via-sacra de Jesus Cristo é contada de maneira criativa e emocionante, com momentos divertidos.





Cena do espetáculo "A Rua da Amargura. Foto: Divulgação
Mais uma vez o carisma e o talento dos atores e equipe técnica conquistou grande número de admiradores no Brasil e em diversos países, o que resultou num convite para a adaptação de "A Rua da Amargura" para um especial da TV Globo que recebeu o nome de "A Paixão Segundo Ouro Preto" e foi exibido numa sexta-feira santa.
Um dos maiores destaques de "Romeu e Julieta" e "A Rua da Amargura" é a trilha sonora registrada num belíssimo CD, lançado em 1996. Para a escolha da trilha foi realizada uma pesquisa sobre músicas populares e religiosas, sobretudo mineira. Encontramos neste CD canções de inestimável valor histórico, artístico e popular como "Flor, Minha Flor", "Lua Branca", "Adeste Fidelis", "Queremos Deus", entre outras.
Em 1997, o grupo estreou mais um primoroso trabalho: "Um Molière Imaginário", baseado no texto "O Doente Imaginário" de Molière, onde é contada, de maneira divertida, a história do hipocondríaco Argan que é enganado pela sua esposa, interessada somente no seu dinheiro.



Cena do espetáculo "Um Molière Imaginário". Foto: Divulgação


A genialidade da montagem é comprovada, entre outras coisas, pela criativa idéia de colocar o próprio Molière ressuscitado narrando a história. Esse personagem, inspirado na obra "Memória Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, revê a sua trajetória como dramaturgo.
O sucesso só provou que o Galpão estava no caminho certo e possibilitou a continuação de uma trajetória profissional voltada para a pesquisa da linguagem teatral, cujo maior objetivo é oferecer ao público espetáculos de qualidade, sem deixar de levantar vôos mais altos e inovar.
No espetáculo "Partido", baseado no texto "O Homem Partido ao Meio", de Ítalo Calvino (1998), o Grupo não abandona a busca de uma linguagem popular, mas apresenta um texto mais visceral e profundo no tratamento das questões referentes às angústias e desejos dos seres humanos.



Cena do espetáculo "Partido". Fotos: Divulgação


Certamente, os momentos mais especiais da carreira do Grupo Galpão foram as suas apresentações de "Romeu e Julieta" no Shakespeare's Globe, em Londres. Com grande receptividade do público e crítica, os atores tiveram o privilégio de encenar essa montagem no mesmo lugar onde Willian Shakespeare montou muitos espetáculos no século XVI. Foi o primeiro grupo de teatro brasileiro a se apresentar no local e muitos espectadores comentaram que foi um dos espetáculos baseado em texto de Shakespeare mais interessantes já apresentados em Londres!
Assim que voltou da Inglaterra, começou os preparativos para mais um nova produção denominada "Um Trem Chamado Desejo", homenageando os atores de teatro que lutam para sobreviver diante das dificuldades que os artistas sempre encontraram para mostrar a sua arte.



Cena do espetáculo "Um Trem Chamado Desejo". Foto: Divulgação


O texto, escrito por Luís Alberto de Abreu, narra a trajetória de uma troupe mineira que se sente ameaçada com o surgimento do cinema. Uma belíssima homenagem aos artistas e a Minas Gerais.
Em 2002, dentro das comemorações dos seus 20 anos de estrada, O Galpão nos brindou com o lançamento de um catálogo de fotos e com o CD "Um Molière Imaginário/Um Trem Chamado Desejo".
Como todos os artistas, tiveram uns momentos difíceis e outros de grande sucesso. Nunca deixaram, no entanto, de amar o teatro e encarar o seu trabalho com muita dedicação. Falar sobre todos os trabalhos do Galpão é praticamente impossível diante da riqueza cênica dos mesmos. Optei por comentar mais detalhadamente os últimos espetáculos porque tive o privilégio de assisti-los.
O Grupo Galpão é um exemplo da criatividade e vitalidade do teatro brasileiro, ora se apresentando nas ruas e praças, ora nos palcos do Brasil e do mundo. Numa época em que a individualidade é cada vez mais real no nosso cotidiano, o trabalho de teatro de grupo, onde todos os seus membros opinam e ajudam no processo de criação, prova que a união e o respeito às diferentes idéias é a única maneira de contribuirmos para um mundo mais harmonioso e para a valorização de nossa cultura.
Os atores do Galpão possuem a força de vontade e o talento digno dos artistas que tratam a arte como um sacerdócio e vêem no teatro não só um meio de diversão, como também um veículo de transmissão de idéias e conhecimento.
A atuação do Grupo Galpão na área cultural não se restringe somente ao tablado. Em 1998 recuperou um antigo cinema de Belo Horizonte e o transformou no "Galpão Cine Horto", local onde são oferecidos cursos de formação e aprimoramento artístico, sessões de cinema e espetáculos teatrais.



Eduardo Moreira em frente a sede do Galpão
durante os ensaios de "Um Trem Chamado Desejo
Foto: Nanda Rovere


Minas Gerais é um Estado maravilhoso. A arte mineira reflete toda a beleza natural e arquitetônica da região; a simpatia e a criatividade da população. O Grupo Galpão é um dos maiores representantes desse povo, pois em todos os seus espetáculos estão presentes aspectos da cultura mineira; seja no modo de falar dos atores, nos textos, nos elementos cênicos ou nas músicas.
Cenários, figurinos, músicas, intérpretes e direção estão sempre em harmonia. Provavelmente, um dos maiores méritos dos espetáculos é a utilização da música, não só como pano de fundo das cenas, mas como impulsionadoras da ação dramática. Os atores cantam e tocam instrumentos no palco, o que abrilhanta ainda mais as encenações.
As trilhas sonoras de "Um Trem Chamado Desejo" e "Um Molière Imaginário", por exemplo, possuem temas e canções originais, compostas especialmente para essas montagens. A qualidade das trilhas foi reconhecida com as premiações que receberam; "Um Molière Imaginário" (cujas canções foram assinadas por Fernando Muzzi e Ernani Maletta) recebeu o SESC/SATED, em 1998 e "Um Trem Chamado Desejo" (de Tim Rescala), recebeu o Prêmio Shell, em março de 2002.
Até o final do ano o Galpão pretende apresentar "Romeu e Julieta", "A Rua da Amargura", "Um Molière Imaginário", "Partido", "Um Trem Chamado Desejo" em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro e já está em fase de produção um novo espetáculo, com direção de Paulo José.
Antonio Edson, Arildo Barros, Beto Franco, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André, Rodolfo Vaz, Simone Ordones, Teuda Bara e Wanda Fernandes - brilhando num céu de estrelas! (atores); Babaya (preparadora vocal), Ernani Maletta, Fernando Muzzi e Tim Rescala (diretores musicais e compositores), Marcelo Bones (cenógrafo e figurinista), Gabriel Villela, Cacá Carvalho, Eid Ribeiro, Paulo José (diretores), entre tantos outros profissionais que trabalham ou trabalharam nas produções do Galpão merecem parabéns!
Para conhecer mais detalhadamente esses artistas que já são parte integrante da História do Teatro Brasileiro, é só acessar www.grupogalpao.com.br. Lá os visitantes encontrarão o histórico do Grupo, loja virtual, brincadeiras, agenda, fotos e outros.
Breve Cronologia do Grupo Galpão:
¿ 1982 - "E a Noiva Não Quer Casar...": Linguagem circense e teatro de rua
¿ 1983 - "De olhos fechados": Espetáculo de palco e infantil e "Ó Pro Cê Vê na Ponta do Pé": Pesquisa da linguagem clown voltada ao teatro de rua
¿ 1985 - "Arlequim Servidor de Tantos Amores": Commedia Dell'Arte encenada no palco
¿ 1986 - "A Comédia da Esposa Muda": Novamente trabalham na rua e com Commedia Dell'Arte
¿ 1987 - Projeção nacional do Galpão
¿ 1988 - Projeção internacional
¿ 1987 - "Foi por Amor...": apresentam maior preocupação com a realidade brasileira a partir desse momento e "Triunfo - Um Delírio Barroco": Dedicam-se à dança
¿ 1988 - "Corra Enquanto é Tempo": pela primeira vez os atores tocam música ao vivo
¿ 1989 - Compram a sede no bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte
¿ 1990 - "Álbum de Família": Pela primeira vez encenam um drama
¿ 1992 - "Romeu e Julieta": estréia no adro da Igreja São Francisco de Assis em Ouro Preto/MG
¿ 1994 - "A Rua da Amargura"
¿ 1997 - "Um Molière Imaginário"
¿ 1998 - Inauguração do Galpão Cine Horto, no mês de março
¿ 1999 - Estréia "Partido" em maio, e em novembro lançam o livro: "Grupo Galpão: 15 anos de Risco e Rito", de autoria de Cacá Brandão
¿ 2000 - Apresentação de "Romeu e Julieta" em Londres e estréia de "Um Trem Chamado Desejo"
¿ 2001 - Especial "A Paixão Segundo Ouro Preto", na TV Globo
¿ 2002 - Lançamento do CD "Um Molière Imaginário/Um Trem Chamado Desejo" e do livro de fotos "Imagens de Uma História"

Matéria publicada no site Barão em Revista.


postado por: NANDA ROVERE 3:12 AM

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Uma bela união entre música e teatro
Por Nanda Rovere ¿ junho/2002.
www.entrecantos.com

O grupo de teatro Galpão, de Belo Horizonte, acabou de lançar um CD, no qual apresenta os temas musicais dos espetáculos ¿Um Molière Imaginário¿ e ¿Um Trem Chamado Desejo¿.
O lançamento do CD faz parte das comemorações do aniversário do Galpão, que está completando 20 anos de existência. Vinte anos encantando platéias de vários países de todo o mundo com seus espetáculos criativos e emocionantes, onde não existem obstáculos entre o erudito e o popular.
O Galpão inovou ao transportar a tragédia Romeu e Julieta, de Shakespeare, para o interior de Minas Gerais, numa linguagem muito próxima à de Guimarães Rosa, ao inserir trechos de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, no espetáculo ¿Um Molière Imaginário¿ (adaptação de ¿O Doente Imaginário,¿ de Molière) e nos encanta e diverte atualmente com ¿Um Trem Chamado Desejo¿, contando a trajetória de uma ¿troupe¿ de teatro mineira nos anos 30, que enfrenta dificuldades de se manter com o surgimento do cinema.
Ouvir esse CD do Galpão é relembrar cenas de grande beleza visual, criatividade e humor inteligente, com pitadas da cultura mineira nos textos, na interpretação dos atores e nas músicas.
O Galpão sempre buscou um contato direto com o público e é essencialmente um grupo de teatro de rua. O risco e a mistura de linguagens (circo, comédia, melodrama, etc) são as principais características destes artistas, que têm por objetivo emocionar os espectadores de todas as idades e classes sociais.
A utilização de músicas nos seus espetáculos é um meio para atingir esse objetivo, funcionando não só como pano de fundo das cenas, mas caracterizando os personagens e impulsionando a ação dramática.
¿Um Molière Imaginário¿/ ¿Um trem Chamado Desejo¿ é o segundo CD do Galpão (o primeiro apresentava as canções dos espetáculos ¿Romeu e Julieta e ¿A Rua da Amargura¿e foi lançado em 1996) e evidencia o apuro técnico dos atores que cantam e tocam instrumentos em cena e o sucesso da parceria com os músicos Fernando Muzzi, Ernani Maletta e a preparadora vocal Babaya.
Para os espetáculos foram compostos temas e canções originais assinadas por Fernando Muzzi e Ernani Maletta (¿Um Molière Imaginário¿) e Tim Rescala (¿Um Trem Chamado Desejo¿), as quais receberam os prêmios Sesc Sated (Um Molière) e Shell (¿Um Trem¿).
Para quem conhece o trabalho do Galpão este CD é uma ótima oportunidade para relembrar os espetáculos, e para quem não o conhece, um meio para entrar em contato com o universo mágico de um grupo que honra o teatro brasileiro; afinal, os artistas do Galpão foram os únicos atores brasileiros que tiveram o privilégio de pisar no palco do Globe Theatre em Londres, onde apresentaram o espetáculo ¿Romeu e Julieta¿ em julho de 2000!

*CD ¿Um Molière Imaginário/Um Trem Chamado Desejo¿- 2000 -. Para adquiri-lo, ligar para (31) 3463-9186.
*Cd ¿Romeu e Julieta/A Rua da Amargura¿ - 1996 - Um interessante trabalho de pesquisa sobre a música mineira popular e religiosa, realizada pelo Grupo Galpão e pelo diretor dos espetáculos, Gabriel Villela.




E NÃO DEIXEM DE OUVIR:

Um presente maravilhoso que ganhei do meu querido amigo Fernando Muzzi!

postado por: NANDA ROVERE 3:11 AM

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Entrevista com o Grupo Galpão
( Nanda Rovere)



O Grupo Galpão de teatro, pelo seu talento e profissionalismo, merece todo o respeito dentro da história do teatro brasileiro.

Em quase 20 anos de trabalho, o grupo encanta pela sua criatividade e valorização de nossa cultura interiorana, popular, sobretudo, mineira.

Em julho do ano passado, o Grupo apresentou o espetáculo Romeu e Julieta no Shakespeare's Globe em Londres e obteve grande sucesso de público e crítica.

Realizando apresentações nas ruas, nas praças e teatros de todo o Brasil e no exterior, o Galpão é, essencialmente, um grupo de teatro de rua.

Entre os espetáculos encenados podemos destacar os mais recentes: Álbum de Família (1990), Romeu e Julieta (1992), A Rua da Amargura (1994), Um Moliére Imaginário (1997), Partido
(1999) e Um Trem Chamado Desejo (2000).


Com Romeu e Julieta, dirigida por Gabriel Villela, o grupo ganhou destaque na mídia e, sem desmerecimento aos demais espetáculos, este é um momento mágico da criação artística. A química entre os atores, o diretor e a equipe técnica foi perfeita.

Os cenários, figurinos e músicas (trilha sonora) das montagens do grupo também merecem destaque.

O Galpão acabou de estrear no fim do ano passado no Galpão Cine Horto (espaço cultural administrado pelo grupo) o espetáculo Um Trem Chamado Desejo. A direção é de Chico Pelúcio, trilha sonora assinada por Tim Rescala, arranjos e direção musical de Fernando Muzzi, preparação vocal de Babaya, canto coral e assessoria musical de Ernani Maletta e cenários e figurinos de Márcio Medina.

O espetáculo é uma criação coletiva do grupo. O texto nasceu durante os ensaios, à partir de oficinas realizadas pelo grupo e foi escrito pelo dramaturgista Luis Alberto de Abreu.

Um Trem chamado Desejo é um musical que conta a história de uma companhia de teatro de Minas Gerais e as suas dificuldades em sobreviver diante do surgimento do cinema.

Na verdade, a trajetória desta companhia é parecida com a história de qualquer ator, de qualquer grupo de teatro.

Em paralelo ao ensaio do espetáculo, o Galpão filmou um curta metragem que faz parte da montagem.

A entrevista concedida por Chico Pelúcio, ator do Galpão e diretor do espetáculo Um Trem Chamado Desejo, transcorreu, entre outras coisas, sobre a trajetória do Grupo, as apresentações em Londres de Romeu e Julieta e sobre este novo espetáculo



Eu e o pessoal do Grupo - simpatia, esforço e talento


Acompanhei um dia inteiro de ensaio do grupo (cerca de 8 horas de trabalho) e fiquei impressionada com a dedicação e o amor de todos ao teatro.


ENTREVISTA COM O GRUPO GALPÃO


Clariarte: Vocês acabaram de voltar da Inglaterra. Lá foram aclamados pelo público e pela crítica no Shakespeare's Globe e no Festival de Manchester. Como foi a experiência de pisar num lugar tão importante como o Globe?

Chico Pelúcio: Foi uma experiência muito especial, que há muito tempo a gente não passava, por vários motivos: Primeiro pelo convite de estarmos apresentando Romeu e Julieta no Globe Theatre, segundo pelo resultado que foi muito bom. O público adorou e a crítica também.
A estadia lá foi, se não perfeita, quase perfeita do ponto de vista das relações e da produção. Isto é resultante, sobretudo, da época que nós estamos vivendo, pois ao mesmo tempo que estamos tendo reconhecimento internacional, nós também estamos com projetos sólidos aqui em Belo Horizonte, como o Cine Horto, projetos ligados a Belo Horizonte, a nossa comunidade. Enfim, a junção do reconhecimento internacional e dos projetos viabilizados, contribuindo para o fortalecimento do Galpão com a nossa cidade, tornou este momento muito especial.


Clariarte: Pode-se dizer que os ingleses são receptivos para com os trabalhos de artistas estrangeiros?

Chico Pelúcio: A informação que nós temos é que os ingleses não costumam assistir a espetáculos estrangeiros e quando vão assistir são resistentes, mas não foi isso o que aconteceu com a gente. Eles gostaram muito e nós ficamos muito felizes com isso.

Clariarte: De alguns anos para cá o Galpão começou a desenvolver uma organização de trabalho mais empresarial. Como isto aconteceu?

Chico Pelúcio: De alguns anos para cá, principalmente após Romeu e Julieta, nossa estrutura cresceu muito e nós fomos obrigados a tornar mais eficientes diversos setores do grupo e, como conseqüência, tivemos que contratar profissionais especializados em diversas áreas. Assim, nossa equipe vem aumentando ao longo dos anos.
Romeu e Julieta e a Rua Da Amargura foram um marco e com a inauguração do Galpão Cine Horto tivemos que ampliar mais ainda o nosso quadro de funcionários. Mesmo funcionando como uma microempresa, somos cooperativados, um grupo onde tudo é decidido de forma democrática e isso é a única saída para um grupo teatral se profissionalizar e mostrar o seu trabalho, cada vez mais, para um número maior de pessoas.


Clariarte: A profissionalização é a única saída para um grupo teatral conseguir realizar seus projetos?

Chico Pelúcio: Eu acredito que sim, pois é muito difícil para um ator fazer tudo.O objetivo básico da profissionalização de nossa produção foi dar espaço e tempo para o ator se desenvolver e exercer a sua função básica que é criar.
Desde a criação do Galpão nós sempre nos ocupamos com a produção dos nossos espetáculos e nós queremos nos liberar desta função.


Clariarte: Na sua opinião, o que manteve e mantém o grupo unido nestes 18/19 anos e qual a importância do teatro de grupo hoje?

Chico Pelúcio: Creio que seja o sentimento autoral que cada membro do Galpão tem para com a história do grupo.
Num mundo individualizado o teatro de grupo contribui para as pessoas se manterem mais unidas.
É uma forma de relacionamento profissional onde cada um tem o seu direito e o seu dever. Isto dá aos integrantes do grupo o sentimento de responsabilidade pela trajetória do Galpão.
O mundo neoliberal obriga as pessoas a pensarem individualmente. Neste sentido, é um trunfo o Galpão estar em pé até hoje.


Clariarte: Vocês concordam que cada vez mais a cultura popular interiorana está sendo valorizada e que os artistas estão voltados para produções artísticas onde a prioridade é a qualidade e não o mercado?

Chico Pelúcio: Ao contrário do que se pensava, a globalização, a Internet, não acabaram com as características regionais, pois para sobreviver no mundo globalizado, cada vez mais, o indivíduo está buscando a sua identidade para poder garantir o seu espaço.

Clariarte: Na Revista Marketing Cultural (ago/2000), você comentou que o Grupo está totalmente voltado para a valorização da cultura mineira. Isto sempre foi uma preocupação do Galpão, não foi?

Chico Pelúcio: Este lado do grupo está muito forte nestes últimos três anos. Nós estamos buscando ações que possam ter um perfil social, de ligação com a cidade. No nosso novo espetáculo, por exemplo, nós falamos da nossa cidade.
Com relação à cultura popular nós sempre estivemos ligados a ela, mas não é regra.
Partido, por exemplo, é completamente diferente das montagens de Romeu e Julieta e da Rua da Amargura que têm um caráter popular.


Clariarte: A recuperação do Cine Horto vem desta idéia de maior integração com a cidade de Belo Horizonte?

Chico Pelúcio: Sim, principalmente com o segmento artístico da nossa cidade. Temos cerca de 40 a 50 pessoas ligadas ao teatro passando pelo Cine Horto diariamente.

Clariarte: O Cacá Brandão lançou o livro " Grupo Galpão 15 Anos De Risco e Rito", contando a trajetória do Grupo. Qual a emoção de ser homenageado e como foi rever a trajetória de vocês?

Chico Pelúcio: Foi fundamental na história do grupo. Começamos a elaborar o livro quando tínhamos 15 anos de Galpão e ele ficou pronto assim que completamos 18 anos.
Nesse meio tempo, revimos a trajetória do grupo de acordo com a vivência de cada integrante, pois todas as situações escritas por Cacá Brandão foram revisitadas por todos os membros do grupo. Foi como passar a limpo a nossa história.
Ver o livro pronto foi como um filho nascendo.


Clariarte: Como foi o processo de criação do livro?

Chico Pelúcio: A idéia do livro foi do Eduardo Moreira e foi ele quem coordenou a sua elaboração.
A primeira pessoa que pesquisou a nossa trajetória foi a Roseane Trota, do Rio de Janeiro, mas a dificuldade ocasionada pela Roseane morar no Rio, acabou levando o projeto para as mãos do Cacá.


Clariarte: Para vocês, qual o papel do teatro na sociedade?

Chico Pelúcio: A função primordial é retratar, recriar e reproduzir a realidade.
O teatro não tem que apontar soluções, não precisa ter partido político ou religião, mas tem a obrigação de repensar uma realidade coletiva ou individual.
Além disso, deve proporcionar lazer e divertimento. Não precisa ser comédia, mas o teatro não poder aborrecer o espectador. Tem que dar prazer e envolver as pessoas de alguma forma.


Clariarte: O teatro está chegando até as pessoas e tem conseguido atingir estes objetivos que você acabou de falar?

Chico Pelúcio: Isto é uma questão presente desde os anos 30. Este tema sempre foi questionado pelos artistas de teatro.
Nós estamos ensaiando um espetáculo baseado nos anos 20, começo da década de 30, e em tudo o que nós pesquisamos esta questão estava presente e, hoje, ela é super atual. O teatro hoje tem uma diversidade de produções e, certamente, algum dos trabalhos nos toca.


Clariarte: ( Pensei nisto porque escuto muito na mídia a observação que as casas de espetáculos estão vazias, mas quando vou, por exemplo, ao TBC vejo o contrário).

Chico Pelúcio: O Nelson Sargento tem um samba onde ele diz: "O samba agoniza, mas não morre". No nosso espetáculo, uma hora nós falamos: " O teatro agoniza, mas não morre"

Clariarte: Vocês têm o patrocínio da Telemig e da Petrobras. Qual a importância desses apoios para o Grupo?

Chico Pelúcio: Teatro, no mundo inteiro, nunca foi um produto comercial. Ele tem que ser subsidiado, incentivado pelo poder público. Os nossos patrocínios foram viabilizados pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Sem estes patrocínios nós não sobreviveríamos. A bilheteria está muito longe de pagar o nosso custo básico, pois os projetos que temos desenvolvido são quase sempre gratuitos ou a preços
simbólicos.
É o custo que a sociedade tem para desenvolver atividades artísticas ou sociais e tanto ela quanto o poder público tem que estar presente.
Sem as leis de incentivo seria muito difícil a obtenção dos patrocínios.




Sede



Inês, Eduardo e Fernanda


Entrevista publicada no site Clariarte.


postado por: NANDA ROVERE 3:10 AM

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O Grupo Galpão no Shakespeare's Globe

O Grupo Galpão, um dos mais importantes grupos de teatro do Brasil, estará até o dia 23 de julho em Londres apresentando o espetáculo Romeu e Julieta, dirigido por Gabriel Villela, no Globe (teatro onde Shakespeare encenava suas peças teatrais) reinaugurado em 1996.
Romeu e Julieta foi apresentada em 1996 no Parque Batursea em Londres e encantou os espectadores, por isso, o Grupo foi convidado a apresentar o espetáculo no festival que comemora os 500 anos do Brasil.
Encenado na rua, inspirado na linguagem de Guimarães Rosa e de Minas, utilizando elementos da cultura popular nos figurinos, músicas e cenário (os atores representam em cima de pernas de pau numa veraneio); o espetáculo é um momento mágico da criação artística.



O Globe Theatre foi construído entre 1598 e 1599 no período do reinado de Elisabeth I.
Naquele período a tentativa de se estabelecer no país a religião Anglicana impulsionou o desenvolvimento do teatro, o qual estava inserido num pensamento de valorização da arte clássica renascentista e preocupação com a identidade nacional.
Certamente influenciado por este momento histórico, Shakespeare criou textos teatrais onde o tema central é o homem com seus problemas, grandezas e fraquezas.
Pouco se sabe sobre a vida de Shakespeare, somente que nasceu em abril de 1534 em Strattford-Upon-Avon (Inglaterra) e que em 1542 era dramaturgo conhecido em Londres onde se tornou sócio do Globe Theatre trabalhando como ator e dramaturgo com o grupo Chamberlain's Men.
Mesmo sendo palco de grandes apresentações teatrais o teatro foi demolido em 1644.
Durante aproximadamente três séculos pouco se soube sobre a existência do teatro em virtude da escassez de registros documentais de sua existência .
Em 1969 o ator americano Sam Wanamaker idealizou um projeto de reconstrução do local, mas dificultada por problemas políticos, somente à partir de 1987 a sua reconstrução (réplica do original) começou a ser realizada num local perto de onde o Globe existiu e com técnicas e alguns materiais do período elisabetano.
Baseada em pesquisas arqueológicas a reconstrução foi a cópia mais fiel possível da construção original e após quatro anos de sua inauguração é um dos pontos culturais e turísticos mais importantes da cidade de Londres.
Procurando resgatar o espírito do século XVII, as montagens realizadas no Globe costumam trabalhar só com elencos masculinos procurando ser o mais fiel possível ao estilo de representação da época de Shakespeare. As peças são encenadas com luz natural e com músicas executadas ao vivo; a bandeira do teatro é hasteada durante as apresentações. O teatro funciona praticamente ao ar livre e é aberto ao público somente de maio a setembro.
Além do espaço para apresentações teatrais, o Globe possui uma biblioteca, um centro de educação e exposição permanente sobre Shakespeare.
É a primeira vez que um grupo brasileiro se apresenta no Globe. Segundo Mark Rylance, diretor artístico do Globe, todos os anos uma companhia estrangeira é convidada a se apresentar no teatro e a escolha do Galpão se deu em virtude do grupo apresentar Shakespeare à partir de elementos da cultura brasileira, além de ter como preocupação levar o espetáculo para a rua; recuperando um aspecto importantíssimo do teatro produzido por Shakespeare que era tornar o teatro acessível à toda a população.
Não poderiam ter convidado outra montagem para melhor representar o Brasil em Londres, pois Romeu e Julieta é um espetáculo encantador que pela sua originalidade e beleza cênica emociona quem o assiste.
É uma honra para o nosso país possuir um grupo talentoso como o Grupo Galpão, que através de suas montagens contribui para a valorização e difusão de nossa riqueza cultural no Brasil e no exterior.

-Folha de São Paulo, Caderno Ilustrada, 10 de junho de 2000.Grupo mineiro de rua vai ao teatro de Shakespeare. Autor: Otávio Dias.
-Folha de São Paulo, Caderno Ilustrada, 18 de setembro de 1994 . "O Renascimento do Globe". Autor: Sérgio Malbergier.
Site: www.shakespeares-globe.org
Site: culturabrasil.art.br/galpão




postado por: NANDA ROVERE 3:09 AM

Comments: Quinta-feira, Março 16, 2006



HELOISA CINTRA
Atriz, diretora, professora e jornalista

Helô Cintra é uma atriz que tem uma trajetória privilegiada, pois participa de um grupo muito bem conceituado: a Cia. Elevador de Teatro Panorâmico
Em cinco anos de atividades, a Cia conquistou público e crítica, chegando a ser uma grande sensação no Festival de Curitiba.
Ano passado, finalizou uma temporada de sucesso do espetáculo Amor de Improviso.
A Cia busca um contato como público via uma linguagem contemporânea. Os trabalhos não são acabados. Estão em mudança de acordo com a interação ocorrida com o espectador.
Helô é formada pelo Teatro-Escola Célia Helena. Além de atuar na Cia, a atriz participou de Só (mais) um instante, peça da jornalista e autora Marta Góes (Teatro Faap). Fez assistência de direção para os seguintes espetáculos: ¿Amídalas¿ e ¿Marias do Brasil¿, infanto-juvenis, de Marília Toledo e Rodrigo Castilho, dirigidos por Kleber Montanheiro e com música original de Chico César ¿ 2002 e 2003, e ¿Misery¿, Baseado em livro de Stephen King, dirigido pelo espanhol Ricard Reguant ¿ 2005. Ministra aulas de teatro no colégio ¿Cidade São Paulo¿.
No cinema participou do curta 21 A, ao lado de Ary França e Etty Fraser.
Helô também é jornalista formada pela PUC ¿SP em 2001, atuando como
assessora de imprensa.
Apesar de não encontrar sempre com a Helô tenho por ela um imenso carinho (carismática e simpática demais!) e estou muito contente em saber que dia 5 de abril estreará, em São Paulo, mais uma peça da Cia Elevador de Teatro Panorâmico ¿ PEÇA DE ELEVADOR - e eu estarei presente. Muita merda pra Helô, pro Dani Maia (assina a trilha do espetáculo e pra todos os atores), e pro Marcelo Lazzaratto, diretor.


Parabéns a Cia pelos 5 anos e por ter Helô nos seus espetáculos:
¿Amor de Improviso¿, compilação de textos ¿ 2004 a 2005. Viga Espaço Cênico. ¿A Hora em Que Não Sabíamos Nada Uns Dos Outros¿, de Peter Handke - 2002 e 2003. Praça interna do Instituto Goethe.¿A Ilha Desconhecida¿ uma adaptação do conto homônimo de José Saramago, "O Conto da Ilha Desconhecida". Estreou em 2001 a 2005 - (Sesc Vila Mariana, Sesc Consolação, TBC e Teatro Sérgio Cardoso).¿Uma Peça Por Outra¿, de Jean Tardieu - 2000 - Centro Cultural São Paulo.


UM TEXTO INTERESSANTE:

¨¨TEATRO
Saramago para crianças
Fotos: Max G Pinto

O conto Ilha desconhecida, do Nobel de Literatura José Saramago, ganhou uma primorosa e bela adaptação para o teatro, dirigida ao público infantil. A montagem é do grupo paulista Elevador de Teatro Panorâmico. Anda batendo recorde de público no Teatro Brasileiro de Comédia. O projeto de adaptar um texto adulto para o universo infantil rompe com fórmulas de dramaturgia que o grupo considera desgastadas porque ¿subestimam a inteligência da criança¿. Segundo o diretor Marcelo Lazzaratto, ¿não se trata de uma versão fácil, cheia de músicas e diálogos bobos¿. O elenco é formado por 16 jovens atores revelados pelo Teatro-Escola Célia Helena. ¿Queremos estimular a inteligência e a sensibilidade das crianças e apresentá-las a um dos maiores autores da atualidade¿, diz a atriz Heloísa Cintra (segunda à dir.), 23 anos, uma das revelações da nova geração do teatro.¨www.terra.com.br/istoe/1660/1660semana2.htm





PEÇA DE ELEVADOR de Cássio Pires, direção Marcelo Lazzaratto ¿ em cartaz de abril a Junho de 2006 no CCBB São Paulo


postado por: NANDA ROVERE 1:40 PM

Comments: Sexta-feira, Março 10, 2006


Sábado, dia 4 de março, foi um dia delicioso e teatral. Eu e meu querido amigo Lell Trevisan assistimos a 3 espetáculos!!!!!! De manhã Teresinha e Gabriela - uma na rua e a outra na janela, 'a tarde Vamos? de Mário Viana e 'a noite, A Entrevista

O fim de semana passado foi teatral! Sexta conferi A Noite Antes da Floresta, sábado as peças citadas acima e domingo Essa Nossa Juventude.

Abaixo vocês poderão ler a minha opinião sobre esses espetáculo (só não escrevi sobre Vamos? )

Adicionei os textos para publicação no www.spiner.com.br

AS MATÉRIAS ESTÃO POR ORDEM DOS ESPETÁCULOS A QUE ASSISTI


E UM RECADINHO DO LELL TREVISAN SOBRE O SEU MARAVILHOSO BLOG (PASSEM POR LÁ, POIS CERTAMENTE IRÃO GOSTAR MUITO!)

¨Ola queridos amigos... estou aqui mais uma vez para convida-los a entrar no meu blog cultural... acabo de publicar o texto ¿TEATRO Em Cena¿ falando da importancia do teatro em nossas vidas e sobre três espetáculos que assisti no dia 04! Entrem e leiam minha visão sobre estes lindos trabalhos e sobre a reestréia da peça ¿A Entrevista¿ com Ligia Cortez e entrevista com a atriz Rachel Ripani!

no lelltrevisan.blogspot

Lell Trevisan¨

postado por: NANDA ROVERE 3:50 AM

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Titulo: A Noite Antes da Floresta

Texto de Chamada :A Noite Antes da Floresta é o 98º espetáculo do diretor Francisco Medeiros e tem o experiente ator Otávio Martins como intérprete.

Quando resolvi prestigiar o espetáculo A Noite Antes da Floresta esperava encontrar um texto interessante e complexo. E foi exatamente isso que vi no palco.

Um homem vaga pela noite e conversa com um outro homem (que não aparece em cena). Ele está todo molhado, procura abrigo num quarto de hotel e, sobretudo, alguém que lhe dê atenção.

A solidão o acompanha. Ele já trabalhou, foi ligado a sindicatos, mas resolveu abandonar tudo. Cansou de ser explorado pelos patrões, cansou de ser inferiorizado por ser estrangeiro; nem comer mais ele come.

Já conhecia Otávio Martins. Assisti a vários trabalhos desse ator, mas a sua entrega em A Noite Antes da Floresta é especialmente tocante.

Para a criação do personagem, raspou a cabeça e emagreceu nove quilos. Foi uma louvável idéia, pois o seu físico contribuiu para dar uma força dramática impressionante ao texto.

É uma encenação perturbadora, interpretada com força pelo ator Otávio Martins.

Os espetáculos em cartaz nos Satyros têm geralmente o objetivo comum de impulsionar a reflexão.

O texto, de Bernard-Marie Koltès, é, em alguns momentos, repetitivo nas frases e palavras, certamente para dar mais vazão à condição sub-humana do personagem e ao seu desespero por estabelecer contatos com outras pessoas.

A arquitetura do lugar está perfeita para a peça. O cenário de Maria Duda (um chão rachado) integrou-se perfeitamente ao espaço. Vale ressaltar que nos Satyros o público fica bem próximo do ator e não há cadeiras e sim arquibancadas ou bancos, dependendo do espetáculo em cartaz. Assim, a energia trocada entre público e artista é grande.

A luz é desenhada pelo competente Domingos Quintiliano e evidencia a sobriedade das ruas das grandes cidades. O mesmo acontece com a trilha de Aline Meyer e com o figurino de Elena Toscano.

A direção de Francisco Medeiros privilegia a força dramática de Otávio Martins e é merecedora de uma menção especial: é o 98º espetáculo do diretor. A trajetória de Francisco Medeiros é uma prova da possibilidade de se fazer teatro mesmo com todas as dificuldades encontradas para se produzir arte no Brasil.

Vale a pena conferir!

Abaixo, uma pequena entrevista com Otávio Martins, certamente conhecido por suas inúmeras aparições na TV em comerciais (trabalhos que lhe proporcionaram o dinheiro para investir em A Noite Antes da Floresta)

Nanda Rovere: A ausência física do outro personagem é sugestão presente no texto ou foi uma opção do Francisco Medeiros?
Otávio Martins: Eu diria que é uma ausência presente. No texto, a figura do interlocutor está lá, o tempo todo, e pode-se lê-lo de várias formas: como um duplo do personagem, como uma alucinação ou como um personagem real, que não pode ser visto. Koltès trabalha o tempo todo com essa abertura, deixando ao artista que trabalha a sua obra a possibilidade de optar em que acredita. Pra nós, é um interlocutor real, mas aberto, ambíguo, para que essa mesma liberdade que nos é dada pelo autor possa vibrar no espectador, tornando-o ativo na elaboração de imagens e idéias. Se alguém quiser ver essa peça pra "relaxar e descansar a mente", não vai conseguir: é um texto que exige de quem vê um fluxo de raciocínio paralelo ao do ator.

NR:Como surgiu a idéia, a necessidade, de emagrecer nove kg e de raspar a cabeça?Li que o trabalho corporal foi intenso. Deve ter sido instigante e ao mesmo tempo muito cansativo o processo de criação do espetáculo...
Otávio: Não houve, em momento algum, a imposição ou planejamento de emagrecer e raspar o cabelo, até porque isso seria um movimento de fora pra dentro, diametralmente oposto ao que um a obra como essa exige (de dentro pra fora). O que ocorreu foi a escolha de uma abordagem sensorial do texto, conduzida através do trabalho corporal, com ênfase na ioga e no kempô. Um trabalho exaustivo, que provoca torsões em todo o corpo, que trabalha o tempo inteiro com as oposições da coluna, e que inevitavelmente te faz perder peso e ganhar massa muscular. O cabelo raspado veio de uma necessidade de desconstrução do homem comum, de uma identificação de um homem estrangeiro à primeira vista. Se estivéssemos na França, possivelmente um cara de 1.90m, branquelo e careca não chamasse a atenção, mas no nosso continente, principalmente em nosso país, isso me torna uma exceção.

NR:O que mais te encantou no texto (li que vc carregou anos a vontade de encenar o texto)?
Otávio: Não existe uma coisa específica: a dramaturgia não-linear e absolutamente inovadora de Koltès, a dificuldade de encontrar a organicidade tão necessária pra cada palavra, o tema da intolerância, que atravessa o texto o tempo todo, a poesia que brota em cada vírgula. Não dá pra gente ler um texto desses e ficar impassível: ou a gente se apaixona e decide fazer, se sujeitando a não conseguir realizá-lo,ou a gente abandona, lamentando sua impossibilidade. Não exclusividade nossa, nem do Koltès, pois na prática é o que acontece com todo artista quando se depara com uma grande obra.

NR:Esse texto é interessante e complexo. Como o público tem recebido a montagem? Como vcs lidam com as críticas?
Otávio: O texto é interessante justamente por ser complexo, seja no contexto, seja no conteúdo, seja na forma. A maestria das palavras de Koltès está justamente em focar no conteúdo das palavras, na projeção das imagens, na reverberação que cada frase tem no ator e no espectador. O público tem recebido muito bem a montagem, alguns poucos ficam incomodados com a falta de linearidade (ou a inexistência da chamada "boa carpintaria dramatúrgica", com começo, meio e fim bem delineados), mas a grande maioria embarca na viagem de forma muito bonita. É difícil que alguém vá ver um espetáculo destes sem estar embuído de um espírito crítico em relação à arte e à vida que nos abrange. Quanto às críticas, ouvimos atentamente todas elas, sejam as positivas, sejam as negativas - todas as opiniões são importantes, é preciso saber como aquilo que fazemos chega nas pessoas. Isso não significa necessariamente que alteraremos a peça em função das opiniões (até porque, em primeira instância, o que mostramos é a nossa opinião), mas conhecer como isso chega no espectador é importantíssimo.

NR:Quais os seus objetivos como artistas?
Otávio: O meu é muito claro: quero autonomia para poder concretizar no palco aquilo que acredito como artista, sem ter que depender dos outros. Isso significa trazer ao público obras que não tenham somente um caráter comercial, peças que vão além das aparências, sejam dramas ou comédias. Aliás, é impressionante como as comédias são desvalorizadas, tratadas pela mídia como algo inferior ao drama! É preciso que se saiba, antes de mais nada, que a comédia é um ato de inteligência de quem vê e de quem faz, e que o fato de atrair mais pessoas não as torna necessariamente "comerciais" ou "fáceis". Pegue uma comédia do Mário Viana, por exemplo, que é um autor sensacional, um dos maiores nomes da nossa dramturgia hoje: por trás de falas absolutamente banais, existe todo um universo "negativo", obscuro, que faz rir a partir das dores cotidianas ou das aspirações e frustrações mais elevadas. Como chamar um texto com essa riqueza de "fácil" ou "comercial"?

NR: Projetos.
Otávio: Temos um projeto em comum, eu e Chico, que é a Trilogia da Família, três peças que tratam de forma contundente as relações familiares, com pontos de vista completamente diferentes: uma brasileira, uma americana e uma européia. Ainda estamos negociando os direitos autorais, então não dá pra falar os nomes, mas a idéia é montar as três peças ao mesmo tempo, de terça a domingo. Isso é um projeto para 2007. Antes disso, quero ver montado a comédia "Vamos?", do Mário Viana, um dos textos cômicos mais impressionantes que eu já li, que discute o sexo, suas vertentes e suas consequências de uma forma como ninguém discutiu.

NR:O personagem era ligado a sindicato... O autor esteve na América Latina. Como foi a relação dele na Nicarágua (país citado na peça), ele esteve no país durante a guerra?
Otávio: O que sabemos da biografia de Koltès é que ele esteve na Nicarágua e em outros países da América Latina (o Brasil, inclusive; reza a história que teria visitado Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, e que só gostou de Sampa, principalmente da região Augusta/centro, onde ficam os puteiros, os traficantes e os fliperamas). Quando ele fala da Nicarágua, ele exemplifica através deste país a condição de outros países de terceiro mundo governados por ditaduras e/ou condições restritas de sobrevivência por conta de seus governantes. Acho que o mais interessante, neste sentido, é perceber como ele via os "de cima" como pessoas que, se antes eram invisíveis e inalcançáveis, hoje estão disfarçadas de pessoas "de bem", que contaminam o cidadão comum, como um vírus de conformidade e estagnação. Esse é um texto de 1977, mas poderia muito bem ter sido escrito em 2005, em plena crise de mensalão e de desilusão de um presidente que se tinha como imaculado, em plena convulsão social dos imigrantes da França, em pleno período de extermínio dos cidadãos iraquianos. Leia Koltès, assista Lars von Trier, encante-se com Pina Bausch: o futuro da arte está ali.


Serviço:
A Noite Antes da Floresta
Até 8 de abril - sextas-feiras e sábados às 21h30.
Espaço dos Satyros
Praça Roosevelt, 214 ¿ Centro. Telefone (11) 3258-6345.
R$ 20,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha) e R$ 5,00 (classe teatral). Aceita reserva por telefone.


VISITEM http://www.anoiteantesdafloresta.com.br/


Nanda Rovere






postado por: NANDA ROVERE 3:44 AM

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Título: Teresinha e Gabriela - uma na rua e a outra na janela

Chamada do Texto: A platéia é levada a refletir sobre amizade e respeito às diferenças de maneira divertida e inteligente.


Acabou de entrar em cartaz no Sesc Anchieta mais um interessante espetáculo infantil denominado Teresinha e Gabriela -Uma na Rua e a Outra na Janela.

Depois de se apresentar nos CÉUS em 2005, ele agora ocupa o horário das 11 horas da manhã do Sesc.

Neste mesmo horário foi apresentado Assembléia dos Bichos, da Bendita Trupe, que continua em cartaz em São Paulo e se constitui num grande sucesso de público e crítica.

Teresinha e Gabriela é a segunda montagem da Cia Teatro das Epifanias a que assisto.

Em 2003 conferi Aí Meu Deus, Me Dá um Trocadinho Aí, na 2º Mostra Rio- São Paulo de Teatro de Rua de Paraty.

A Cia é um grupo relativamente novo, que cresceu bastante nesse trabalho. Conseguir o apoio do Sesc demonstra a qualidade desses artistas.

O grupo surgiu em 1998, em São Paulo, e encenou os espetáculos Ecos da Folia, Forrobodó com a Nega e Aí Meu Deus, Me Dá um Trocadinho Aí (Prêmio Edital FIT-BH/2002). Pesquisa desde 2000 a Linguagem da Performance, apresentando Na Cinza das Horas (Prêmio I Festival Nacional de Performance/2001), o Corpo-Instalação Misericórdia e o espetáculo midiático ¿Yo soy o que a água me deu (Frida), a convite do I Extrema Mostra Teatro.

A encenação começa um pouco lenta, mas aos poucos vai ganhando ritmo.
Talvez porque assisti na estréia, pois os atores têm talento para se aprimorarem cada vez mais durante a temporada.

O texto de Ruth Rocha, adaptado para o teatro por Evill Rebouças, fala das vizinhas Teresinha (Yael Pecarovith) e Gabriela (Lilih Curi), que mesmo sem nunca terem se encontrado, detestavam-se.

O saco de um contador de histórias (Marcelo Galdino) é preenchido com quadrados coloridos pelas crianças e aos poucos ele nos vai apresentando Teresinha e Gabriela, com a ajuda de músicas (que dão dinamismo às cenas) e bonecos.

Cenários, figurinos, luz e trilha sonora contribuem para a ludicidade do espetáculo.

As residências das meninas lembram casinhas de bonecas (a de Teresinha é toda cor-de-rosa, e a de Gabriela é verde). Elas giram em alguns momentos com a ajuda dos atores e ora nos ambientam nos quartos, ora na rua.

O figurino é bastante interessante.Teresinha usa tudo cor-de-rosa e Gabriela abusa do colorido.Uma se veste como boneca e é toda delicada, a outra é uma moleca, veste-se como um menino e adora jogar bola e pular corda.

Um dos destaques da montagem é o uso dos bonecos (confeccionados com muita criatividade por Sérgio Esteves), representando os pais das meninas, a Lua, o Sol, o Gato, o Cachorro, etc.

Gabriela e Teresinha não se entendem, chegando ao absurdo de uma querer ser a outra (momento especial da montagem). Depois começam a perceber que uma pode completar a outra e estabelecem uma bonita amizade.

Num mundo onde imperam a falta de respeito ao próximo e às diferenças, produções que tratam as crianças como seres humanos capazes de refletirem e formarem as suas próprias opiniões são sempre bem-vindas.


Ficha Técnica:
Do original de Ruth Rocha
Dramaturgia: Evill Rebouças
Direção Artística: Wilma de Souza
Letras, Músicas & Direção Musical: Gilda Vandenbrande
Cenografia: Tché Araújo
Figurinos: Lilih Curi e Wagner de Miranda
Iluminação: Wilma de Souza


Serviço:
Até 29 de abril - sábados às 11 horas
e 21 de abril (feriado) - sexta às 11 horas
Teatro SESC Anchieta - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Centro - SP.
Grátis - Retirada de senha com 1 h de antecedência na bilheteria.
Informações: (11) - 3234 3000


Nanda Rovere




postado por: NANDA ROVERE 3:41 AM

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Título: A Entrevista

Texto de Chamada: A Atriz Lígia Cortez está ótima em cena.


Sábado, 5 de março, fui conferir a reestréia de A Entrevista, com a participação de Lígia Cortez e Marcelo Lazzaratto (que atua e assina a direção), e apreciei bastante.

Lívia, uma conceituada escritora, concede uma entrevista para um programa de TV. O que a princípio seria uma simples conversa sobre literatura, acaba se transformando num espaço para um acerto de contas particular, na medida em que o entrevistador é o seu ex-marido. Não é explicito que um dos fortes motivos para a crise criativa pela qual a escritora passa é a sua separação, mas no decorrer da encenação isso é sugerido sutilmente.

Assim, vida profissional e particular se entrecruzam num jogo de palavras instigante e filosófico sobre a vida, sobre as relações humanas, discussão sobre o ato criativo, o limite tênue entre jornalismo e invasão na vida particular das pessoas, etc.

Todos os elementos cênicos estão em harmonia e servem somente como apoio para o desenrolar das cenas, pois o centro da encenação está no ator.

O cenário de Ulisses Cohn, por exemplo, é composto apenas por uma mesa, uma cadeira e um tapete vermelho. A luz ilumina Lívia durante a gravação do programa e nos intervalos ela se torna mais branda.

O maior recurso da montagem é a força do diálogo estabelecido pelos personagens. Neste sentido, a direção de Marcelo Lazzaratto realça a riqueza do texto de Samir Yazbek.

O que mais impressiona é a qualidade da interpretação de Lígia Cortez. Segurar um espetáculo sentada praticamente todo o tempo certamente não é fácil. A atriz, no entanto, está deslumbrante no palco, seu olhar penetrante e expressividade transmitem toda a perturbação, desânimo e ânsia de voltar a escrever da personagem.

Marcelo, que apesar de até no final da apresentação não ser visto pela platéia (escutamos a sua voz ), estabelece um instigante diálogo com Lívia.

Tanto Lígia Cortez quanto Marcelo Lazzaratto são artistas de importância nas artes cênicas. São diretores e atores de prestígio, bem como professores de respeito. Lígia é diretora artística do Teatro Escola Célia Helena (excelência no ensino de teatro em São Paulo) e Marcelo dá aulas na Unicamp, no Célia Helena e dirige a competente Cia Elevador de Teatro Panorâmico.

A consagração da montagem veio com a indicação ao Prêmio Shell de melhor atriz de 2005 e com a futura publicação da peça (em abril de 2006, junto com outros dois textos do autor - O Fingidor e A Terra Prometida), pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

A Entrevista é um exemplo de como uma manifestação artística pode entreter e impulsionar a reflexão ao mesmo tempo. Certamente o assunto abordado é um prato cheio para jornalistas, artistas e psicólogos e para todos que procuram no teatro algo mais do que entretenimento.
Depois de temporadas em Santo André (onde estreou ¨oficialmente¨ em setembro de 2004), São Paulo, Araraquara, Rio de Janeiro, Brasília e a
presença nos Festivais de Teatro de Blumenau e Porto Alegre, a montagem fica até 26 de março no Teatro Tuca/SP e no dia 11 de abril será apresentada na cidade de Campinas/SP.


Serviço:
Sábados às 21h e Domingos às 19h
Teatro TUCA
Rua Monte Alegre, 1024 - Perdizes
Tel: 11 3670-8453
www.teatrotuca.com.br

Apresentação em Campinas:
Espaço Cultural CPFL
Dia 11 de abrirl às 20:00h
Rod. Campinas Mogi-Mirim, Km 2,5
Rua Jorge Figueiredo Côrrea, 1632 - Portaria IV
Chácara Primavera
Telefone (19) 3756-8000
Os ingressos (GRATUITOS) são distribuídos uma hora antes, mas é aconselhável chegar um pouco mais cedo.


Nanda Rovere




postado por: NANDA ROVERE 3:40 AM

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Titulo: Essa Nossa Juventude

Texto de Chamada: O ator Paulo Vilhena surpreende em Essa Nossa Juventude.

A vida teatral paulistana em 2006 começou muito bem. Desde janeiro ocorreram várias estréias e reestréias, sendo um dos maiores destaques o espetáculo Essa Nossa Juventude.

A estréia foi em novembro do ano passado e desde então Essa Nossa Juventude tem agradado público e crítica. A montagem foi agraciada com indicações ao Prêmio Shell de Teatro.

A produção, é interessante salientar, é assinada pela atriz Maria Luísa Mendonça e pela dramaturgista Christiane Riera (que recentemente fez consultoria para o roteiro O Jardineiro Fiel, filme de Fernando Meirelles). Ambas são estreantes nesse ofício e conseguiram reunir uma equipe de talento.

Os atores estão excelentes. Gustavo Machado (Dennis) tem uma significativa experiência nos palcos e isso é perceptível na sua interpretação. Gustavo concorre ao prêmio Shell de melhor ator. Paulo Vilhena (Warren), conhecido pelos seus trabalhos na TV, está bem em cena e deveria se dedicar mais ao palco, pois o aprimoramento na atuação virá com o tempo. Só precisa trabalhar mais a dicção. Silvia Lourenço (Jéssica), uma grata revelação no filme Contra Todos e que já trabalhou com Antunes Filho, completa o trio de personagens e também merece elogios.

A direção é de Laís Bodanzky, cineasta que impressionou com o impactante O Bicho de 7 Cabeças. Antes de se dedicar ao cinema, ela estudou com Antunes Filho e certamente essa oportunidade ímpar a ajudou na encenação e a estabelecer um estilo próprio.

Em entrevistas concedidas para jornais e revistas, Laís disse ter criado o espetáculo como se estivesse num set de filmagens, e o resultado é teatro, não cinema. Em sua primeira incursão no teatro como diretora, demonstrou ter um futuro promissor no ofício.

Cássio Amarante e Marcelo Larrea (artistas também advindos do cinema) assinam o cenário, que concorre ao Prêmio Shell.

No palco foi concebido um apartamento com impressionante riqueza de detalhes: o quarto de Dennis, com uma TV, a sala, a cozinha americana e um elevador privativo, usado em diversos momentos pelos personagens.

Embora a história se passe em Nova Iorque (o autor é o norte-americano Kenneth Lonergan ¿ dramaturgo que também é ligado ao mundo cinematográfico), a identificação com o texto é muito grande. Mesmo quem nunca usou drogas e não teve as mesmas angústias dos personagens da peça, certamente viveu momentos difíceis na adolescência.
Warren, um adolescente inseguro, é expulso de casa e procura abrigo na casa de Denis (seu ídolo e grande amigo). Ele está desesperado porque roubou dinheiro do seu pai e não sabe como agir.

Dennis é traficante de drogas e por possuir muitos contatos, tenta ajudar o amigo a recuperar uma parte de dinheiro, gasto numa noite de amor com a garota Jéssica.

Acompanhar a história de Warren, Jéssica e Denis é mergulhar nas inseguranças, paixões e sonhos de adolescentes que dependem dos pais para viver, mas desejam trilhar os seus próprios caminhos.

Chamou a atenção a coleção de Warren de objetos antigos, entre eles um chapéu que pertenceu ao seu avô (usado pelos aviadores na I Guerra Mundial) e uma torradeira antiga. Num certo momento, ele precisa vendê-los e isso o deixa transtornado, sente como se estivesse perdendo parte de sua vida, o elo de ligação com o seu passado e com a sua família.

Alguns momentos merecem destaque:

A cena em que Warren dança e beija Jéssica, ao som de Frank Zappa foi muito bem concebida. Talvez tenha faltado mais iluminação nos atores, visto que estar ao lado da ¨descolada¨ e charmosa menina é de extrema importância para Warren.

Outro momento especial é o desespero de Dennis diante da morte de um conhecido, por overdose. A vulnerabilidade do homem diante das drogas é tratada de maneira tocante nessa cena.

Para finalizar, cito o quando Warren diz a Dennis que o admira muito. Dennis, até então, trata o amigo com certo despeito e essa revelação o deixa muito emocionado.

O espetáculo dura cerca de uma hora e quarenta minutos e não cansa devido à qualidade do texto, do talento dos atores e da equipe técnica.

Não percam!


Serviço:
Teatro Fecomércio
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 ¿ Bela Vista.
Telefone: 011 3188-4141
Texto de Kenneth Lonergan.
Direção - Laís Bodansky.
Iluminação ¿ Alessandra Domingues.
Tradução e produção - Christiane Riera e Maria Luísa Mendonça.
Colaboração - Bráulio Mantovani. Direção de Produção - Morente Forte. Temporada - até 30 de abril.


Nanda Rovere




postado por: NANDA ROVERE 3:39 AM

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postado por: NANDA ROVERE 5:56 PM

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FORTUNA FAZ SHOW DE LANÇAMENTO DE
SEU CD NOVO MUNDO NO SESC SANTANA


Com repertório baseado em canções brasileiras de influências

ibéricas e judaicas, a cantora Fortuna apresenta nos dias 16 e 17 de

março o show da turnê de lançamento do sétimo CD com canções de Pixinguinha,Jacob do Bandolim, Capiba e Benedito Lacerda, além de duas composições de sua autoria. O show conta com oito adolescentes dançarinos e cantores





A cantora Fortuna apresenta no SESC SANTANA, nos dias 16 e 17 de março às 21 horas, show da turnê de lançamento de seu sétimo CD Novo Mundo. A paulista promete mostrar à platéia canções brasileiras de influências judaica e ibérica. O show conta com um coro masculino e uma apresentação de dança realizada por jovens de várias regiões de São Paulo.



Acompanhada dos músicos Jardel Caetano (violão), César Assolant (guitarra flamenca), Beto Angerosa (percussão), Daniel Cornejo (clarinete), Simplicio Soares (violino) e Lula Alencar (acordeon), Fortuna apresenta um total de 20 canções de músicos brasileiros e judaicos, além de duas de sua própria autoria presentes no álbum Novo Mundo.



Para o CD e o show, Fortuna garimpou algumas músicas entre os compositores e instrumentistas brasileiros como Jacob do Bandolim, Sinhô, Capiba, Pixinguinha e Benedito Lacerda. Entre as canções que a platéia vai conferir estão Quinto Império (de Antônio Nóbrega e Wilson Freire), Santa Morena (Jacob do Bandolim), Buruncutum (Sinhô), Ai Se Eu Tivesse (Capiba), Naquele Tempo (Pixinguinha e Benedito Lacerda), Siman e Shemá (Fortuna).



O repertório das canções apresentadas na turnê, que já passou pela periferia de São Paulo, Manaus e pelo Teatro Municipal de São Paulo e do Rio de Janeiro, revela a tendência world music (música do mundo), gênero despertado na cantora na época em que esteve em Paris. Fortuna promete um show regado de canções com raízes de várias regiões do mundo como a africana e celta, além de músicas do cancioneiro brasileiro.



A cantora buscou resgatar e revelar as possíveis influências judaicas na formação da música brasileira, além dos pontos de convergência da MPB com a música da Península Ibérica. Fortuna mostra os contrapontos entre o choro e o Lamento Idishe, bem como o Frevo com o Klezmer e a ciranda brasileira com a canção de roda hebraica Hoira.



O show, que explora o visual, leva ao palco oito adolescentes de várias regiões de São Paulo, a maioria ex-integrantes do Guri, projeto de inclusão social, que fazem parte do coro que acompanha Fortuna e apresentam coreografia desenvolvida por Ana Syper. Sob a regência e direção da maestrina Regina Kinjo, os meninos participaram da gravação do CD e integram o elenco do show do Novo Mundo.



Sobre Fortuna

Nascida em São Paulo, Fortuna começou sua carreira como cantora em 1978, fazendo backing vocal em shows do Toquinho e Chico Buarque, tendo participado nesse período de turnês pela Argentina e Europa. A paulista produziu seu primeiro LP em 1984 com músicas de Itamar Assunção. Foi ainda nesse ano que Fortuna descobriu-se compositora e, a partir de então, gravou mais outros 6 álbuns e também um DVD.



Para Roteiro:



Fortuna ¿ Dias 16 e 17 de março, quinta e sexta-feira, às 21 horas. Ingressos ¿ R$ 20,00; R$ 15,00 (usuário matriculado); R$ 10,00 (estudante com carteirinha e maiores de 60 anos) e R$ 8,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). Capacidade do teatro ¿ 349 lugares. Duração ¿ 90 minutos. Direção geral, figurinos e iluminação ¿ Lacov Hillel. Arranjos e Direção Musical ¿ Maestro Abel Rocha - Ingressos à venda em todas as unidades do SESC. Acesso para deficientes físicos.



TEATRO DO SESC SANTANA ¿ Av. Luiz Dumont Villares, 579 ¿ Santana. Fone: (11) 6971-8700. Capacidade do Teatro ¿ 349 lugares. Bilheteria ¿ Em todas as unidades do SESC, de terça a sexta-feira das 13 às 21 horas e sábados, domingos e feriados das 9 às 17 horas. Aceita dinheiro, cheque e cartão de crédito Visa, MasterCard e Amex. Ar condicionado. Acesso para deficientes físicos. Estacionamento no próprio Sesc ¿ R$ 7,00 pelo período de 1 hora + R$1,00 por hora adicional (usuário do SESC com carteirinha paga R$ 3,50 pelo período de 1 hora + R$0,50 por hora adicional). www.sescsp.org.br





Assessoria de Imprensa
ARTEPLURAL Comunicação

Jornalista responsável - Fernanda Teixeira

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postado por: NANDA ROVERE 4:51 PM

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MARIO LUCIO
Dias 17 e 18 de março ¿ sexta-feira e sábado ¿ 22 horas
Couvert artístico ¿ R$ 50,00 * Duração ¿ 1h30 * Censura ¿ 18 anos
Músicos ¿ Mario Lucio (voz, guitarra e acordeão), Gilson Barros (baixo) e Dany Santos (bateria e percussão)


MARIO LUCIO, ARTISTA DE CABO
VERDE LANÇA NOVO CD NO TOM JAZZ
Cantor, compositor, poeta, multiinstrumentista, pintor e ativista cultural de Cabo Verde, seu país de origem, Mario Lucio é o que se pode chamar de um artista multifacetado. Na música, ele teve composições gravadas por Cesária Évora, lançou quatro CDs com o grupo Simentera e agora parte para seu primeiro trabalho solo Mar e Luz, que chega ao Brasil pela Rob Digital.


Embora esteja embalado pelo abrangente rótulo de World Music, Mario Lucio faz uma música simples, acústica, com poucos elementos sonoros ¿ o destaque sempre é o violão, que ele mesmo toca nas 13 faixas do CD, todas autorais. Duas participações são bem familiares: os brasileiros Gilberto Gil (voz) e Léo Gandelman (sax) em Nha Mudjer e Ma Femme. O português Luis Represas canta em Mar e Luz e a conterrânea Mayra, em Finaçon de Djusé cu Djoana. Mas o ponto alto do CD é Toma-m, Leba-m, com uma agradável levada de violão e a flauta precisa de Dominique Bouzon.


Mario Lucio se destaca por seu engajamento cultural, seja como fundador e diretor da Associação Cultural Quintal da Música, incentivando a música tradicional e o acesso das crianças à aprendizagem, seja como um militante a serviço da cultura local, recentemente constituído Embaixador Cultural de Cabo Verde. Já fez concertos em vários países como Estados Unidos, Brasil, França, Alemanha, Suécia, Finlândia e Noruega, entre outros.


Lúcio Matías de Sousa Mendes nasceu em Tarrafal, na Ilha de Santiago, Cabo Verde. Órfão de pai, aos doze anos foi adotado pelas Forças Armadas, vivendo como interno no quartel, antigo Campo de Concentração do Tarrafal, sob a tutela do Estado Maior. Prosseguiu os seus estudos secundários e obteve uma bolsa do Estado para ingressar no Liceu na cidade da Praia. Ativista cultural e músico, em 1984 ganhou bolsa do Governo Cubano para estudar Direito na Universidade de Havana, onde se licenciou em 1990. Foi Deputado do Parlamento Cabo-verdiano (entre 1996 e 2001) e Assessor do Ministro da Cultura, em 1992.


Por meio da literatura, o poeta tem seu lirismo expresso em algumas obras de destaque, como em Nascimento de um Mundo (1990) e na ficção Trinta Dias do Homem mais Pobre do Mundo (2000), quando ganhou o prêmio do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa. Mario Lucio pertence ainda ao movimento da nova geração de pintores, participando de exposições no país e no estrangeiro. É fundador e líder do grupo musical Simentera, que lançou quatro discos e marcou a mudança da música de Cabo Verde para o acústico, reivindicando a cultura continental africana como elemento da identidade cultural cabo-verdiana. Em seu último CD Tr'adictional, ao lado do Grupo Simentera, contou com participações importantes, como do camaronês Manu Dibango, dos senegales Touré Kunda, do brasileiro Paulinho da Viola, e dos portugueses Maria João e Mário Laginha.

Para roteiro:

TOM JAZZ ¿ Av. Angélica 2331 ¿ Higienópolis. Telefone (11) 3255-3635. A casa abre às 20 horas. Os shows têm início às 21h30 (terças, quartas e quintas-feiras) e às 22 horas (sextas-feiras e sábados). Couvert artístico ¿ R$ 30,00 (terças-feiras), R$ 40,00 (quartas e quintas-feiras) e R$ 50,00 (sextas-feiras e sábados). Duração dos shows ¿ 90 minutos. Capacidade ¿ 200 pessoas. Classificação etária ¿ 18 anos. Formas de Pagamento ¿ Dinheiro, cheque, cartões de crédito e débito MasterCard e Visa. Estacionamento ¿ R$ 15,00 (em frente ao local). Acesso para deficiente físico. Ar condicionado. Site ¿ www.tomjazz.com.br




postado por: NANDA ROVERE 4:48 PM

Comments: Quarta-feira, Março 08, 2006





postado por: NANDA ROVERE 10:28 PM

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postado por: NANDA ROVERE 3:57 PM

Comments: Terça-feira, Março 07, 2006



REESTRÉIA DA PEÇA ESSA NOSSA JUVENTUDE



ESSA NOVA JUVENTUDE

Com duas indicações ao Prêmio Shell,
Essa Nossa Juventude reestréia no Teatro Fecomércio

A peça Essa Nossa Juventude volta ao cartaz dia 10 de fevereiro com Paulo Vilhena, Silva Lourenço e Gustavo Machado

Com duas indicações ao Prêmio Shell de Teatro de São Paulo, nas categorias melhor ator para Gustavo Machado e melhor cenografia para Cássio Amarante e Marcelo Larrea, o espetáculo Essa Nossa Juventude volta em cartaz dia 10 de fevereiro, sexta-feira, às 21h30, no Teatro FECOMERCIO. A peça marca a estréia da atriz Maria Luisa Mendonça e da dramaturgista Christiane Riera e da cineasta Laís Bodanzky (premiada pelo filme Bicho de Sete Cabeças), respectivamente na produção e na direção teatral.

A montagem do texto do norte-americano Kenneth Lonergan ganha vida nos palcos com a interpretação dos atores Paulo Vilhena, Gustavo Machado (que estreou no cinema com o Bicho) e Sílvia Lourenço (protagonista do premiado longa-metragem Contra Todos). A equipe se completa com Cássio Amarante (diretor de arte dos filmes Abril Despedaçado, Bossa Nova e Central do Brasil) e Marcelo Larrea nos cenários e a colaboração do roteirista Bráulio Mantovani (Cidade de Deus e indicado ao Oscar por Melhor Roteiro Adaptado em 2004) nos diálogos.

O espetáculo reestréia no moderno Teatro Fecomércio, uma das melhores salas de espetáculos da cidade, localizado na nova sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - Bela Vista, paralela à Av. 9 de Julho), a cerca de 300 metros da Fundação Getúlio Vargas e a 600 metros da Av. Paulista. O teatro tem 522 lugares, aspecto clássico e oferece muito conforto para artistas e público.

A Cult Empreendimentos e a Quatro Elementos Comunicação & Marketing Cultural, operam o Teatro Fecomércio, sendo responsáveis por sua administração e programação. Essa nova sala de espetáculos integra o Cult Circuito, conjunto integrado por mais quatro teatros paulistanos administrados pela Cult: Teatro Renaissance, desde 1999; Teatro Aliança Francesa, desde 2002; Teatro VIVO desde 2004, e Teatro São Bento, a partir de 2005.

Um dos autores do filme Gangues de Nova York (com Leonardo di Caprio e Daniel Day-Lewis), Kenneth Lonergan é um dos mais importantes dramaturgos contemporâneos. Antes de estrear em Londres, Essa Nossa Juventude (This is Our Youth) concorreu ao prêmio de Melhor Peça do Drama Desk, em 1998, em Nova York.

"Mesmo sendo um texto americano, esse drama atinge universalidade ao criar um diálogo com jovens de todo o mundo. O autor Kenneth Lonergan consegue grande ternura na sua escrita que, incrivelmente generosa, trata de seus três personagens com compaixão e nenhum julgamento moral, ao mesmo tempo com leveza e seriedade", fala Maria Luisa Mendonça. Apostando em sua primeira produção teatral, Maria Luisa explica que "o texto lida, com humor e profundidade, com questões universais que preocupam não só os jovens de hoje, como também os adultos envolvidos nesse processo."

"Com diálogos realistas e afiados, no estilo ácido e preciso de David Mamet, o texto - através de sua carpintaria teatral realista clássica, na linha de seus conterrâneos Tennesse Williams e Arthur Miller - é um clássico contemporâneo, comovente e bem-humorado, uma peça que faz rir, chorar, se divertir, se emocionar e, ao mesmo tempo, refletir", afirma Christiane Riera, que acredita que nas mãos de uma talentosa diretora e nos gestos de atores brilhantes a montagem será bem-sucedida.

Sinopse
Uma tragicomédia contemporânea, Essa Nossa Juventude pinta um retrato agridoce do momento de transição da adolescência inocente à descrença e dureza do universo adulto. A peça cobre 48 horas na vida de três jovens (Dennis, Warren e Jéssica), sufocados por uma cultura cujos valores circulam em torno de dinheiro, poder e sucesso. Dennis, expansivo e manipulador, mora num apartamento financiado por seus pais. Warren, seu melhor amigo, procura abrigo depois de fugir de casa com uma mala cheia de dinheiro roubado do próprio pai. Com problema de auto-estima, sem a menor idéia do que fazer com o dinheiro roubado e a vida que lhe parece perdida, Warren precisa da ajuda de Dennis para resolver sua desastrosa empreitada.

Dennis é o herói e o modelo de Warren. Mas é também o seu maior carrasco, sempre disposto a apontar e ironizar as falhas e fraquezas do amigo. É Dennis quem lhe apresenta Jéssica, uma jovem charmosa e irriquieta, cuja personalidade mistura confiança e vulnerabilidade. Warren, desajeitado e inseguro, consegue conquistá-la, mas logo a perde, como outras coisas preciosas que perdeu em sua vida. Em apenas dois dias, o embate entre esses três jovens revela gradualmente a angústia de enfrentar o mundo lá fora por conta própria.

Sobre o autor
Kenneth Lonergan é autor de obras teatrais e cinematográficas premiadas e respeitadas no mundo inteiro. Essa Nossa Juventude estreou em Londres há mais de dois anos e continua em cartaz. Foi considerada por alguns críticos da atualidade a melhor peça para jovens escrita nos últimos tempos. Lonergan é ainda presença constante nos palcos nova-iorquinos. O Herói do Lobby (Lobby Hero) foi indicada por diversos comitês críticos como a melhor peça de 2000 (Drama Desk Best Play, Outer Critics Circle Best Play e John Gassner Playwriting, entre outros); A Galeria Waverly (The Waverly Galery) concorreu ao Pulitzer, o prêmio de maior prestígio em dramaturgia, em 2001; e Essa Nossa Juventude (This is Our Youth) concorreu ao prêmio de Melhor Peça do Drama Desk, em 1998, em Nova York.

Kenneth Lonergan foi ainda um dos autores do filme Gangues de Nova York, que concorreu ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 2003. Escreveu e dirigiu o longa-metragem Conte Comigo (You Can Count On Me), que também foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 2001 e ganhou o Prêmio do Júri do Sundance Film Festival, além de ter sido eleito o Melhor Roteiro de 2001 pelos críticos do New York Film Critics Circle, LA Film Critics Circle, Writers Guild of America e National Board of Review.

Assessoria de Imprensa
ARTEPLURAL Comunicação
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postado por: NANDA ROVERE 1:36 AM

Comments: Quinta-feira, Março 02, 2006


Os clássicos que seduzem

POR CINTHIA RODRIGUES
FOTOS: ROGÉRIO ALBUQUERQUE


Quase quatro décadas separam as atrizes brasileiras Cacilda Becker e Bete Coelho, mas uma paixão as aproxima: a vontade de encenar textos como Esperando Godot, uma história simples que cativa espectadores discutindo questões humanas ¿ e atuais ¿, como o sentido da vida, a morte, a solidão e o amor. Um texto como este atravessa o tempo e é adorado por atores no mundo inteiro


Um teatro pequeno e no subsolo de uma fábrica, a cada três vezes por semana, acontece uma revolução. O bairro: Belém, na zona leste de São Paulo. O local: um teatro de arena (onde o palco fica no mesmo nível da platéia, que não passa de duas fileiras de cadeiras). Lá, sem ar-condicionado, sem recursos de áudio e vídeo, sem cadeiras estofadas e com filas que se formam na porta do teatro até cinco horas antes para comprar ingressos, Bete Coelho, Magali Biff, Vera Zimmermann e Lavínia Pannunzio encenam uma peça que encanta espectadores há muitas gerações ¿ Esperando Godot, do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, escrita em 1949. Por mais de duas horas, Bete interpreta o drama de um personagem desmemoriado que tenta dar sentido à sua vida ao lado de um amigo. Os diálogos são longos e o tema é árido. Mas a temporada está disputada pelos próximos dois meses. Qual é o segredo desta peça?



1969 Cacilda Becker
Considerada uma das grandes damas do teatro brasileiro, Cacilda Becker (1921¿1969) foi a primeira atriz a encenar profissionalmente Esperando Godot no Brasil. Durante a temporada, Cacilda sofreu um aneurisma cerebral e morreu semanas depois.


¿O texto clássico resiste porque aborda temas que todo mundo entende ¿ vida,, morte, solidão, dependência, amizade. São assuntos do cotidiano do ser humano¿, diz Bete, que pela primeira vez encena o texto, que já fez a glória de outras atrizes como Cacilda Becker (1921-1969), que passou mal durante uma temporada e foi levada para o hospital. Morreria dias depois. Até Bete se comove com a encenação e as descobertas que fez ao longo dos ensaios com o diretor Gabriel Villela. ¿Sonho com o texto¿, diz.



2006 Bete Coelho
A atriz mineira é apaixonada pela obra de Samuel Beckett, escritor irlandês. ¿É difícil, mas é um terreno fértil para o ator mergulhar e nunca mais sair. Ninguém sai ileso. A platéia ri, chora, até quem não gosta não consegue ficar indiferente¿, diz a atriz, em cartaz no Sesc Belenzinho, em São Paulo.


Na versão dele, Esperando Godot é a história de dois vagabundos, Estragão e Vladimir, que esperam Godot sempre perto de uma árvore seca, da qual pende um tecido verde ¿ algumas folhas. Para enfrentar o tempo de espera, entregam-se a diálogos longos, às vezes vazios. Para a dupla, que depois recebe a visita de outra dupla, a solução de seus problemas está em apenas ¿esperar¿.



ESTRAGÃO (BETE COELHO) E VLADIMIR (MAGALI BIFF) EM ESPERANDO GODOT


PALCO. Há muitos atores que adoram encenar clássicos. Cacá Carvalho que montou A Poltrona Escura, de Luigi Pirandello, e levou, por meses, muitos espectadores às lágrimas, acredita que o verdadeiro clássico não é apenas literatura ou um texto dramático: ele extrapola a situação encenada e vai além, tocando a alma e a essência das pessoas. ¿Quando você ensaia um Pirandello e os funcionários do teatro assistem, em uma semana o texto adquire uma outra dimensão, ele tira o homem do seu cotidiano¿, diz Cacá, que reestréia A Poltrona Escura no dia 3 de março, no Teatro Poeira, no Rio. Outra atriz que acredita muito na força dos clássicos é Leona Cavalli, que estreou fazendo um texto de William Shakespeare e já encenou Gil Vicente, Eurípedes, Tennessee Williams e Nelson Rodrigues. ¿Não importa a língua, a época, o país. Um clássico é facilmente entendido, tem força¿, diz.


Os clássicos que seduzem

POR CINTHIA RODRIGUES
FOTOS: ROGÉRIO ALBUQUERQUE



CACÁ CARVALHO: ¿O CLÁSSICO TOCA A ALMA DAS PESSOAS¿


O ator ganhou notoriedade em Macunaíma, de Antunes Filho, em 1977. Em 1994, montou O Homem com a Flor na Boca, novela de Luigi Pirandello. Todos apresentados no Brasil e na Itália. Alessandro D¿Amico, marido de Maria Luiza, neta do escritor italiano, assistiu ao espetáculo e anos depois procurou Cacá e ofereceu 12 novelas para serem montadas. Três delas são a base do espetáculo A Poltrona Escura, que reestréia no Teatro Poeira, no Rio, em 3 de março.



EM CENA
O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO CRIADOR DO TEATRO DO ABSURDO É COMEMORADO EM 2006


O irlandês Samuel Beckett, que recebeu o Nobel de Literatura em 1969, é o autor de Esperando Godot. Nasceu em 1906 em Foxrock, perto de Dublin. De família burguesa e protestante, estudou francês e italiano no Trinity College de Dublin, foi professor em Paris, conheceu o escritor James Joyce, autor de obras como Ulisses (de quem foi secretário pessoal na juventude), regressou à Irlanda em 1931, passou por Londres e pela Alemanha, voltou a Paris quando explodiu a Segunda Guerra e fez parte da Resistência.
É no pós-guerra que vive o período mais intenso da sua produção literária. Recebeu o Nobel em 1969 e distribuiu o dinheiro entre os amigos. Morreu vítima de problemas respiratórios, em Paris, em 1989, aos 83 anos.



LEONA CAVALLI: ¿UM CLÁSSICO É ENTENDIDO EM QUALQUER LÍNGUA¿


A atriz gaúcha estreou em 1991 e já encenou versões de Hamlet, de William Shakespeare, As Bacantes e Medéia, de Eurípedes, e Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues. Leona volta aos palcos a partir de maio com a peça Presente de Aniversário, inspirada em A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Ela vai inaugurar a Unidade Paulista do Sesc. ¿Um clássico pode ser entendido em qualquer língua, qualquer época¿, diz a atriz, que sonha montar A Megera Domada.


FOTOS: DIVULGAÇÃO, SYGMA, LENISE PINHEIRO/DIVULGAÇÃO; ASSISTENTE: LETICIA BUZATO

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postado por: NANDA ROVERE 12:40 AM

Comments: Quarta-feira, Março 01, 2006



SESC BELENZINHO REALIZA SESSÕES EXTRAS DE
"JUNG E EU", COM SÉRGIO BRITTO, NOS DIAS 11 E 12/03



Domingos Oliveira assina dramaturgia e direção do monólogo


O SESC Belenzinho, atendendo à grande procura por ingressos para "Jung e Eu", realiza sessões extras do espetáculo nos dias 11 e 12 de março, às 19h, no Teatro da unidade. Dono de uma trajetória reconhecida tanto pela crítica quanto pelo público, Sérgio Britto comemora os seus 60 anos de carreira com o espetáculo. O monólogo recebeu duas indicações (melhor autor e melhor ator) ao Prêmio Shell, no Rio de Janeiro, em 2005.


Domingos Oliveira assina a direção do espetáculo e o texto, escrito em parceria com Giselle Falbo Kosovski. A cenografia e figurinos ficam por conta de Marcelo Marques e a iluminação é de Paulo César Medeiros. Sergio Britto e Domingos Oliveira já trabalharam juntos em 2003, quando o último dirigiu e escreveu "Sergio 80", um espetáculo-solo que falava sobre as experiências do ator em seus 80 anos de vida, comemorados naquele ano.


Sinopse ¿ Britto interpreta o ator shakespeariano Leonardo Svoba que, aos 80 anos, aceita o convite de encarnar a personagem do psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) em uma peça, sem nunca ter se interessado por psicologia e nem filosofia.


"Não me preocupei em contar a história de Jung, mas sim em deixar a imaginação viajar. A peça abre com Jung em cena dizendo para a platéia: ¿Estamos num sonho. Não estamos sonhando, estamos sendo sonhados pelo ator Leonardo Svoba¿. Nós, de teatro, sabemos e temos dentro de nós tudo o que o Jung falou escandalizando o mundo. Ou seja, os valores da intuição, a ocorrência das coincidências, o inconsciente coletivo, tudo isso está dentro de nós", contextualiza Domingos de Oliveira.


"Esta é a nossa modesta visão de um encontro de Jung com o seu intérprete. A peça traça um paralelo entre o encontro do teatro com a psicanálise", observa Sergio Britto. O ator acrescenta ainda que o trabalho em Jung e Eu representa "o maior esforço de sua vida". Apesar disso, destaca: "É tudo muito bem humorado e leve".


Sérgio Britto - Iniciou sua carreira em 1945 a convite de Jerusa Camões. Em 60 anos de carreira, participou de alguns dos mais importantes movimentos do teatro brasileiro. Ao lado de Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi e Gianni Ratto, fundou o Teatro dos Sete que em 1959 apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro a histórica montagem de "O Mambembe" de Artur Azevedo. Especialmente para o Teatro dos Sete, Nelson Rodrigues escreveu "O Beijo no Asfalto", já considerado um clássico da dramaturgia brasileira. Em 1978, constrói o Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, local onde apresentou alguns memoráveis sucessos: "Os Veranistas"; "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant"; "Assim é se lhe Parece" e "Sábado, Domingo, Segunda".

Nos últimos anos dirigiu e atuou em alguns musicais como "Ai, Ai, Brasil" e ao completar 80 anos produziu e interpretou o monólogo "Sergio 80", sucesso de público e crítica.


Domingos de Oliveira ¿ Cronista das relações humanas em narrativas que enfatizam a ansiedade e a intensidade de seus personagens, Domingos de Oliveira começou sua carreira como diretor nos palcos do Rio de Janeiro, nos anos 60. De Neil Simon, adaptou "Lost in Yonkers", sob o título de "É proibido Amar", para o teatro. Do mesmo autor, assina a tradução de "As Mulheres da Minha Vida", atualmente em cartaz em São Paulo. Também envolvido com o cinema, assinou produções como o longa-metragem "Amores", de 1996, uma adaptação da peça de mesmo nome que venceu o Prêmio Shell naquele ano, como melhor texto de teatro. Já o filme lhe rendeu três "kikitos" no Festival de Gramado ainda em 1998. "Separações", também filmagem da peça homônima, foi apresentado com sucesso no Festival Rio-BR em 2002.


Jung - Um dos mais importantes psiquiatras do mundo, Carl Gustav Jung (1875-1961) foi fundador da escola analítica de Psicologia. Em seus estudos sobre os tipos psicológicos (1921), ele introduziu termos como extroversão, introversão e o inconsciente coletivo. Jung ampliou as visões psicanalíticas de Freud, interpretando distúrbios mentais e emocionais como uma tentativa do indivíduo de buscar a perfeição pessoal e espiritual.


FICHA TÉCNICA


JUNG E EU de Domingos de Oliveira e Giselle Falbo Kisivski com Sérgio Britto

Autor e Diretor: Domingos Oliveira // Co-autora: Giselle Falbo Kosovski //Cenógrafo e Figurinista: Marcelo Marques // Iluminador: Paulo César Medeiros // Assistente de Direção: Moisés Bittencourt // Diretor de Produção: Luiz Joselli


SESC BELENZINHO/ JUNG E EU

Av. Álvaro Ramos, 915 ¿ Belenzinho ¿ Próx. à Estação Belém do Metrô **

Tel.: 11-6602-3700 // 0800-118220 // www.sescsp.org.br


Espaço: Teatro (303 lugares)


Data e horário: SESSÕES EXTRAS NOS DIAS 11 E 12 DE MARÇO, ÀS 19H


Ingressos: R$ 15,00 // R$ 10,00 (usuário matriculado em alguma unidade do SESC, aposentados e estudantes com carteirinha) / R$ 7,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes) // Venda de ingressos antecipados: na rede SESC (todas as Unidades do SESC) // Aceitam-se cartões de crédito (todas as bandeiras) e cheques de todos os bancos


Duração: 80 minutos/ Recomendação: a partir de 14 anos

Atenção: Após o início da apresentação, não é permitida a entrada de espectadores

Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais // Ar Condicionado


** Após o espetáculo, o SESC Belenzinho disponibiliza serviço de van até a estação Belém do Metrô


Informações sobre outras programações ligue 0800 118220 ou consulte o site: www.sescsp.org.br


Mais Informações à Imprensa:


Assessoria de Imprensa do SESC Belenzinho:

EDITOR ¿ Edison Paes de Melo

Com Leonardo Neto ou Sylvio Novelli

Lneto@editorweb.com.br ou snovelli@editorweb.com.br

Fone: 11-3824-4200 // www.editorweb.com.br




postado por: NANDA ROVERE 10:42 PM


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