NANDA ROVERE CULTURAL
NANDA ROVERE CULTURAL

Valorização da cultura brasileira



Comments: Segunda-feira, Dezembro 19, 2005



Pela terceira vez consecutiva estive em Paraty registrando e curtindo a Mostra de Teatro de Rua.
Elaborei alguns textos para sites e os coloquei logo abaixo.
Leiam os textos e visitem os sites indicados.
No http://mostrateatroparaty.com.br vocês terão todas as informações sobre esse importante evento


TEXTOS:

-Paraty valorizando o teatro de rua
Matéria especialmente elaborada para o site http://www.e-zine.entrepalavras.com.br

-O Caixeiro Viajante ou O Vendedor de Ilusões encanta ruas e praças do Brasil e do exterior
Matéria especialmente elaborada para o site www.spiner.com.br

-Grupo Teatro & Poesia sem Máscaras, de São José dos Campos, encanta com o espetáculo Milkshakespeare
Matéria especialmente elaborada para o site http://mostrateatroparaty.com.br

-Magikamerluza - circo, teatro e muita risada
Matéria especialmente elaborada para o site http://mostrateatroparaty.com.br

-Interferências Humanas foi uma grata surpresa na IV Mostra Rio São Paulo de Teatro de Rua em Paraty
Matéria especialmente elaborada para o site http://mostrateatroparaty.com.br

- Encontro com o professor Fausto Fuser e com o ator e diretor Amir Haddad uma interessante discussão sobre o fazer teatral na rua
Matéria especialmente elaborada para o site http://mostrateatroparaty.com.br


postado por: NANDA ROVERE 3:07 AM

Comments:

Paraty valorizando o teatro de rua
Matéria especialmente elaborada para o site http://www.e-zine.entrepalavras.com.br/
Por Nanda Rovere

A cidade de Paraty, entre os dias 9 e 11 de dezembro, viveu pela quarta vez uma intensa maratona cultural na IV Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua de Paraty.
O teatro de rua é a manifestação artística mais indicada para levar as artes cênicas a Paraty.
A rua estabelece um contato direto entre artistas e público, bem como democratiza o acesso das pessoas, as quais muitas vezes nunca assistiram a um espetáculo, ao teatro.
Apresentaram-se na cidade grupos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Os paratyenses e turistas tiveram o privilégio de conhecer o trabalho de grupos das seguintes cidades: Angra dos Reis/RJ, Araraquara/SP, Campinas (Barão Geraldo)/SP, Jundiaí/SP, Rio de Janeiro/RJ, Paraty/RJ, Presidente Prudente/SP, São Paulo/SP e São Simão/SP.
Unir teatro às belezas naturais e arquitetônicas da bela Paraty é o principal objetivo do projeto, idealizado pelo ator e diretor Ailton Amaral.
Qualidade e diversidade de estilos (com a predominância de números circenses e técnicas clownescas) foram as principais características dos trabalhos presentes na IV Mostra Rio São Paulo de Teatro de Rua.
A abertura da Mostra ocorreu, como nos anos anteriores, com um desfile animado dos grupos de teatro pelas ruas da cidade, chamando os interessados para curtir espetáculos na Pça da Matriz.
A Grupo Teatro & Poesia sem Máscaras, de São José dos Campos, com Milkshakespeare, foi a primeira a se apresentar. No ano passado, eles finalizaram a mostra e,neste ano, como convidados, agradaram bastante ao contar de maneira divertida a história de dois atores que conhecem Shakespeare. O autor se diz infeliz por considerar que as suas obras são encenadas de maneira muito ¨careta¨. Os atores conseguiram agradar tanto o público, que nos dias posteriores, Valter Vanir Coelho (o intérprete de Shakespeare), era abordado por muitas pessoas nas ruas de Paraty.
Já na abertura, pudemos perceber que a magia do teatro estaria presente em todos os momentos. Atores e espectadores trocaram uma interessante energia.
Polícromo Alecrim, grupo de Araraquara apresentando-se pela terceira vez no evento, levou para a tenda armada na Praça da Matriz A Farsa do Velho da Horta, texto de Gil Vicente interpretado numa linguagem quinhentista. O cenário chamou bastante a atenção. Era um tecido com uma horta desenhada e um castelo ao fundo.
Logo em seguida, o grupo Farsa Cena, do Rio de Janeiro, que em 2003 levou à Mostra Médico à Força, mostrou esquetes muito engraçadas com a peça Seria Trágico Se Não Fosse Cômico. Gargalhada não faltou com uma senhora que fica atônita ao saber que seus filhos são homossexuais, um menino ¨doidão¨ contando as suas experiências com drogas, uma apresentadora ¨sexy¨ de TV levando a platéia à loucura e com uma perua com o tique de abaixar a cabeça e deixar os seus cabelos esvoaçantes chamarem a atenção. Em virtude de problemas de patrocínio, a Companhia de Artes Cênicas Cutubas, de Fortaleza/CE, não se apresentou, mas o final da noite foi propício para passeios nas ruas e bares da cidade.
No segundo dia, a manhã começou alegre com as participações dos grupos Namakaka/SP (Nóis na Chita) e Lambe Sapo, de Araraquara (Fugindo de Casa), com direção de Tânia Capel, que também assinou A Farsa do Velho da Horta. No primeiro espetáculo, três personagens apresentam, com muito humor e com inspiração em quadros tradicionais de circos, números como malabares, monociclo e esquetes. A Cia Lambe Sapo, por sua vez, contou a história de dois meninos que fogem de casa por detestarem quiabo. Merecem destaque caixas que viram banco de praça, mexendo com a criatividade das crianças.
No meio da tarde, a simpática Cia Cutucurim, de Angra dos Reis, apresentou, em Auto do Trabalhador, a trajetória de José e Maria, um casal de nordestinos obrigados a se mudarem para o Rio de Janeiro. Músicas populares brasileiras serviram de complemento a essa interessante história.
Em meio a uma forte chuva, o monólogo O Caixeiro Viajante ou O Vendedor de Ilusões levou muito lirismo a Paraty. Sem o uso da palavra e com a mistura de dança, manipulação de bonecos e butoh (teatro tradicional japonês), o ator João Roberto de Souza encenou o conto de uma princesa que foi transformada em sereia por uma bruxa má.
A realidade brasileira serviu de inspiração para a Cia Ivo 60 apresentar o surgimento da fictícia Gozolândia. Com pitadas de muito humor, os espectadores vão acompanhando o surgimento de uma elite corrupta e, num momento bastante especial, participam das eleições.
A Cia do Miolo/SP, com O Doente Imaginário - texto bastante conhecido de Molière, provou que textos de qualidade devem ser encenados com freqüência. A Cia deu a ele um brilho novo, com os atores assumindo a função de narradores e com figurinos inspirados na cultura popular (alguns possuem ¨frou-frous¨ encontrados em tapetes feitos de retalhos).
A maratona teatral continuou com mais duas apresentações: Saltimbembe Mambembancos, do Circo Teatro Rosa dos Ventos, de Presidente Prudente/SP, e Essa Nega Fulô (Grvpo Arteatro/Cembra/Paraty/RJ). Utilizando elementos circenses, os artistas de Presidente Prudente demonstraram possuir uma primorosa técnica e uma excelente empatia com a platéia. Essa Nega Fulô é baseada no poema de Jorge de Lima e tem direção do curador da Mostra de Teatro de Rua, Ailton Amaral. Foi uma das representantes da produção teatral paratyense. No ano passado, eles estrearam esse trabalho na III edição da Mostra e, neste ano, conquistaram uma significativa bagagem profissional, com apresentações em Paraty, Angra do Reis, Rio de Janeiro, além de um gratificante convite para integrarem, em 2006, um festival de Teatro no Chile.
Já na madrugada de sábado para domingo, o Grupo Ciranda Elétrica, de Paraty, uniu preservação da cultura caiçara com alegria. Difícil foi deixar de se emocionar com a paixão dos integrantes da Ciranda pela música e dança popular.
O último dia teve início com mais um trabalho paratyense: Um mundo de Paz, produção do Grupo Guarda a Chave no Trombone, dirigido por Themilton Tavares. Crianças contaram histórias da Carochinha (Carochinha era uma senhora que, com a ajuda dos personagens Chapéuzinho Vermelho, João e Maria, etc, vence o mal que uma bruxa tenta provocar.
Desde o início das apresentações teatrais, Paraty recebeu em suas ruas de pedra algumas performances. A atriz Ana Rocha surpreendeu com sua estátua viva e dois bonecos sem cabeça chamaram a atenção de muita gente.
Antes do horário de almoço (quando foi servida uma feijoada no Colégio CEMBRA), Susanita Freire e Anne Westphal brindaram os presentes na Praça da Matriz com a sua performance Interferências Humanas. Muito interessante como as atrizes movimentam bonecos enormes e conseguem fazer com que eles mantenham contato mesmo sem cabeça.
Magikamerluza transpõs novamente o espírito circense para a rua, representando a minha terra natal, Campinas/SP (Barão Geraldo). Malabares tradicional, aliado com facas, fogo e cristais; guilhotina e mágicas são usados para levar a platéia ao delírio.
Prevenção à Aids foi o tema principal da penúltima atração: Cobrindo A Megera e De Olho Na Fera , da Cia Paulista de Artes de Jundiaí/SP. Uma família caipira vive o dilema da aids. Para entreter a platéia e ilustrar a vida simples dos personagens, o diretor usou ícones da nossa cultura, como a telenovela (colocou em cena trechos da novela Belíssima, da Rede Globo).
Nestes quatro anos da Mostra de Teatro em Paraty, ficou provada a viabilidade da produção de eventos teatrais que valorizam a encenação na rua.
Assistir ao teatro, num lugar como Paraty, certamente desperta nas pessoas a vontade de lutar, cada vez mais, para que essa riqueza cultural (e natural) ímpar seja preservada!
Além disso, a Mostra possibilitou a confraternização entre artistas que, muitas vezes, não têm a oportunidade de se encontrarem e estabelecerem laços de amizade, bem como tecerem discussões proveitosas sobre o teatro e a arte de representar.
Teatro de rua é muito legal e mais mostras e/ou festivais precisam acontecer. Artistas talentosos e pessoas interessadas em ver bons espetáculos não faltam.
A programação foi bem recebida e o número de espectadores foi grande (alguns vieram de Angra especialmente para prestigiar os 15 grupos participantes).
Na opinião do mestre Amir Haddad, ¨o teatro de rua carrega consigo a possibilidade de transformação¨. Essa idéia, defendida num debate ocorrido com a presença de Amir Haddad e do professor Fausto Fuser, na Casa de Cultura de Paraty, merece respeito, pois a grande maioria das montagens apresentadas na IV Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua primaram pela qualidade técnica, pela interação entre público e platéia e, sobretudo, pela encenação de temas que impulsionam a reflexão.
O teatro de rua surgiu nas festas em homenagem ao amor, à fertilidade, ao nascimento, à vida. Nada mais oportuna do que a presença de Amir Haddad e do seu grupo Tá Na Rua (comemorando 25 anos de existência) para fechar, com chave de ouro, os três dias de magia. Eles convidaram todos os atores participantes da Mostra, bem como o público em geral, a se unirem numa bonita celebração regada a música, dança e vinho (o troféu Amir Haddad é uma taça com o logotipo das máscaras do teatro, contendo um delicioso vinho).
A V Mostra já faz parte do calendário cultural de Paraty 2006 e ocorrerá, no próximo ano, entre 10 e 12 de dezembro.

Fotos sobre a Mostra após a última reportagem.

postado por: NANDA ROVERE 2:36 AM

Comments:

O Caixeiro Viajante ou O Vendedor de Ilusões encanta ruas e praças do Brasil e do exterior
Por Nanda Rovere
Matéria especialmente elaborada para o site www.spiner.com.br

Tive o privilégio de conferir O Caixeiro Viajante ou O Vendedor de Ilusões no Festival de Teatro de Curitiba deste ano, e fiquei contente em poder revê-lo na IV Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua de Paraty.
O Caixeiro Viajante é um monólogo interpretado por João Roberto de Souza que, além de atuar, assina a direção, criação, direção e produção.
João é ator, bailarino, coreógrafo, figurinista, cenógrafo, diretor, professor, maitre de Butoh e jornalista. Trabalha com teatro-dança desde 1972 e, desde 1984, pesquisa e desenvolve o estudo da Dança Butoh através da Associação Cultural e Ecológica Ogawa Butoh Center, em São Simão/SP.
O butoh, a mímica e a manipulação de bonecos são os meios utilizados para,em cerca de uma hora, o público conhecer a triste e bela história de uma linda princesa que gostava muito de cantar, mas foi amaldiçoada (transformada numa sereia) por uma bruxa que adorava pescar e acreditava que o canto diminuía a quantidade de peixes. Mesmo assim, a princesa continuou a cantar e, com muita raiva, a bruxa a aprisionou num compartimento de vidro. Felizmente, ela foi salva por um príncipe.
A fala não está presente na encenação. O público vai conhecendo as cenas antecipadamente, através de imagens pintadas em telas de pano. A palavra não faz falta, pois o importante é sentirmos as emoções e desenvolvermos a nossa imaginação.
O cenário é simples e nos ambienta num castelo. Duas malas vão nos revelando objetos mágicos, como bonecos de diversos tamanhos (uma dessas malas tem a forma de um castelo).
Dois momentos são marcantes: bolhas de sabão transformam-se em elemento cênico e, num momento especial, um coração vai nos revelando grandes surpresas.
O grande mérito da montagem é reviver a tradição do ¨contador de estórias¨ e mostrar que nem sempre a palavra é essencial. Pelos gestos e pelo olhar podemos nos identificar com a apresentação.
O espetáculo é, na verdade, tão rico em detalhes, que fica difícil comentá-los. É um espetáculo que deve ser visto.
Antes de fazer parte da Mostra de Teatro de Rua em Paraty, O Caixeiro Viajante esteve na Alemanha e, em 2006, estará novamente no Festival de Teatro de Curitiba (março) mas, antes disso, em janeiro, estará no Chile ,como integrante do Encuentro Mundial de Teatro Infantil-Juvenil.
João foi uma das gratas surpresas que tive em 2005. Além de ser um excelente profissional e ter-me encantado com a sua expressão corporal, acredita no teatro como forma de melhorar o mundo em que vivemos. Além disso, está totalmente integrado a sua comunidade.
Realiza, em São Simão, interessantes projetos nas áreas de Ecologia, Educação e Patrimônio Histórico. Contribui para a proteção dos casarios e conscientiza a população quanto à preservação da rica natureza que circunda a cidade. Com o Grupo Folclórico Zilda Pereira Portugal, resgata a cultura dos imigrantes que formaram São Simão, e com o Delirivm Teatro de Dança, mostra toda a vitalidade de pessoas da terceira idade.
O site do Ogawa Butoh Center (www.butoh.com.br), por sua vez, possibilita uma interessante viagem sobre a trajetória da Associação e sobre a história de São Simão.

Abaixo, uma pequena entrevista com João Roberto de Souza, cuja simplicidade é notória, apesar dele ter um público cativo no Brasil e no exterior.

Nanda Rovere: Por qual motivo você optou por encenar O Caixeiro na rua?
João: É a proposta do espetáculo, é um contador de histórias que viaja pelo mundo contando histórias, e o local é a rua.

NR: Na sua opinião, qual a importância do teatro de rua?
João: Sempre primo pela qualidade, mas acredito que a arte deve chegar a todas as pessoas, independentemente de sua condição social.

NR: Como foi participar da mostra em Paraty e qual a contribuição do evento para a valorização do teatro de rua?
João: Eu amei estar em Paraty, o personagem se enquadra perfeitamente neste cenário natural histórico, era como se estivéssemos atravessando uma janela no tempo.O evento é muito legal e tenho muito o que dizer, não só pela oportunidade aos grupos de mostrarem seus trabalhos, trocar experiências e tudo o mais, mas ainda teve aquele encontro maravilhoso no domingo à tarde.

NR: Antes de Paraty você esteve na Alemanha. Há diferença quanto ao público?
João: Sim, Europa é sempre Europa, é uma questão histórica; lá, cultura e arte são considerados parte da vida, a qual é fundamental e indispensável, e não uma questão supérflua como aqui, dispensável e irrelevante.

NR: Como surgiu seu interesse pelo Butoh?
João: Não foi interesse propriamente dito, não fui em busca de, mas foi ele que me
encontrou; quando vi, já havia me tornado a pessoa que sou hoje, não consigoseparar o que faço do que eu sou, é tudo a mesma coisa.
Por isso faço Butoh, lido com verdades, das que habitam o meu ser até das que habitam o universo.

NR: O que mais te encantou no Caixeiro Viajante que o levou a encenar a obra?
João: Ser uma obra voltada para crianças.

NR: Você, através do Ogawa Butoh Center, realiza projetos voltados à
educação ambiental, inclusão social, preservação do Patrimônio e da arquitetura de São Simão e trabalha com artistas da terceira idade. Eu assisti MULIERIBUS e me encantei com a alegria e força de vontade das atrizes. Neste sentido,qual a função do artista?
João: Transformar isso aqui em um "MUNDO", um lugar muito melhor para se viver.

NR: Estava lendo que vc estará novamente com " O Caixeiro Viajante ou O Vendedor de Ilusões ¨ no Festival de Teatro de Curitiba e, antes disso, no Encuentro Mundial de Teatro Infantil-Juvenil, em janeiro, no Chile. Novos projetos para 2006?
João: Sempre, muitos festivais, muitas viagens, espetáculos novos vindo por aí,inauguração da Escola da Ogawa Butoh Center, e muito mais....

postado por: NANDA ROVERE 2:28 AM

Comments:

Grupo Teatro & Poesia sem Máscaras, de São José dos Campos, encanta com o espetáculo Milkshakespeare
Por Nanda Rovere
Matéria especialmente elaborada para o site http://mostrateatroparaty.com.br/

O teatro é a manifestação artística mais maravilhosa que conheço. Foi através do teatro que comecei a valorizar os nossos artistas e a nossa produção cultural.
Os espetáculos a que assisto alimentam e alegram a minha vida. O que não falta no Brasil são artistas talentosos, preocupados com o seu aprimoramento e em busca de uma encenação que transforme de alguma maneira a vida das pessoas.
Simpatia e muito talento são as características da Grupo Teatro & Poesia sem Máscaras (a qual preenche os ¨quesito¨ acima citados), que tive o grande prazer em conhecer em 2003, no Festival de Teatro de Curitiba, com o espetáculo Commédia Dell¿Arte Ensina a Preparar a Sopa de Pedra e de acompanhá-los em Milkshakespeare, por duas vezes consecutivas, na Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua, de Paraty.
Encantar-se com essa trupe não é nem um pouco difícil. Todos são artistas que amam a sua profissão e possuem muito carisma. O palco e/ou a rua são transformados num espaço mágico, onde a interação com o público se estabelece de uma maneira gostosa.
Certamente, um dos grandes méritos das montagens é conseguir chegar ao coração das pessoas. São trabalhos simples (no uso da linguagem), mas de muita qualidade.
Em Milkshakespeare, por exemplo, um dos maiores autores da nossa dramaturgia - Willian Shakespeare - é homenageado num texto inteligente e capaz de ser entendido por qualquer tipo de pessoa. Vale a pena ressaltar que a montagem é resultado de muita pesquisa do grupo.
Dois atores vão ao túmulo de Shakespeare e levam um enorme susto ao se encontrarem com ele. Pedem para que ele explique os segredos do teatro e ficam perplexos ao ouvirem um mito do teatro dizer que gostaria de ver as suas peças encenadas com um caráter popular. Quer que os artistas desrespeitem as suas obras!!!!
As cenas seguintes são hilárias, pois é muito engraçado ver os atores tentando encenar A Megera Domada, Romeu e Julieta, Hamlet, etc, e sendo reprovados por Shakespeare.
Quem conhece as obras de Shakespeare certamente começará a encará-las de maneira diferente, e quem não conhece certamente ficará curioso.
Aplausos especiais à atriz que esbanja vitalidade interpretando a Rainha Elizabeth em Milkshakespeare. Para saber o que a rainha faz nessa história, o melhor é conferir esse interessante espetáculo quando ele passar pela sua cidade.
O Grupo Poesia sem Máscaras, em seus 13 anos de existência, conquistou muitos prêmios e vem realizando um trabalho engajado.
Em São José acabaram de passar por praças, algumas delas na periferia, atingindo um povo humilde, que tem poucas oportunidades para ver teatro. Outro projeto muito legal é o Teatro Faz o Bem, onde a comédia "A Senhora dos Sonhos de Cordel" está sendo apresentada para crianças com Síndrome de Down, em casas de repouso, etc.
Estar em Paraty ao lado desses artistas foi uma experiência ímpar, não só pelas qualidades deles como artistas, mas pelos seres humanos especiais que são. Sem contar que Valter Vanir Coelho (intérprete de Shakespeare) foi abordado muitas vezes nas ruas de Paraty durante os três dias de mostra teatral.

postado por: NANDA ROVERE 2:24 AM

Comments:

Magikamerluza - circo, teatro e muita risada

Por Nanda Rovere
Matéria especialmente elaborada para o site http://mostrateatroparaty.com.br/

Magikamerluza fez bastante sucesso na IV Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua, em Paraty.
No Festival de Teatro de Curitiba foi um dos trabalhos mais interessantes a que assisti, e a escolha dele para alegrar o último dia da maratona teatral em Paraty foi muito oportuna.
A família Kamerluza arma o seu circo mambembe e convida o público a assistir ao seu show de variedades, no qual utiliza técnicas e esquetes tradicionais circenses para divertir a platéia.
Malabares tradicional, aliado ao realizado com facas, cristais e fogo, números de magia e guilhotina servem para entreter e apresentar uma interessante homenagem ao palhaço e às artes circenses.
¨Sem dó nem piedade¨, os clowns (muito atrapalhados) chamam pessoas da platéia para participarem de alguns momentos da encenação, deixando o espetáculo mais engraçado ainda.
Diferente dos clowns com roupas coloridas e nariz vermelho, os Kamerluzas usam bigodes e roupas escuras (somente um dos atores se veste com um figurino laranja), havendo, portanto, uma contradição interessante entre a seriedade dos figurinos e a linguagem escrachada do espetáculo.
Na sinopse de Magikamerluza já está expresso o objetivo dos artistas: fazer rir. E isso eles conseguem até demais, pois são hilários.
Em Curitiba, eles se apresentavam como estrangeiros (Mexicanos). Foi uma alegria saber que o grupo está residindo em Barão Geraldo, Campinas. Barão é um reduto de artistas, muitos deles advindos da Unicamp, e lá a vida teatral é intensa.
Não é só no palco que os Pambazos Bros encantam. Após se apresentarem na tenda da Praça da Matriz. em Paraty, eles demonstraram um enorme talento para a música. Foi impossível deixar de cantar e dançar músicas latino-americanas tocadas por eles num bar do centro histórico.

postado por: NANDA ROVERE 2:23 AM

Comments:

Interferências Humanas foi uma grata surpresa na IV Mostra Rio São Paulo de Teatro de Rua em Paraty
Por Nanda Rovere
Matéria especialmente elaborada para o site http://mostrateatroparaty.com.br/

O nosso cotidiano, corrido, muitas vezes nos impede de prestar atenção em coisas singelas que acontecem à nossa volta.
A cidade de Paraty certamente vive dias especiais durante as Mostras de Teatro de Rua.
Neste ano, por exemplo, foi possível perceber que crianças residentes na cidade prestigiaram boa parte dos espetáculos e, na maioria das vezes, interagiram com os atores e com a história contada.
Um dos momentos mais interessantes presenciados por mim foi a chegada de duas figuras estranhas na Praça da Matriz, no domingo pela manhã. Já os havia visto no dia anterior nas ruas do centro histórico e fiquei impressionada.
Interferências Humanas, como o próprio nome diz, é um espetáculo que tem por objetivo chegar de surpresa na vida das pessoas e impulsionar o seu lado lúdico.
O Sr. e a Sra. Magrittinho não possuem cabeça. Para que se estabeleçam ¨diálogos¨ entre os dois, torna-se necessária a busca de linguagens que supram a falta da fala e das expressões faciais. Durante cinqüenta minutos, vários objetos, aliados à mímica e à dança, constituem-se no meio de comunicação entre os bonecos (criados por Susanita Freire) e o público.
Cenas de discussão e de amor transformaram Interferências Humanas num dos momentos especiais da IV Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua, em Paraty.
Destaque para uma cena onde um coração é formado através da técnica do origami.
Quando, no final da apresentação, as atrizes Susanita Freire e Anne Westphal saem das máscaras corporais (denominação retirada do site do grupo), é difícil não se encantar ao perceber o talento dessas artistas para sustentar bonecos que chegam a dois metros de altura.
Não sei se consegui compreender todas as ações dos personagens, mas apreciei muito esse trabalho da Companhia Bonecos em Ação e espero poder sempre prestigiá-las.
Para saber mais e acompanhar uma interessante trajetória (com destaque para a intensa pesquisa na área de teatro de bonecos e de estudos sobre o teatro do absurdo), visite o site: http://bomdeboneco.sites.uol.com.br.

postado por: NANDA ROVERE 2:21 AM

Comments:

Encontro com o professor Fausto Fuser e com o ator e diretor Amir Haddad ¿ uma interessante discussão sobre o fazer teatral na rua
IV MOSTRA RIO-SÃO PAULO DE TEATRO DE RUA EM PARATY
Por Nanda Rovere
Matéria especialmente elaborada para o site http://mostrateatroparaty.com.br/


¨O teatro carrega consigo a possibilidade de transformação¨
Amir Haddad

¨Há muito teatro feito na rua, mas isso não é conhecido, porque tais manifestações não têm apoio oficial, nem o apoio da mídia¨
Fausto Fuser/Amir Haddad

Fausto e Amir são importantes personalidades do teatro brasileiro. Fausto foi professor na área de Artes Cênicas na USP e crítico teatral.
Amir é ator, professor, diretor e coordena o grupo Tá na Rua, excelência em teatro de rua.
Pela primeira vez em seus quatro anos de existência, a Mostra Rio- São Paulo de Teatro de Rua de Paraty abriu um espaço para debate sobre o fazer teatral na rua.. Não que ele não existisse nas edições anteriores mas, neste ano, a Casa de Cultura cedeu o seu auditório para um encontro ¨oficial¨ sobre o assunto.
Fausto lançou uma pergunta muito pertinente: deve ser feito como alternativa para suprir a falta de espaços fechados para encenações? Na sua opinião, a resposta é negativa, pois o teatro de rua possuiu uma linguagem própria, diferente das montagens apresentadas em salas de espetáculos. O maior desafio dos realizadores do teatro de rua é buscar uma organização do imaginário que não seja contemplada pelo teatro tradicional.
O professor também falou sobre as origens dessa manifestação teatral. Apresentações nas ruas sempre existiram nas festas em invocação à fertilidade, à vida, ao amor, ao nascimento, etc.
Seu início ocorreu entre as pessoas mais pobres, para depois estas manifestações serem apossadas pelos palácios, pela classe dominante.
A exposição de Fausto foi pequena e ele logo passou a palavra a Amir Haddad, o qual, na sua opinião, detém o conhecimento prático sobre o teatro de rua.

Teatro de Rua por Amir Haddad

Amir faz teatro de rua por acreditar no ser humano, no futuro. Quer estabelecer com o público uma relação direta.
Defende que é impossível dissociar teatro de rua da nossa realidade social e política, na medida em que a função do teatro é contribuir para a obtenção de um mundo melhor.
O artista deve viver a utopia da possibilidade de transformação ao realizar um espetáculo.
As questões (indagações) pertinentes ao fazer teatral na rua foram surgindo através da participação da platéia.
Certamente, um dos questionamentos mais interessantes foi quanto ao significado do teatro de rua hoje.
Tanto para Fausto quanto para Amir, o dever das manifestações artísticas, sobretudos as de rua, é a democratização do diálogo e o abandono de qualquer tipo de preconceito.
Para se trabalhar nas ruas é primordial a interação com qualquer tipo de grupo.
O estabelecimento de parâmetros técnicos de encenação é necessário, pois a linguagem do teatro de rua deve ser diferente da utilizada no teatro tradicional. Se, neste último, as pessoas pagaram ingressos e/ou planejaram o passeio, no primeiro, geralmente, o público é pego de surpresa. E como conquistar esse público? Estabelecendo um contato de respeito para com ele, mostrando um espetáculo que fale direto ao seu coração e, ainda, que busque a interação com pessoas diversas.
Quando a energia trocada entre atores e espectador é positiva, é maravilhoso. Mas como agir quando isso não acontece, ou mesmo quando a platéia interfere no andamento da ação dramática?
Amir deu um exemplo bastante ilustrativo:Numa apresentação do Tá na Rua em um favela carioca, uma das moradoras da comunidade (desprovida de encantos, conforme os nossos padrões de beleza) tentou beijar um dos atores que estava em cena. Ele não titubeou e a beijou!
Com este ato, o Tá na Rua provou não ser somente teórico o seu discurso sobre a participação da platéia nos seus espetáculos e o abandono de qualquer tipo de preconceito.
Infelizmente, o tempo foi curto, mas o debate se constituiu numa oportunidade ímpar para se pensar o teatro de rua.
Fica aqui o pedido para que encontros como este façam parte da agenda das futuras edições da mostra em Paraty.

postado por: NANDA ROVERE 2:17 AM

Comments:

FOTOS DA IV MOSTRA RIO SÃO-PAULO DE TEATRO DE RUA DE PARATY


A Farsa do Velho da Horta ¿ Grupo Polícromo Alecrim
Foto Fabio Rodrigues



Fugindo de Casa - Cia Lambe Sapo
Foto Fabio Rodrigues



Gozolândia - Cia. IVO 60
Foto Fabio Rodrigues



Milkshakespeare - Grupo Teatro & Poesia sem Máscaras
Foto Fabio Rodrigues



Nóis na Chita - Grupo Namakaca
Foto Fabio Rodrigues



O Doente Imaginário - Cia. do Miolo
Foto Fabio Rodrigues



O Caixeiro Viajante ou O Vendedor de Ilusões nas ruas de Paraty
Foto Fabio Rodrigues



Grupo Tá na Rua finalizando a Mostra
Foto Fabio Rodrigues

postado por: NANDA ROVERE 2:13 AM


arquivo